quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

¿Se acabó el Sueño?

"Los Azules" comemoram a vitória

Um jogo memorável para os torcedores do Santander, será difícil esquecer a chance que lhes passou pela frente, a chance de chegar à tão sonhada final da Copa do Rei pela primeira vez na história. O Getafe conseguiu adiar um pouco o sonho do Racing após derrotar o time alviverde de Santander por 3 x 1.

O jogo começou corrido com ambos os times buscando o domínio de meio campo, as duas duplas de meio-campistas, tanto do Getafe como do Racing, travando um duelo à parte na busca da jogada de gol. Um destes meias, De la Red, abriu o placar após um corner bem cobrado em que cabeceou livre dentro da área batendo o goleiro do Santander. Logo após o gol, o Racing não se apequenou e foi pra cima do adversário, Smolarek empatou após cruzamento na área de Jorge López. O Racing dominava o jogo e chegava todas as vezes perigosamente na área de Ustari.

Mas com toda essa pressão os alviverdes deram espaço para os fortes contra-ataques do Getafe. Num deles, Casquero venceu o goleiro Toño, ampliando para 2 x 1 após receber um qualificado passe de Pablo Hernández, o nome da decisão. Depois do segundo tento, o Getafe conseguiu manter o jogo sob controle, mesmo sofrendo grande pressão do Santander.

O derradeiro golpe veio aos 83’ quando, após um descuido da defesa do Racing, Pablo Hérnandez fez grande jogada passando para Manu anotar o gol que fechava a derrota alviverde. O Getafe mostra-se um time copeiro, especialista em mata-mata e segue vivo na disputa pela copa, já para o Racing fica dificil uma reação, mesmo que esta seja possível.

Mesmo perdendo, temos que reconhecer o valor do Racing Santander e de sua torcida, que o apoiou em todos os momentos, e ainda acredita numa vitória no jogo de volta.

Noite copeira

A cada lance desperdiçado nas rodadas passadas de Gauchão, Perea se comportava como um torcedor indignado. Reclamava, xingava, chutava o ar, agarrava-se à camisa como se ela pudesse fornecer um alento para a sua frustração. "Um dia perdido", assim o atacante colombiano do Grêmio definiu cada um dos jogos em que passou em branco, ao telefonar para a sua mãe, na segunda-feira, pedindo conforto.

Perea, ex-Bordeaux, deu, desde o início, contribuições importantes nas atuações do tricolor de Porto Alegre. Corria por todos os espaços do ataque, lutava, pedia a bola, tentava o chute e, por vezes, tão desesperado que estava por um gol, deixava de passar a bola para seus companheiros. Alguns torcedores já começavam a perder a paciência com a quantidade de chances desperdiçadas. Outros, porém, preferiam dar tempo e novas chances para que ele se afirmasse.

"Não sei o que fazer", prosseguia, na sua conversa com a mãe. Precisava de gols para recuperar a confiança sua e dos torcedores. Não podia mais falhar. Concluiu, finalmente, que os cinco jogos que ficou sem balançar as redes se deviam ao fato de "não estar mirando bem o arco na hora do chute". Isso tinha que mudar.

Ontem, um dia depois da conversa reconfortante, com as idéias esclarecidas, Perea foi para uma noite de Copa do Brasil. Sua noite, seus gols. Aquela não seria a noite de um dia perdido - nem para ele, nem para o seu Grêmio. No Olímpico, o tricolor gaúcho aplicou fáceis 6-0 no frágil Jaciara, do Mato Grosso. Os quatro primeiros gols da vitória, alguns deles verdadeiras pinturas, receberam a assinatura do colombiano. O sonho dourado para qualquer atacante, independentemente do adversário.

Uma partida como a de ontem, contra um adversário inexistente, pouco vale para qualquer análise. Pouco vale para se crer que o Grêmio é um super time. A Perea, contudo, valeu para devolver toda a sua confiança abalada.

* * *

Outras da noite copeira pelo Brasil:

• Chuva de gols - Perea, sozinho, já foi uma goleada monumental. Mas a quarta-feira de Copa ainda reservou muitos outros massacres. Destaque para os 0-7 do Atlético-MG sobre o Palmas-TO, os 1-4 do Goiás sobre o Cacerense-MT, e os 0-4 do Internacional-RS sobre o Nacional-PB - todos fora de casa, garantindo assim a passagem de fase sem precisar disputar o segundo confronto. Em casa, dois paranaenses também brilharam: o Coritiba fez 6-0 na Tuna Luso-PA, enquanto o Paraná aplicou 4-0 no Trem-AP - ambos se classificaram. Completando a rodada de massacres, uma surpresa: o alagoano Coruripe aplicou 4-1 no tradicional Juventus-SP, deixando a situação da equipe da Rua Javari muito delicada para o segundo confronto.

• Classificações antecipadas - Além daqueles que massacraram como visitantes, outros três times garantiram sua passagem de fase sem necessitar do confronto de volta, vencendo por dois gols de diferença fora de casa: Nacional-AM (1-3 sobre o Guará-DF), Palmeiras-SP (0-2 contra o CENE-MS) e Botafogo-RJ (1-3 no Rio Branco-AC).

• Dupla entregada - No jogo de ida, o Águia Negra-MS, já havia conseguido perder, em casa, para o Paranavaí-PR por 3-4, num jogo em que começou vencendo por 2-0. Ontem, no confronto de volta, como visitante, o time pareceu capaz de fazer a remontada mas, outra vez, acabou entregando. Saiu de campo com um 3-3, depois de ter aberto 1-3 no placar, e deu adeus à Copa do Brasil.

• O salvador - Michel Alves foi o nome da classificação do Juventude à próxima fase da competição. O adversário era o pouco temido Linhares-ES, mas depois de empatar por 0-0 no Espírito Santo, os de Caxias do Sul também se mostraram incapazes de marcar gols jogando em casa. Novo 0-0 e a decisão foi para os pênaltis. Aí apareceu Michel Alves: na série inicial de penalidades, depois de os visitantes acertarem as três primeiras cobranças e praticamente assegurarem a passagem de fase, ele pegou os dois últimos tiros dos capixabas para levar o desempate à série de alternadas. Nelas, consagrou-se com mais uma defesa e fez sua equipe passar de fase ao converter o último chute juventudista. No fim, 5-4 para o alviverde e um herói para uma torcida com carência deles.

A disputa esquenta...

O campeonato espanhol vai entrando em sua derradeira fase com times brigando pela taça e muitos outros peleando pelas competições européias, bem como os desesperados lutando para permanecerem na La Liga 08/09.

Apontados como favoritos desde o início, o Real Madrid (56 pts.) e o Barcelona (54 pts.) disputam ponto a ponto a liderança, com ligeira vantagem para a equipe de Madrid. No entanto os Madrileños vêm de três derrotas consecutivas para Betis e Getafe pela La Liga e para a Roma em jogo válido pela Liga dos Campeões. Parecem sem sorte os merengues, no 0 x 1 contra o Getafe tomaram o gol numa jogada incrível, na qual o time reclamava o tento anotado por Robben, anulado pelo auxiliar. Feita cobrança rápida do impedimento, o Getafe sobrepujou os dois defensores merengues e marcou.

Já o Barça vem de bons resultados, tanto na Liga dos Campeões, onde derrotou o Celtic por 3 x 2, como pela Liga espanhola, onde venceu o Levante por 5 x 1 com direito a atuação diferenciada de Eto’o. Entretanto tiveram o insucesso na Copa do Rei, onde os catalães empataram com o Valencia em casa por 1 x 1, apesar de terem dominado completamente o jogo. O título muito provavelmente ficará em Madrid ou irá para a Catalunha. Nenhum dos outros times parece ter forças para buscar a diferença.
Brigando pelas vagas nas competições internacionais estão 7 times: Villarreal (46pts.), Atlético Madrid (41 pts.), Sevilla (39pts.), Espanyol (39pts.), Racing (38pts.), Almería (36pts.) e Valencia (35pts.). A briga grande fica entre Villarreal, Atlético, Sevilla e Espanyol, estes, tentando vaga para a Liga dos Campeões. Com 46 pontos, o Villarreal irá classificar sem maiores problemas se mantiver as boas atuações, Sevilla é candidato a outra vaga, pois tem melhor elenco que os demais com exceção do Valencia, mas este está longe do grupo principal, briga quiçá por Copa da Uefa.

Almería de boas atuações, que tem defendendo a meta o excepcional goleiro brasileiro e 2º recordista de minutos invicto na La Liga (o recordista é Resino que ficou invicto por 1275 minutos defendendo o Atlético Madrid em 1991) Diego Alves, pode arriscar uma vaga na Copa da Uefa, assim como o Racing, que pega o Getafe na Copa do Rei, competição que centraliza suas atenções.
Atlético eliminado da Copa da Uefa sob circunstâncias duvidosas que resultaram na expulsão de Agüero contra o Bolton, trata de focar-se na La Liga, após derrota para o Osasuna por 3 x 1, fica provada a inconsistência do time Madrileño e principalmente a incompetência do seu técnico Javier Aguirre; este está ameaçado caso tenha um insucesso contra o Barça na próxima rodada, e o favorito para assumir o comando do time é Rafa Benítez, de campanha irregular no Liverpool. O Atlético que tenta desesperadamente se manter na zona de qualificação à Copa dos Campeões e ainda possui 2 pontos de vantagem para os adversários logo abaixo, mas se repetir as lastimáveis atuações pode se dizer que os Colchoneros terão que se contentar com a Copa da Uefa.

Na parte de baixo temos 10 times ao todo. Incrivelmente, cinco deles estão empatados com 29 pontos, isso mostra um certo equilíbrio entre os times de médio escalão no campeonato desse ano. Osasuna, Bilbao, Zaragoza, Betis e Huelva estão ameaçados de ingressar na zona de rebaixamento, onde o primeiro é o La Coruña, um grande clube que vive fase difícil, tendo grandes chances de cair. Murcia e Levante dificilmente escaparão da degola.

O campeonato espanhol ainda tem 13 rodadas a serem disputadas, isto é, 39 pontos para cada time. Como é impossível uma equipe conseguir 100% de aproveitamento nas rodadas que restam, não se pode prever o que pode acontecer, mas que será um emocionante final de temporada, disso tenho certeza.

Outra mãozinha

Eto'o e sua mão, sempre decisiva

Até o fim do jogo de ontem, no Camp Nou, o Barcelona ia perdendo sua invencibilidade no ano. A partida valia pela primeira mão das semifinais da Copa do Rei e o Valencia ia surpreendendo a todos com um placar de 0-1. Villa, no minuto 70, foi o responsável pela abertura da contagem, depois de sua equipe ter montado um bom esquema defensivo que tratou de anular as investidas dos azuis-grenás.

Com dificuldades na criação de jogadas e desperdiçando suas raras chances, o time catalão tratou de pressionar ainda mais nos últimos minutos. Hildebrand, arqueiro do Valencia, ia brilhando com importantes defesas. O tempo passava, fazendo as expectativas de empate - e, portanto, até de sobrevivência na Copa - soarem impossíveis. Os quase 75 mil espectadores que foram ao estádio já observavam a partida com uma certa melancolia quando o seu time recebeu outra "mãozinha" - de Eto'o e da arbitragem.

Nos acréscimos, quando o cronômetro assinalava 90+3 minutos, o camaronês superou a marcação com um toque da mão. Involuntária ou não, ela ajudou Eto'o a dominar e ganhar a jogada para, finalmente, dar continuidade ao lance. A bola é desviada em um primeiro momento, parecendo não tomar o rumo do gol. Xavi, porém, estava lá. Tornando-se notável por marcar gols nos minutos decisivos, ele outra vez apareceu para dar um disparo preciso, à prova de qualquer intervenção, e marcar o 1-1 definitivo.

Um empate com sabor de vitória para o Barcelona, que consegue deixar a vaga em suspenso para o jogo de volta, no Mestalla. Um empate, contudo, que teve outra vez uma ajuda providencial de certas forças externas. E assim vão os de Rijkaard com 15 jogos sem conhecer derrota.

Santander pára. E sonha

Aos poucos, Santander começa a parar. Com o passar do dia de hoje, as atenções da população vão se direcionando, todas, para o seu clube de futebol. Por natureza, o Racing sempre atraiu os aficionados locais, mas nunca como nesta quinta-feira. O jogo de hoje será excepcional. Um delírio.

Delirante porque esta será a primeira geração de torcedores a acreditar que o time de Santander pode chegar ao título da Copa do Rei. Explica-se: jamais uma formação do clube sobreviveu por tanto tempo numa disputa copeira. Desde 1913, quando foi fundado, o Racing podia tomar por "memoráveis" aquelas temporadas em que conseguia atingir as quartas-de-final do torneio eliminatório. Hoje, jogará uma inédita semifinal! Jamais caminhou tanto e, da mesma forma, nunca esteve tão perto do troféu - restam três jogos, que sequer precisam ser vencidos, desde que se saiba jogar com o empate.

A oportunidade de fazer história para, quiçá, abocanhar o título, virá contra o Getafe. Na temporada passada, o time da região de Madrid viveu uma euforia parecida com a notada hoje em Santander, alcançando um vice-campeonato na Copa. Ao tentar seguir os passos do "azulón", o Racing chega num ponto em que, para seguir adiante na estrada dos sonhos, terá que atropelar o seu inspirador.

Ansiosos, os torcedores esperam um resultado razoável do seu time como visitante, e 5 mil racinguistas foram a Getafe para dar seu apoio. No entanto, confronto de logo mais, tão aguardado, é apenas um prólogo. A maior partida já vista por Santander e disputada pelo seu clube ainda está por vir: será o duelo de volta, em casa, quando apenas noventa minutos estiverem a separar o Racing da mítica final.

Não era futebol

Momento qualquer de um jogo vagamente futebolístico

Preparar a equipe para as rodadas finais do Gauchão e promover o entrosamento dos reforços recém-contratados. Com esse pretexto, a comissão técnica do São Luiz pediu para que a direção encontrasse algum clube disposto a, nesta semana de estadual parado, fazer um amistoso. Se o objetivo era fazer testes, talvez fosse melhor ficar apenas nos treinamentos... Na noite de terça-feira, veio a Ijuí o TAC (Três Passos Atlético Clube), aproveitando a oportunidade de se preparar para a Segundona Gaúcha, que disputará a partir do final de semana. Embora digno de respeito, o adversário do rubro ijuiense (aliás, o uso do "rubro" ainda merecerá algum post, futuramente) foi parte indispensável do que se constituiu numa apresentação menos que varzeana de futebol. Futebol?

Seria, desde o início, um amistoso guerreado como sempre, se as duas equipes estivessem em pré-temporada. Mas viver intensamente a disputa do Campeonato Gaúcho, tentando conquistar uma vaga na próxima fase, fez com que o São Luiz se resguardasse, jogasse desinteressado. Com reservas, seu pouco entusiasmo ajudou a diminuir ainda mais a qualidade do embate. No fraco primeiro tempo, viu-se o time da casa em uma apresentação marcada pela displicência, enquanto os visitantes disputavam uma árdua batalha contra si próprios para construir algo de produtivo. Um jogo medíocre. Ao intervalo, muitos se perguntavam se ir ao 19 de Outubro realmente tinha sido a melhor opção para aquela noite. Nem mesmo Arílson, um bom jogador que se estragou, novo contratado são-luizense, conseguiu fazer uma estréia digna das expectativas.

Mas ainda havia um segundo tempo. Se o jogo estava irremediavelmente ruim, pelo menos ficaria mais lutado - e divertido. Cinco substituições no intervalo trataram de aniquilar o pouco bom futebol que poderia brotar no lado ijuiense. Vendo que o bicho não estava tão feio e sabendo que vencer um time da primeira divisão - mesmo em formação reserva - daria um ânimo a mais para o início de Segundona, o Três Passos foi criando suas chances. Numa das raras vezes em que conseguiu tramar jogada através de troca de passes, conseguiu um pênalti. Era o quinto minuto da etapa complementar e os visitantes já faziam por merecer um tento contra seus desinteressados oponentes. Carlos, goleiro reserva que teve chance de atuar, pensou diferente: saltou bem para, no seu canto esquerdo, espalmar a cobrança de Marcão em escanteio.

Seguia 0-0. Seguiam os torcedores do São Luiz aumentando sua ira para com os suplentes da equipe. Finalmente, seguia, também, o TAC jogando menos pior. Aos 73 minutos de partida, uma falta ao lado da área são-luizense tornaria interessante o confronto ainda impregnado com tons soníferos. Maicon Leandro cobrou o tiro livre, buscando um cruzamento na área. Esperando o momento adequado de saltar, o arqueiro foi pego de surpresa quando ninguém, atacante ou defensor, conseguiu desviar a bola. No momento em que percebeu a desgraça, já era tarde demais para esboçar reação. O tiro foi direto para as redes, sentenciando o 0-1.

O gol tirou a equipe local de um transe. Quiçá por esperarem um empate insosso, os jogadores do São Luiz acabaram subitamente mudando de atitude frente à iminência de derrota - eram reservas, sim, mas representavam um clube da primeira divisão, jogando em casa e, principalmente, diante de um adversário com entrosamento de poucas semanas. Sim, o São Luiz acordou, passando a querer pressa e briga. Qualquer bola parada que houvesse, lá aparecia um representante rubro para empurrar alguém do TAC, "liberando caminho", e cobrar o lance rapidamente. Bem longe de ser um time de dondocas, o aurinegro de Três Passos respondia à altura, provocando uma crescente nos desentendimentos. Aos 76 minutos, após uma confusão na entrada da área visitante, um jogador de cada lado viu o cartão vermelho.

Intimidado com o clima, o juiz optou pela velha tática de ficar ao lado da torcida, apitando ao melhor estilo caseiro. Sem ser escandaloso, foi tendencioso o suficiente para controlar as ações do jogo: faltas duvidosas sempre eram marcadas em favor do São Luiz - para o TAC, somente lances indisfarçáveis. A briga, agora com críticas à arbitragem, seguia. No minuto 79, nova expulsão pelo lado visitante, agora pelo segundo cartão amarelo. Aí começou a várzea e, claro, as manifestações mais irritadas da torcida: imediatamente após a segunda expulsão, o treinador do TAC coloca um reserva para substituir o jogador retirado do gramado. Depois se descobriria que os técnicos haviam combinado isso, para evitar um confronto desigual, mas nem mesmo alguns jogadores rubros sabiam dessa história.

Sob gritos que punham em xeque a masculinidade do árbitro e a moral da senhora que o pariu, o jogo continuou, com dez para cada lado. O São Luiz seguia pressionando, atrás do empate, num lamentável espetáculo que alguns mentirosos venderiam como futebol. Também continuava a peleia, e provavelmente esse era o maior atrativo daquilo tudo. Aos 81 minutos, por uma agressão na linha lateral, veio a terceira expulsão no time do TAC. Indiferente, fazendo cera, o atleta aurinegro simplesmente esperou o apitador lhe dar as costas para... permanecer em campo! Os torcedores berravam, afogados em raiva, tentando chamar a atenção do árbitro - "o camisa 15 foi expulso, vagabundo!" -, que seguia desentendido. Foram necessários quase cinco minutos para que, informado sobre o fato, o juiz enfim constatasse que, à sua frente, provavelmente aos risos, o tal camisa 15 seguia jogando.

Ele foi mandado para o vestiário, e o TAC já preparava uma nova substituição para manter seus dez homens em campo. Furiosos com aquilo tudo, foram os torcedores que impediram a continuidade da várzea: vaias, ameaças e xingamentos vindos do Pavilhão intimidaram o reserva do TAC que, já em campo, começou a correr de volta para o banco - de costas! Finalmente, os de Três Passos ficavam com nove. Àquela altura, por conta da briga e da ruindade, o futebol já era parte de um plano paralelo. Não foi jogando futebol que o São Luiz chegou ao empate, mas o que vai para as estatísticas é que, no minuto 87, após uma falha de marcação da zaga o gol do 1-1, placar final, saiu. Marcado por, vejam só, Alcione! Definitivamente, não era futebol. Não podia ser. Um treino teria sido mais produtivo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Os velocistas de Potosí

Não há afirmação nenhuma neste início de Libertadores. O nivelamente é cruel, os clubes menores complicam qualquer partida, e a dita qualidade dos grandes não fez diferença alguma até aqui. Um River moribundo apanhou no Peru, o Boca foi apenas mediano na Venezuela, o San Lorenzo é sofrível, Flamengo e Fluminense só empataram, e coube ao Cruzeiro as melhores atuações. Nada, nada de especial.

Os destaques então, ficam por conta de uma das virtudes históricas da competição. Se a qualidade dos caros reforços que aterrisaram em solo americano em dois mil e oito ainda não vingaram, a velha raça libertadora, ao menos ela, segue presente. A primeira façanha foi a do Nacional uruguaio, exaltada pelo blog. Triunfo com penalti contra aos quarenta do segundo tempo e muita comemoração pelo magro, mas honroso 1-0.

Ontem, o jogo mais esperado era o duelo de argentinos, entre Estudiantes e Lanús, em La Plata. Com vinte e dois jogadores sem maior inspiração em campo, o 0-0 foi o mais justo. Verón não conseguiu jogar e a equipe ''Granate'' cozinhou o empate no segundo tempo inteiro. Mais tarde, Caracas e Potosí se enfrentariam na Venezuela.

Confronto de dois países sem qualquer tradição na competição, mas um jogo surpreendentemente aguerrido. O Caracas abriu 2-0 com a velocidade e força do atacante Rentería (foto), mas quem mereceu o destaque foi o Potosí. Há tempos não se via uma equipe correr tanto. Os bolivianos simplesmente se sacrificaram no segundo tempo, beirando o absurdo.

O prêmio foi um gol, achado após duzentas bolas alçadas na área do Caracas. Apesar do narrador do SporTV insistir na falta de qualidade técnica dos azuis, o que não deixava de ser real, a superação era emocionante. Uma cabeçada, já nos acréscimos, poderia ter decretado o empate, mas o goleiro venezuelano manteve o empate com um milagre, e saiu aplaudido de pé.

Em uma Libertadores onde os destaques são poucos e o futebol ainda não apareceu em sua melhor forma, o que nos resta é destacar o (merecido) esforço de pequenos como o Potosí, que se não vencem nem encantam, encharcam a camiseta. E de sobra, dão uma lição aos ricos e grandes.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Amistoso interiorano

Estava sendo um jogo difícil para o Guarani de Venâncio Aires, time que voltará a militar na Segundona Gaúcha neste 2008. Em casa, na quinta-feira passada, o time fazia uma apresentação ruim em mais um amistoso de pré-temporada, contra o Estrela.

Os primeiros minutos chegaram a ter um ar promissor para os locais. Nildo acertou uma bola no travessão, formando expectativas que se dissipariam pouco depois. Aos treze, o Estrela se colocou em vantagem graças ao tento de Robson. Dali em diante, seguiu uma apresentação criticada dos rubro-negros, incapazes de agradar ao Edmundo Feix. A falta de qualidade fez o confronto, peleado por natureza, ganhar ares de guerra particular. O que faltava na capacidade de ameaçar o gol, sobrava em vontade por parte dos vinte e dois jogadores.

Aos poucos, talvez tentando conter os ânimos da equipe da casa, desesperada, ou mais provavelmente por ser fraco, o árbitro Adroaldo Vieira passou a favorecer o Guarani em uma sucessão de lances - ao menos na visão dos visitantes. Precisando redobrar suas forças para segurar a vantagem - quem disse que vale pouco um triunfo fora de casa, mesmo em pré-temporada? -, o Estrela bateu ainda mais. "Lamentável", diria o treinador Mazaropi, do Guarani, após a partida. Normal aos olhos de Altimar de Brito, o comandante do outro lado. A vitória, afinal, se mantinha.

Não sem xingamentos ao árbitro. Não sem mais uma decisão questionável por parte do apitador. "Juiz caseiro!", exclamava Altimar, aos berros, quando viu, no último minuto de jogo, um pênalti duvidoso ser assinalado contra seu time. Era demais. "Querem tirar a nossa vitória?" - deve ter pensado o técnico do Estrela, enquanto lançava seu temporal de impropérios ao juiz - "Pois vou ser mais rápido". Após uma conversa com seus jogadores, Altimar não teve dúvidas em retirar o time de campo, ainda com 1-0 no placar. O que viria depois não lhe importava mais.

Entretanto, o que viria depois acabaria por surpreender até mesmo a equipe local: sem adversários em campo, o árbitro ordenou que o pênalti fosse cobrado. Japa foi o responsável por mandar a bola para o fundo das redes de uma goleira vazia, e o Guarani saiu de campo com 1-1. Após o jogo, os carrinhos e pataços vistos enquanto a bola rolava se transformaram em discussões e acusações de parte a parte.

"Que absurdo, era apenas um amistoso!", sempre dirá aquele observador casual. E era mesmo. Aguarde a Segundona.

Dia atípico

No Passo d'Areia, estádio acostumado aos públicos medíocres e ao silêncio, uma entusiasmada cantoria. E uma estranha invasão da torcida adversária. Como raras vezes se vê no Gauchão, a maioria visitante não era composta por torcedores da dupla Gre-Nal: todos apoiavam um interiorano, o Inter de Santa Maria.

Em campo, um Interzinho que vem mostrando força nessa temporada sofria diante do mediano São José. Invicto, acostumado às vitórias obtidas nos minutos finais, acabou levando um gol aos 78 de jogo - marcado por Fabiano, "uh Fabiano". De forma até certo ponto inesperada, sua primeira derrota, e a perda da liderança do grupo. Ainda insuficiente para tirar a tranqüilidade, mas um tropeço que levantou as primeiras desconfianças.

Mais tarde, no outro jogo do dia, um 15 de Novembro que havia perdido, perdido, perdido e perdido ao longo das rodadas anteriores, conseguiu superar até mesmo a arbitragem para, dentro de casa, vencer o Santa Cruz por 3-1. Até sua salvação já começou a ser cogitada! Se o quadro de mediocridade não mudou, uma nova vitória na próxima rodada, em confronto direto contra o Novo Hamburgo, reduz sua distância à zona de permanência para um único ponto.

Um líder invicto que passou a ter sua classificação dada como incerta. Um lanterna com aproveitamento nulo que se tornou, ao menos por uma semana, candidato a permanecer na elite. Tudo isso numa segunda-feira. Que dia atípico de futebol!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Tottenham e Juande Ramos

Domingo foi o dia em que o Tottenham voltou, definitivamente, a ser encarado como grande. De virada, num Wembley lotado, o histórico clube londrino venceu o hoje badalado Chelsea, por 2-1 - com direito a gol de pênalti e vitória confirmada apenas perto do centésimo minuto de confronto, já na prorrogação -, e ergueu a Copa da Liga Inglesa. Título desimportante? Não pelo que representou ao clube ou pela forma como foi obtido. A remontada na final apenas coroou uma trajetória marcada pela superação de favoritos como Middlesbrough, Manchester City e, principalmente, Arsenal, numa histórica semifinal em que os Hotspurs aplicaram 5-1 nos Gunners.

Foi o quarto título da competição na história do clube, e a primeira taça erguida pela equipe desde 1999. O renascimento de um grande caído, com a assinatura de Juan de la Cruz Ramos Cano, o popular Juande Ramos. É interessante notar como o treinador espanhol tem mostrado uma anormal capacidade de pegar equipes tradicionais, porém sem glórias recentes, e transformá-las em respeitáveis esquadrões.

Uma história que começou no verão europeu de 2005. Antes disso, Juande Ramos esteve uma temporada parado - depois de conquistar dois acessos com clubes da segunda divisão da Espanha nos anos 1990, o treinador não conseguiu repetir o sucesso nos clubes da elite, sendo pouco a pouco colocado para escanteio. O Sevilla, numa aposta de rara felicidade, resolveu oferecer uma chance a ele, concedendo o posto máximo na casamata para a temporada 2005/2006. A missão: pegar um clube que não conquistava título algum desde 1948 e, na temporada do seu centenário, fazê-lo voltar a ser temido.

Ramos agarrou a oportunidade como poucos. Não apenas reconquistou o respeito do Sevilla - e o seu próprio, profissionalmente -, como também ergueu as taças mais importantes da história da agremiação. Em duas temporadas, um clube que não via glórias há quase seis décadas acumulou troféus: duas Copas da UEFA (2005/06, 2006/07), uma Supercopa da Europa (2005/06), uma Copa do Rei (2006/07) e uma Supercopa Espanhola (2006/07). Seu último feito na Andaluzia foi classificar os sevillistas à fase de grupos da UEFA Champions League, pela primeira vez na história.

Então, no final de outubro do ano passado, aceitando uma proposta milionária que o transformaria no treinador mais bem pago do mundo (6,5 milhões de euros anuais), deu adeus à Espanha para desembarcar em terras inglesas. Novamente, a tarefa era das mais difíceis: pegar um clube que começava a ser conhecido por "azarado", sem conquistar títulos e sem vencer o principal clássico de Londres, contra o Arsenal, desde o século passado, e fazer sua força de outrora voltar. Juande aceitou o desafio e, como antes, superou as expectativas. Ontem, menos de quatro meses após chegar em White Hart Lane, ergueu sua primeira taça britânica.

Com todos os méritos e nas mãos do mágico treinador espanhol, o Tottenham voltou a ser grande. E o clube ainda está vivo na Copa da UEFA. Que ninguém duvide do tri de Juande Ramos.

Diagnóstico errado

Para Júlio Espinosa, treinador atual do 15 de Novembro, os terríveis resultados obtidos pela equipe têm uma justificativa: a temporada curta do time, que dura de dezembro a março.

É estranho que o 15 de Novembro tenha chegado a sucessivas finais de Campeonato Gaúcho ao longo da década e, inclusive, alcançado as semifinais de uma Copa do Brasil seguindo exatamente o mesmo planejamento de manter o departamento de futebol ativo por um terço do ano. E bastante conveniente que o curto período tenha se tornado um problema a partir do momento em que a qualidade dos reforços foi piorando.

Parece óbvio que a real causa de dificuldades para o clube de Campo Bom não é o seu planejamento para o ano. O que prejudica o onze auriverde, como prejudicaria qualquer equipe, são os jogadores fracos. E, claro, treinadores que não sabem diagnosticar o motivo das derrotas.

Rodada gaúcha de ontem

O líder fácil. O Grêmio até concedeu a vantagem de um gol contra, aos 3 minutos de jogo, para o Esportivo se divertir e tentar vencer. Os de Bento Gonçalves, a exemplo do que haviam feito no Olímpico, não conseguiram sustentar a vantagem e, ainda no primeiro tempo, levaram a virada por 1-2. No início da etapa final, Maylson foi expulso, complicando o tricolor, mas o resultado se manteve. O mais próximo que o Esportivo esteve do empate foi a dois minutos do apito final, quando marcou um gol... bem anulado por impedimento. Com facilidade, o Grêmio se mantém na liderança do grupo - e lá vão seis pontos de vantagem para o Caxias, segundo colocado.Imperdoável. Para um time que se sustenta com dificuldades na quarta e última vaga que o seu grupo dá na próxima fase, a Ulbra sofreu um revés imperdoável no domingo. Em seu estádio, contra um Novo Hamburgo que havia vencido um mísero jogo (contra o time-bônus 15 de Novembro, uma vitória que não valia para as contagens, portanto), o time de Canoas levou quatro gols ainda no primeiro tempo. Reagiu na etapa final, tentou evitar um fiasco ainda maior, mas não conseguiu sair de campo com nada melhor que um 2-5. Como merecido castigo, o time poderá deixar a zona de classificação hoje, em caso de vitória do Santa Cruz sobre o... 15 de Novembro.Desastroso. Nem a mais desesperada tática do Guarany conseguiu evitar uma nova derrota - a sétima, em oito jogos -, no jogo de Pelotas. Contra o Brasil, os de Bagé entraram facilmente na roda, levando um 2-0 que os locais souberam administrar. A seis pontos do próprio Brasil, penúltimo colocado, o lanterna Guarany precisará de um aproveitamento de campeão contra os grandes times da chave para evitar o descenso. É um desastroso moribundo.

O bom jogador

Julio dos Santos (à esquerda): vigiado de perto

O bom jogador é notado com uns poucos toques na bola. Num domínio mais preciso, num passe redondo, num cruzamento que vai milimetricamente na cabeça do companheiro, num chute atraído pelo gol como se lá estivesse um grande ímã.

Nem sempre o bom jogador consegue se firmar. Lesões, seqüências de tardes infelizes, em que a bola não chega, em que a correria não funciona, muitas vezes fazem a torcida persegui-lo - falavam tanto e ele é só isso? Em outras ocasiões, é o próprio atleta que, a despeito de sua qualidade técnica, acaba se estragando. Sobram casos de nomes promissores, com repetidas chances em grandes clubes, que acabaram caindo no esquecimento e entrando na lista de "malditos" por preferirem a boemia aos gramados.

A outros, porém, faltam apenas chances. Esse Julio dos Santos, paraguaio emprestado pelo Bayern München ao Grêmio, que estreou ontem, não vinha recebendo chances no futebol europeu, e pouco conseguiu fazer para se firmar. No entanto, bastou entrar em campo outra vez para mostrar algo mais. Dos seus pés, diferentemente do que ocorre com boa parte dos jogadores atuais do tricolor, os passes saíam certeiros, as jogadas sempre tinham um propósito, um fim definido.

Dos Santos participou pouco, não jogava há meses, funcionou apenas como ponto de ligação das jogadas. Mesmo assim, já foi um acréscimo de qualidade em meio ao time que venceu o Esportivo por 1-2. Com ritmo de jogo, o paraguaio tem tudo para se converter num dos nomes mais importantes do 2008 gremista. Talvez acabe perseguido pela mídia (porque pela torcida não será) se viver alguns momentos de infelicidade, talvez se estrague. Mas, potencial, provou ter - com alguns poucos toques na bola. Eis um bom jogador.

A rodada espanhola, em frases

Valencia 1-1 Recreativo Huelva

"La Copa es un paréntesis dentro de todo lo que está pasando"
José Mari Bakero, auxiliar técnico do Valencia, considerando a possibilidade de alcançar a final da Copa do Rei em meio à má fase de um time que não encaixa bons resultados

"Lo importante es que hemos sumado un punto y hemos sabido sufrir"
Manuel Zembrano, treinador do Recreativo, comemorando o empate conquistado apesar da boa atuação dos adversários

Sevilla 5-0 Zaragoza

"Hemos hecho el mejor partido de la temporada"
Andrés Palop, goleiro do Sevilla

"El Sevilla nos ha superado en un partido en el que se han dado una serie de factores que han influido la derrota"
Javier Irureta, treinador do Zaragoza, atribuindo o claro massacre ao imponderável

Athletic Bilbao 1-2 Villarreal

"La idea en la segunda parte era seguir igual, pero el equipo contrario también juega"
Joaquín Caparrós, treinador do Athletic, sobre a virada sofrida por sua equipe na etapa final

"En todas las jugadas de peligro se iban al suelo, así que ordené que no echaran la pelota fuera porque sino no hubiésemos jugado nada"
Manuel Pellegrini, treinador do Villarreal, explicando como evitou a tática usada pelos locais para interromper o jogo

Osasuna 3-1 Atlético Madrid

"Cada partido tenemos que jugarlo como la final del año. Nos quedan trece finales"
José Ángel Ziganda, treinador do Osasuna, analisando a situação de sua equipe, dois pontos acima da zona de rebaixamento

"Hemos perdido todo el crédito"
Javier Aguirre, treinador do Atlético Madrid, lamentando mais uma derrota do seu time, que despenca na Liga após ter sido eliminado na Copa do Rei e da UEFA

Deportivo La Coruña 2-0 Espanyol

"Hemos jugado bien, hemos atacado bien, hemos defendido bien. Es para estar contentos"
Miguel Ángel Lotina, treinador do Depor, numa análise óbvia da vitória

"Lo cierto es que nosotros no hemos estado bien ni adelante, ni atrás, ni en el medio"
Ernesto Valverde, técnico do Espanyol, comentando a derrota com a mesma genialidade de Lotina

Mallorca 1-1 Betis

"Hicimos el mejor partido de los últimos seis que hemos jugado en casa"
Gregorio Manzano, treinador do Mallorca, tranqüilo e acostumado a perder pontos com empates - já foram 12 em 25 rodadas

"Veníamos con la intención de puntuar y lo hemos conseguido"
Francisco Chaparro, treinador do Betis, seguindo a doutrina 'o empate é um bom resultado'

Murcia 0-1 Valladolid

"Nos va a costar un mundo, pero nos vamos a salvar"
Lucas Alcaraz, treinador do Murcia, vendo seu time na penúltima colocação, a seis pontos do primeiro time fora do rebaixamento

"El balón quemaba en los pies de los jugadores"
José Luis Mendilibar, treinador do Valladolid, sobre a falta de tranqüilidade dos times, ambos ameaçados de descenso

Racing Santander 1-0 Almería

"Tuvimos el mando absoluto del partido"
Marcelino García Toral, treinador do Racing, sobre a superioridade da sua equipe

"No hemos conseguido crear peligro en ningún momento"
Unai Emery, treinador do Almería, concordando

Barcelona 5-1 Levante

"Con buen fútbol los goles llegan solos"
Messi, do Barça, entusiasmado por massacrar o lanterna da Liga

"En la primera acción del segundo tiempo marcaron el tercero gol y entonces el partido se acabó para nosotros"
Giovanni de Biasi, treinador do Levante, descrevendo a inevitável morte de sua equipe

Real Madrid 0-1 Getafe

"El gol fue producto de un error propio de un niño de cuatro años"
Guti, do Real Madrid, sobre o tento sofrido pelo seu time

"Es una jugada que llevo años practicando"
Belenguer, do Getafe, tentando tornar corriqueiro o improvável lance de gol que iniciou

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Ao preço de uma Liga

Jogadores do Madrid caminham atônitos, após sofrer o gol da derrota

A história de como o Real Madrid pode ter dado o primeiro passo para perder a outrora ganha Liga Espanhola tem um começo diferente da maioria dos fracassos do futebol. Ela se inicia com um gol, não dos seus adversários, mas um gol seu, que desencadeou um dos lances mais absurdos já vistos no Santiago Bernabéu.

Eram dezoito minutos da etapa final, e o jogo se arrastava, sem um grande futebol. O 0-0, para o Madrid, fazia com que a vantagem sobre o Barcelona, que já foi de nove pontos, despencasse para três. Mas o time pressionava. Havia tempo, havia o espírito de buscar um resultado. Àquela altura, dezoito minutos, Van Nistelrooy soltou um tiro da entrada da área. Abbondanzieri, o firme arqueiro do Getafe, fez grande defesa, mas não conseguiu agarrar, dando um rebote pego por Raúl. Com sua típica visão de jogo, o camisa 7 rolou a bola para Robben, que chegava pelo meio, e apenas completou para o fundo das redes. Gol! 1-0, festa no Bernabéu, e o alívio de quilos saindo das costas dos jogadores blancos.

Mal imaginavam eles que, alguns instantes depois, desejariam que o gol jamais tivesse ocorrido. Sem o gol, não haveria desatenção, comemoração, não haveria um gramado cheio de espaços para o Getafe contra-atacar. Os jogadores do Madrid ainda comemoravam o tento do alívio. Seis deles, contando com Robben, juntaram-se na linha lateral para os festejos. Então o holandês mudou sua face - apontando para o meio da área, onde o árbitro Daudén Ibáñez conversava com dois outros atletas do Madrid, alertava os companheiros que a alegria deveria der lugar à preocupação. Incrédulos, sem entender o que se passava, eles olhavam para o apitador e para o bandeirinha, procurando um sinal do que havia ocorrido. Tudo ficou claro e límpido tão logo o Getafe cobrou rapidamente o impedimento: no lance do gol, Raúl estava adiantado, e nada, a partir de então, valia - embora ninguém tenha ouvido o apito do juiz.

Pouco adiantou tomar ciência do ocorrido, afinal, o Getafe já havia cobrado o impedimento. Ficou fácil para os de azul: uma arrancada rápida, que deixou apenas dois defensores merengues contra cinco atacantes. Bastou trocar passes velozes para chegar, ante a perplexidade geral, na cara do gol. No mano a mano com Casillas, Uche mandou a bola para o fundo das redes. O gol do Getafe saía na desatenção do Madrid; saía por conta do gol do time local. Fosse um impedimento normal, ninguém comemoraria, nem sairia de posição, e muito menos haveria o contra-ataque rápido. Mas foi um gol. Um gol de alívio, anulado, seguido por outro que só aumentava o peso nas costas do Real Madrid, e este valia.

Não houve mais como recuperar o moral da equipe, e o 0-1 permaneceu no placar. Em um minuto, nascida de um gol seu, surgiu a derrota madridista. Na temporada passada, as constantes remontadas marcaram o espírito de um Madrid que, depois de dado como morto, acabou campeão. Nas últimas semanas, tantas declarações de soberba colocaram o time do Santiago Bernabéu na posição oposta à de um ano atrás. Como punição, os repetidos insucessos, por vezes absurdos, a exemplo de hoje, parecem estar cobrando o preço de uma Liga que ousou se considerar ganha.

Dois Gauchões, uma paixão

O texto a seguir, lembra, em diversos pontos, outro publicado aqui no blog, no fim de 2007. Sempre vale a pena ressaltar como o modo de a capital e do interior encararem a disputa estadual é distinto.

Dois Gauchões, uma paixão
Por Diogo Olivier,
publicado na Zero Hora de sábado, 23/02

A imagem captada pelo fotógrafo Renoir Sampaio serve de emblema para compreender a força que mantém vivos os campeonatos regionais. Mãos anônimas tentam tocar Fernandão antes de ele entrar no ônibus, na pista do acanhado aeroporto de Santo Ângelo, onde o Inter pousou de avião para enfrentar o São Luiz, em Ijuí, no meio da semana. O gesto do capitão, ereto, acenando para os outros torcedores que certamente gritavam seu nome lá longe, ajuda a compor o cenário de fiéis tentando aproveitar a chance, talvez única, de se aproximar do santo pelo qual rezam todas as noites. Fernandão é um homem bastante religioso, mas ainda não se tem notícia de que a proeza de erguer as taças de campeão da América e do Mundo tenha gerado processo de beatificação no Vaticano. Assim, o quadro captado por Renoir, cujo nome vem realmente a calhar neste caso, escancara um fenômeno curioso: existem dois Gauchões.

* * *

Um é o de Porto Alegre. Aborrecido, arrastado, repetido, freqüentado mais pelos torcedores que sempre batem ponto no Beira-Rio e no Olímpico. Não que o público seja chato. Não se trata disso. Há boas doses de animação, inclusive. Mas o porto-alegrense sabe que haverá outra vez. É como o sujeito que mora em Paris e passa todos os dias por baixo do Arco do Triunfo. A rotina torna invisível o monumento de 50 metros de altura, em plena Champs-Élisées, idéia de Napoleão para glorificar as vitórias francesas sob o seu comando em batalhas épicas. Também assim é com Gauchão em Porto Alegre.

Daqui a pouco os gremistas vão se acostumar com a Deborah Secco nos camarotes do Olímpico.

* * *

No outro Gauchão, o do Interior, tudo é diferente. A presença da dupla Gre-Nal é um acontecimento. Fernandão deixa de ser atacante para virar o general que chega a Ijuí no comando do exército vermelho. Lembram do ônibus do Grêmio surgindo no pórtico de Bento Gonçalves para a pré-temporada? Teve até carreata. Os dirigentes se aproveitam da paixão e abusam. Assim, Paulo Pereira Terres, 37 anos, viu-se obrigado a pagar R$ 40 por um ingresso de arquibancada. O dentista Walmor Montagner, 41, percorreu 70 quilômetros desde Santo Augusto para sentar-se numa cadeira de metal sem estofamento do Estádio 19 de Outubro por R$ 120. No Interior, pode não haver próxima vez. Em casos como o de Pato e Anderson, não houve nem primeira vez.

* * *

Os campeonatos regionais não se justificam para Grêmio e Inter pelo lado racional. O retorno financeiro é pequeno. Alguns gramados impraticáveis expõem jogadores que representaram grande investimento (imagine Roger ou Nilmar torcendo o joelho em um buraco). A segurança em certos estádios inexiste. O título não leva a lugar algum. No caso do Gauchão, pode até fazer mal: o campeão escapa da crise de perder para o rival, supõe que está tudo bem e, depois, vê o mundo desmoronar mais adiante, no que de fato interessa. Há quem defenda o fim dos regionais. Janeiro e fevereiro seriam preenchidos por treinos e torneios rentáveis. Mas como ficariam as mãos coloradas que tentam tocar Fernandão no aeroporto de Santo Ângelo? O Gauchão se justifica pela romântica democratização do acesso aos ídolos. Portanto, com todos os defeitos, viva o Gauchão. Da Capital ou do Interior, não importa. Viva o Gauchão.

Do sábado gaúcho

Dificuldades de marcação. Três desfalques defensivos (incluindo o destacadíssimo Dirlei, grande nome da semana futebolísitca no Rio Grande), minavam as expectativas retranqueiras do São Luiz desde o final do jogo na quarta-feira. A falta dos titulares era apenas o começo das preocupações. Para o jogo de volta contra o Internacional, ontem, no Beira-Rio, o time ijuiense se desesperava procurando formas de fazer uma marcação eficiente num gramado de dimensões muito maiores que as do 19 de Outubro. Não conseguiu achar soluções. Ao Inter, bastava trocar passes com velocidade para aproveitar os espaços que inevitavelmente apareciam - assim surgiram os dois primeiros gols do que foi uma fácil vitória por 3-0. A grandeza do time do São Luiz parece inversamente proporcional ao tamanho do gramado em que joga.
História repetida. O Caxias resolveu dar bis e repetiu o fiasco do meio da semana. Na quarta-feira, o time da serra vencia o Sapucaiense, dentro de casa, por 2-0 - levou dois gols nos cinco minutos finais e saiu de campo com um ponto. Ontem, agora com vantagem de um tento, os caxienses lideravam o placar novamente. Outra vez, faltando cinco minutos para o apito final, sofreram um gol e entregaram o jogo. Placar final de 1-1 e uma preocupante marca para um time que não consegue decolar: foi o quinto empate em oito rodadas. O Sapucaiense, com seus pontos conquistados no apagar das luzes, segue rondando a zona de classificação e sonhando com uma cada vez plausível vaga nas quartas-de-final.

Carrinhos e carrinhos

Eu seria um hipócrita se dissesse que sou contra os carrinhos no futebol. Não sou. Um carrinho bem dado, além de ser um recurso defensivo arrojado, capaz de roubar a bola num lance rápido, também serve como opção desesperada para alcançar bolas perdidas à beira de sair pelas linhas laterais ou de fundo. Em jogos disputados, ao estilo de Libertadores ou de Segundona Gaúcha, uma entrada calculada ainda impõe o respeito necessário sobre os adversários que ousem questionar e menosprezar a solidez da equipe.

Mas há carrinhos e carrinhos. A entrada útil, até limpa, pode facilmente se tornar um dos lances mais condenáveis do futebol dependendo da forma como é aplicada ou, principalmente, do grau de demência de quem o utiliza. O que Martin Taylor (fotos) fez sobre Eduardo da Silva no jogo entre Arsenal e Birmingham foi um crime. Havia mais de uma forma de se dividir a jogada por baixo: entrando com a perna em curva ou combatendo à frente do atleta dos Gunners, mas sempre visando a bola. Taylor jamais a quis.

Obviamente, o defensor do Birmingham também não imaginou destroçar a perna do seu adversário, afastando-o da Eurocopa (naturalizado, o brasileiro Da Silva defenderia a Croácia) e do resto da temporada. Não foi, porém, infeliz. A jogada não tinha importância e, muito menos, acontecia num momento de desespero: era o terceiro minuto de jogo. Taylor tinha uma clara opção de roubar a bola, mas preferiu entrar para "levantar" o adversário. Machucar. Causar dor. A Taylor, não bastava simplesmente se fazer respeitar por ser um defensor capaz de anular uma jogada com um carrinho - ele queria ser temido. Queria se mostrar, com a entrada violenta, capaz de destruir não um lance, mas um adversário.

Foi desleal, irresponsável. Colocou sua imagem - se fazer temido pelos companheiros a qualquer custo - acima, inclusive, dos interesses da sua equipe - vencer a jogada de forma limpa e dominar a posse de bola. Se nenhum tribunal o afastar dos gramados, o próprio Birmingham já teria motivos de sobra para fazê-lo.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

São Luiz 1-1 Internacional

Antes tarde do que mais tarde ainda...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O primeiro turno gaúcho

União: jogadores do Inter-SM antes de mais um jogo na sua campanha de resultados heróicos

Terminou o primeiro turno do Campeonato Gaúcho. Na fase inicial de competição, as sete rodadas já disputadas foram capazes de diferenciar os times que brigam por classificação daqueles que devem se contentar em permanecer na elite. Em meio a tudo isso, surpresas - positivas e negativas:

Grupo 1

1º Grêmio - 17
O fato de estar invicto no Gauchão até aqui, com 5 vitórias e 2 empates, não foi suficiente para acabar de vez com as suspeitas em torno do time gremista. A maior incerteza, no momento, vem da casamata: o clube surpreendeu ao mandar embora o técnico Vágner Mancini, por conta de uma suposta "passividade" à beira do gramado, e trouxe de volta Celso Roth, que estreou ontem. Mesmo assim, e apesar de não jogar um futebol de muito brilho, o time do Olímpico vai passando pela fase inicial com facilidade. Destaques para o goleiro Victor e o meia Roger, dois que, por motivos distintos, chegaram com má fama e agora se convertem em nomes importantes.
2º Esportivo - 13
Como já é tradicional, o Esportivo caminha para, outra vez, passar ao segundo estágio da competição. No momento, vai reeditando uma briga do ano passado: ao final do primeiro turno de 2007, o time de Bento Gonçalves também empatava em pontos com o Caxias, disputando o segundo lugar. Victor Pozzatti, nosso redator, diz que o Esportivo apresentou o melhor futebol no Rio Grande do Sul em 2008. Exagero ou não, a equipe mostrou solidez, ontem, diante do Grêmio - saiu vencendo, mas não resistiu à pressão de jogar fora de casa e acabou levando 2-1. Um bom time, que deve se manter em alta.
3º Caxias - 13
Mirando a Série C, o time grená, semifinalista do Gauchão passado, faz o que se espera de um dos clubes mais estruturados do interior: luta por classificação, com boa campanha. Com a melhor defesa, ao lado do Grêmio (4 gols sofridos), o quadro caxiense também está invicto no torneio - poderia chegar ainda mais longe se não fosse freado pelo excesso de empates: quatro, em sete jornadas. Forte o suficiente para, no fim, acabar superando o Esportivo e passar de fase com o segundo lugar.
4º Ulbra - 11
Por motivos obscuros, ou nem tanto, a imprensa resolveu chamar o time da Ulbra de "Canoas", em referência à cidade. Pois bem, o tal Canoas... não, Canoas não; se a imprensa não quer fazer propaganda de graça para a universidade, azar o dela: manteremos a denominação original com que esse time escreveu a parte mais destacada de sua história recente. Então... a Ulbra vai mantendo seu histórico de superar as fases iniciais do torneio e chegar na Série C nacional. Tranqüilidade, porém, não há: o time se sustenta como um equilibrista sobre a nada firme linha que separa os classificados dos outros, e segue acossado pelo Santa Cruz.
5º Santa Cruz - 10
Para um time visto como mero participante antes do torneio começar, a campanha do Santa Cruz não é nada má. No entanto, se a pontuação indica que a vaga pode vir, as atuações questionam: a equipe mostra grande irregularidade, tendo vencido três vezes e sido derrotada em outras três ocasiões. Além disso, o time parece ser inimigo do gol, nos dois lados do campo: enquanto a defesa mostra-se respeitável, tendo sofrido apenas seis tentos, o ataque também fica em números baixos, tendo ido às redes em outras seis oportunidades.
6º Sapucaiense - 9
Muito longe da anunciada briga para não ser rebaixado, o Sapucaiense faz uma campanha de sonhada tranqüilidade. Não deve passar de fase, mesmo estando próximo da Ulbra, mas faz uma honrada estréia na primeira divisão gaúcha.
7º Novo Hamburgo - 4
Provavelmente uma das maiores decepções do ano. Não que em condições normais se esperasse muito mais do Nóia, mas é fato que, antes do torneio começar, houve dirigentes estufando o peito para afirmar que o time brigaria para sair campeão. O resultado está aí: uma vitória e cinco derrotas, e uma equipe facilmente dominada pelos adversários. O "time para ser campeão" teria grandes chances de ser rebaixado, se o 15 de Novembro deixasse.
8º 15 de Novembro - 0
A pré-temporada já anunciava o desastre. Nela, o time acumulava derrotas em amistosos contra equipes dos mais variados naipes. Os torcedores tentavam se iludir, imaginavam justificativas, mas quem analisasse mais a fundo apontaria o 15, sensação gaúcha em temporadas passadas, como candidato à queda. O que ninguém imaginava é que o rebaixamento viria de forma tão desastrosa: sete derrotas em sete jogos, com o pior ataque (3 gols feitos) e a pior defesa (15 sofridos) do grupo. O que o América-RN foi no Brasileirão 2007, o 15 de Novembro é no Gauchão 2008. Só resta saber em que rodada a queda se fará oficial.

Grupo 2

1º Internacional-SM - 17
Certamente, o grande time deste estadual. Depois de uma longa década de insucessos na Segundona, o Interzinho recobrou sua história de gigante interiorano e vai fazendo uma campanha espetacular. Cinco vitórias e dois empates, além de 15 gols feitos, refletem uma campanha gloriosa que não fica restrita às estatísticas: dentro de campo, o que se vê é um Inter aguerrido, fazendo resistências heróicas, superando arbitragens tendenciosas e obtendo vitórias com gols nos acréscimos. Patrolou todos os times do interior e só perdeu pontos contra Inter e Juventude, os grandes da chave. Entrou para chegar nas fases finais do torneio e o fará com todos os méritos.
2º Internacional - 14
Falta afirmação para o Colorado, dono do elenco mais valioso do estado. O time tem dado espetáculo contra galinhas mortas como Guarany e Brasil, para depois sofrer contra equipes nem tão melhores, como o São Luiz. Mesmo assim, não terá problemas para superar essa fase inicial, evitando um fiasco como o de 2007. Além disso, se as atuações ainda deixam a desejar, os números já dão lampejos do que se espera para uma equipe tão badalada: o onze do Beira-Rio figura com o melhor ataque do torneio, tendo feito 16 gols, e a segunda melhor defesa, sofrendo apenas cinco.
3º São Luiz - 11
Tendo ficado uma posição acima do rebaixamento nas duas últimas temporadas, o São Luiz entrou no Gauchão mais uma vez para buscar uma participação tranqüila, sem sonhar com nada muito grande. Com nomes desconhecidos, conseguiu montar uma equipe valorosa, e foi além das expectativas iniciais, aparecendo na zona de classificação. O time estreou maravilhosamente, enfileirando três vitórias nas três primeiras rodadas do campeonato - depois, enfrentando adversários mais qualificados como o Juventude e os dois Internacionais, e sendo roubado contra o São José, acabou se complicando, e só conquistou 2 pontos nos últimos 12 disputados. Surpreende e briga por vaga, mas não deve esquecer da lição do ano passado: ao final do primeiro turno de 2007, o time de Ijuí também lutava por classificação, para depois terminar o campeonato evitando o rebaixamento graças ao saldo de gols.
4º Veranópolis - 10
Sensação do Gauchão 2007, quando eliminou o Internacional com um gol no último segundo de jogo, o VEC vai repetindo a dose e outra vez luta por classificação. A campanha ainda é instável, mas não desespera, uma vez que também era ao final do primeiro turno do ano passado: àquela altura, o time era 7º colocado num grupo de nove equipes; o final, todos sabemos...
5º Juventude - 10
Vivendo reestruturação após o rebaixamento para a Série B nacional, o Ju não é nem sombra daquele time que anualmente entrava no Gauchão sonhando com o título. Mais modesto, sem jogadores de renome nem atuações espetaculares, o time já deve encarar como lucro uma passagem de fase. Seu grande mérito, até aqui, é ser a única equipe que derrotou o Internacional de Porto Alegre: 0-1, em pleno Beira-Rio, no dia 01/02.
6º São José - 8
Sem torcida mas com apoio ferrenho da Federação Gaúcha de Futebol, o Zequinha tem conquistado alguns pontos graças às decisões discutíveis da arbitragem. Mesmo assim, nem os homens de preto podem salvar a pátria de uma equipe fraca, e o São José ainda aparece bem longe da disputa por uma vaga.
7º Brasil - 6
A exemplo do ano passado, o Brasil de Pelotas não honra sua tradição e sofre com as ameaças de descenso. Seus dias terríveis encontraram o fundo do poço no dia 10 deste mês, quando o Xavante foi massacrado por 0-5, dentro de casa, frente ao Internacional. Luta para não cair, mas como o Novo Hamburgo, no Grupo 1, deve evitar o rebaixamento graças à fraqueza de quem vem abaixo.
8º Guarany - 3
Desastrosa campanha para um time sempre marcado pela raça. Os de Bagé se converteram num alvo fácil e nem sua outrora respeitada defesa se salvou: já foram 18 gols sofridos, a pior marca deste campeonato. Sua queda foi praticamente decretada ao perder o confronto direto para o Brasil por 0-3, em casa, na última rodada do turno. A solitária vitória da equipe ocorreu sobre o Juventude, num jogo em que os caxienses parecem ter entrado de salto alto, julgando-se mais poderosos que a realidade, uma semana após triunfar no Beira-Rio.

Dignidade

20 de fevereiro de 2008, noite do dia em que o Esporte Clube São Luiz completou exatos 70 anos de fundação. Uma noite de festa, uma noite de gala. Uma noite de futebol, como tantas outras em sete décadas. Lotado, o estádio 19 de outubro não poderia apresentar melhor figura para um confronto de tal importância. Lotado de alvirrubros, que não estavam lá para aplaudir o São Luiz. Ontem, em sua casa, diante de mais de seis mil espectadores, o time ijuiense era hostilizado por uma maioria colorada que não queria saber de apoiar o time da região - estavam lá para ver o poderoso Internacional, adversário da noite, massacrar.

"Já ganhou", afirmava o cântico que alguns dos torcedores da equipe visitante, que pareceu jogar em casa, tentaram emplacar antes da partida. Eram respondidos por vaias que vinham do Pavilhão Social e da torcida Fanáticos, espremida em um canto da geral - os únicos recantos de um 19 de Outubro que não pertencia mais ao São Luiz. Vaias enfraquecidas, que sabiam da impotência do time de Ijuí e, mesmo com uma campanha boa no estadual, temiam por um fiasco, manchando a festa, complicando a temporada. "Já ganhou", repetiam os colorados, com a certeza de quem tinha, à sua frente, o time mais caro do Rio Grande do Sul.

Com pouco mais de dez minutos faltando para as dez horas da noite, soou o apito inicial. Aos poucos, a certeza de vitória ia minguando. O Inter era incapaz de tramar jogadas, não chutava a gol e só criava lances em cruzamentos pouco promissores para a área. O São Luiz, por sua vez, crescia. Defensivista, via, na retaguarda, uma fortaleza liderada pelo goleiro Vanderlei e pelo zagueiro Dirlei, que viveu noite de antologia. Retranqueiro, conseguia conter o adversário, e chegou a mandar no jogo. No primeiro tempo, do início ao fim, as grandes jogadas foram orquestradas pelos são-luizenses. Um surpreendente domínio que teve seu ápice aos vinte minutos, com um pênalti em favor dos locais. Encarregado da cobrança, Alcione, um desastre ambulante, que já havia entregue pontos preciosos em rodadas passadas, desperdiçou a chance - foi sem convicção para a bola, praticamente anunciou o canto em que chutaria e, com um tiro fraco, tornou fácil a tarefa do arqueiro Renan.

Uma chance que não poderia ser perdida. No intervalo, ainda em 0-0, o Pavilhão se desfazia em lamentações pelos comentários dos associados. Ao São Luiz, faltaria preparo físico para resistir, e o domínio se mostraria inútil com a permanência do placar nulo. Mas o time de Ijuí ainda tinha fôlego para um pouco mais. Na metade inicial do segundo tempo, o que seria um início inflamado colorado não ocorreu, e a partida se assemelhou com aquilo visto nos primeiros 45 minutos. E o São Luiz, que já se acostumara com a sua condição em campo, não se intimidou para aproveitar a fraqueza dos badalados Marcão e Orozco e criar novas chances - desperdiçadas, ora na falta de velocidade de Adão, ora com passes errados no momento decisivo.

Até que surgiu uma falta, aos sete minutos da etapa complementar. O sete dos 70 anos, diriam aqueles desesperados por achar predestinação em tudo. O sete do gol, dispensando qualquer simbologia à parte. Uma bola lançada na área visitante, mais uma falha de marcação na defesa porto alegrense e, por fim, uma magnífica tabela de cabeça que terminou com a bola estufando as redes. Já calada há um bom tempo, a torcida do Inter murchou de vez. Estremecia o Pavilhão, enlouquecia a Fanáticos, eternizava-se o momento. Histórico, o São Luiz escrevia com cores vibrantes o seu septuagésimo aniversário. No entusiasmo do 1-0, sob elogios da imprensa da capital, ainda viriam mais algumas boas oportunidades. Só que o passar do tempo também significava o fim da resistência física dos jogadores rubros. Faltaram pernas, e só aí, depois de mais de uma hora de bola rolando, o Inter pôde jogar.

Àquela altura, Abel Braga já sinalizava com três substituições na equipe colorada, e o discurso era de "buscar o empate". Estranho, para um confronto ganho antes de ser jogado. Sem ter como correr, cada vez mais entrincheirado, o onze ijuiense acabou cedendo e sofreu o empate. 75 minutos marcavam os cronômetros quando Guto, um dos saídos do banco, acertou uma cabeçada de sorte, que beijou a trave antes de entrar. Arrastando-se, mas ainda carregando o espírito que o inspirava desde o começo do jogo, o São Luiz resistiu agarrado ao 1-1. Resistiu às cabeçadas, cruzamentos, chutes potentes desferidos pelos oponentes. Resistiu, especialmente, ao último lance do Inter, já nos acréscimos, quando o goleiro Vanderlei, após ser ferido por objetos arremessados pela torcida visitante, mostrou-se um gigante incapaz de temer novas lesões, saltando aos pés dos atacantes rivais para operar o seu último milagre na quarta-feira.

O apito final veio como um alívio aos ovacionados jogadores são-luizenses. Com dignidade, um empate - que poderia ser vitória. Colorados de toda a região estavam lá para ver o show do seu time; alguns chegaram a pagar 120 reais para entrar no estádio. Acabaram assistindo ao São Luiz.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O Peñarol de Lérida

PARIS (18/02/2008) - As camisetas aurinegras lembravam o Peñarol. A princípio, as identificações com o gigante uruguaio parariam por ali: o semi-amador Atlètic Alpicat, de Lérida, mero competidor de uma esquecida divisão regional espanhola, não deveria estender para além das cores qualquer espectro de grandeza. Com a bola rolando, igualmente, o FC Andorra local trataria de apequená-lo.

Para que as expectativas do Alpicat deixassem de ser "vencer" para se transformarem em "remontar", foram necessários apenas cinco minutos. Cinco minutos, um espaço de tempo minúsculo dentro de uma rodada de futebol que começava às 12 horas e terminava às 22, mas todo o tempo necessário para o gol mais belo do dia: de bicicleta, Juli Sànchez venceu a instável defesa visitante para colocar o Andorra em vantagem.

O maior adversário. Nem o gol de Valdivia, empatando aos 15 minutos, pôde mudar a imagem do jogo: inferior, o Alpicat acabaria se convertendo em seu mais temível adversário - o Andorra era um oponente "fácil"; difícil, aos aurinegros, era sobreviver à sua própria defesa. Depois de arruinar suas jogadas uma a uma e ver seu campo constantemente assediado pelos locais, o Alpicat cedeu e fez o trabalho sujo: gols... contra.

Começou aos 31 minutos da etapa inicial, quando Manolo Jiménez cobrou falta para o Andorra e viu a bola desviar decisivamente na cabeça de um defensor antes de encontrar as redes. Um gol que as cartilhas mandam dar ao cobrador, embora a autoria seja, na realidade, dividida com o infeliz zagueiro. Se o 2-1 foi por culpa da infelicidade, o 3-1 não. "Vou fazer uma ponte antológica e salvar esse cruzamento", deve ter pensado o goleiro Torbi, do Alpicat, antes de saltar para agarrar a bola vinda da direita, centrada por Ribo. Acabou socando a pelota contra sua meta... para festa da minguada torcida local - se ficasse parado, provavelmente veria a bola passar à sua frente antes de sair pela linha de fundo. Um desastre. Era o quinto minuto da etapa complementar e remontar já soava impossível, a menos que surgissem dois pontos imprescindíveis para se reagir, no futebol: um herói e um fator desencadeante.

O herói e o gatilho. Ao terceiro gol do FC Andorra, seguiu-se mais meia hora de desespero e iminência de goleada para os aficionados de Lérida, que foram em bom número a Aixovall. Meia hora para que Felipe, do time da casa, visse o segundo cartão amarelo e, a dez minutos do fim, deixasse os andorranos com um a menos em campo. Estava engatilhada a reação. Nos dez minutos faltantes, precisava surgir um herói. E ele apareceu.

Na realidade, já estava determinado desde o primeiro empate aurinegro, mas ninguém notara: Valdivia, autor do único tento dos de Lérida até então, ressurgiria como pendão da garra de sua equipe. Sob seu comando, os antes tímidos companheiros de time também cresceram - deixaram de ser pobres oprimidos, sem defesa, com um 3-1 nas costas, para se tornarem um exército bárbaro que procurava o gol do Andorra como se lá estivesse a próxima cidade a ser arrasada.

No minuto 88, começou a queda de Roma, ou do Andorra. Valdivia recebeu um lançamento na entrada da área, tirou o arqueiro adversário do lance com um toque sutil e ficou com a meta aberta para concluir seu golaço e diminuir a desvantagem. Dois minutos depois, o herói, o líder bárbaro, outra vez apareceu metido entre os defensores andorranos para conseguir um pênalti. 90 minutos e a improvável remontada, pelo menos até o empate, estava à borda de se concretizar.

Quem bateu foi Toni Pascual. O goleiro salvou no primeiro lance, mas aquele não era mais um jogo nas mãos de seu time: os de Lérida jamais deixariam a chance escapar. No rebote, o próprio Toni assinalou o 3-3 definitivo. Na agonia dos minutos finais, comprovou-se que as cores eram mais que casualidade. A raça do Atlètic Alpicat também trouxe à memória o Peñarol dos bons tempos.


Vídeo com o primeiro e terceiro gols do Alpicat (1-1 e 3-3, respectivamente), e o segundo gol do Andorra (2-1)

Um baile em Aixovall

PARIS (18/02/2008) - Não houve espaço para surpresas no jogo mais desigual da rodada andorrana de domingo. O líder Santa Coloma passeou sobre o Casa Benfica - não fez um placar de dois dígitos, como anunciado, mas possuía qualidade para isso.

Nenhum time, seja na maior liga do mundo, seja no Campeonato de Andorra, continua líder invicto, com o melhor ataque e a melhor defesa da competição após 11 rodadas, sem ser muito acima da média. No caso do Santa Coloma (cujo nome oficial é Don Pernil Santa Coloma, por conta do patrocínio de um restaurante especializado em... sim, em pernis!), não foi preciso nem ver a bola rolar para saber o porquê da sua situação na tabela: o time, semi-amador, preparava-se para o confronto de modo profissional, enquanto os jogadores do Casa Benfica apenas rolavam a bola buscando um aquecimento simples. Quando o duelo começou, então, até o menor dos entendidos do esporte poderia identificar o favorito.

Desde o início, o Santa Coloma mostrou um toque de bola superior, uma grande capacidade de tramar jogadas, driblar e atuar com facilidade sobre seus desarrumados oponentes. Não era apenas a melhor equipe da Liga Andorrana: era um time capaz de rivalizar com o FC Andorra, o grande time local que joga os torneios da Federação Espanhola. O Casa Benfica, "equipe de final de semana" formada por amigos portugueses, acostumada às derrotas nesta temporada, ficava contente em dar chutões e sair de campo com uma derrota honrosa. No entanto, até a retranca precisa de qualidade, e era óbvio que a resistência não duraria muito. Em ritmo de treino, o Santa Coloma abriu 2-0 com 13 minutos de jogo. E parou.

O time se deixou relaxar, tamanha a facilidade do confronto, e deu margem ao improvável: ter sua meta, a melhor do campeonato, vazada pelo ataque do Casa Benfica, por sua vez, o pior da competição. Deu margem porque, aos 33 minutos, cometeu pênalti. Os torcedores lusitanos, desatentos ao jogo, vendo seus amigos fazendo o normal (perderem sem fazer gols), demoraram para ver que o árbitro havia assinalado a pena máxima. Quando viram, exclamavam, incrédulos: "mas vão fazer um gol!" Não fizeram. O tiro foi bem desferido, deslocou o goleiro completamente, mas a sorte não costuma acompanhar as equipes fracas. Caprichosa, a bola bateu no meio da trave direita do goleiro, para depois ser afastada pela zaga.

Morria ali a esperança do Casa Benfica em pôr um pouco de pimenta no baile. Dali em diante, sempre passeando em campo, os líderes do campeonato foram construindo mais um placar amplamente favorável. Gols aos 37 (depois de genial jogada na seqüência de um escanteio), 64, 75 e 90+2 minutos fecharam o placar de 0-6. Sobrando na competição, o Santa Coloma só deixa o título nacional escapar se subir no salto durante o quadrangular final.

Clássico?

Observados por rival, jogadores do Engordany (camisetas azuis) comemoram um gol

PARIS (18/02/2008) - No papel, era um clássico. O enfrentamento marcado para as 14 horas, em Aixovall, opunha o UE Engordany e o Inter Escaldes, as duas grandes equipes de Escaldes-Engordany. Um clássico posto em dúvida olhando para a única arquibancada do estádio: vinte e cinco pessoas, ou seriam testemunhas?, figuravam como assistência do duelo. Eis um perigo das ligas amadoras... Fosse num jogo profissional, contudo, o público também seria proporcionalmente pequeno: eram apenas o sexto e o sétimo colocados de um campeonato com oito participantes.

Times fracos, futebol ruim. Tudo aquilo que se imagina dos times andorranos quando se vê sua Seleção nacional sofrer inúmeras goleadas foi confirmado por Engordany e Inter. Mais pelo Inter, repleto de jogadores fora de forma e que foi a campo com 10 derrotas em 11 jogos: muitos dos seus atletas davam sinais de desconhecer o esporte que estavam praticando. Mesmo não sendo excepcionalmente melhor, o Engordany passava a vaga sensação de que sabia, no mínimo, que devia fazer a bola passar da linha fatal adversária. O que não sabia era como atingir o objetivo.

Um festival de chutões, balões, lançamentos para a lua, e uma etcétera de lances não muito melhores se desenrolou sobre o gramado sintético. Os gols, como não poderia ser diferente, acabariam vindo todos em lances de bola parada. Aos 26 minutos, Martínez adiantou o Engordany no marcador ao converter em gol um tiro livre direto. Já no segundo tempo, ainda com o Inter Escaldes plenamente dominado pelos azuis, viria o 2-0, com oitenta segundos de jogo: após um escanteio, a bola sobrou na entrada da área para o ofensivo do Engordany chutar forte e assisti-la explodir no travessão, cair, e quicar no campo. Se o quique foi dentro ou fora do gol acabou sendo uma dúvida que nem o árbitro assistente tirou, já que Arias, como um foguete, chegou empurrando a sobra para as redes, confirmando o tento.

Um gol do Inter, suspeitava-se, só poderia vir numa falha do Engordany. Terrível, o time dono do segundo pior ataque do campeonato era incapaz de criar perigo. Mas a falha veio, e o gol de honra - de honra, sim, porque se não foi goleada, continuou sendo um fiasco - foi convertido por Pablo Paredes no minuto 87, após o goleiro oponente soltar, em seus pés, uma bola que tinha dominada. 2-1 para o Engordany, placar final. Uma vitória que pouco vale, já que o time não escapará do quadrangular de rebaixamento. Mas uma vitória em clássico, ao menos no papel.