segunda-feira, 12 de maio de 2008

Baile e tortura

Algo como uma final antecipada, o superclássico uruguaio nada teve de equilibrado. Só o Peñarol jogou. Com absurda maioria nas tribunas, o que se viu no Centenário foi um massacre completo: 4-2, liderança, olé's e notável superioridade.

Uma galinha inflável azul, vermelha e branca flutuava pela parcialidade aurinegra, combinação presente em pelo menos 70% do estádio. A cantoria mostrava o tamanho da confiança dos apaixonados do Peñarol, que enfrentariam um rival golpeado pela eliminação na Copa Libertadores. Balões amarelos cobriam a totalidade do primeiro e do terceiro anel. No segundo, globos negros. Não teria mesmo como dar errado.

Em campo, os efeitos da euforia. Avassalador, o carbonero se tocou para o ataque. Era vencer o superclássico e encaminhar a taça, já que a distância para o Nacional estaria garantida e o River Plate não mostra nada do futebol que encantou o país. Aos cinco minutos Antonio Pacheco, remanescente do segundo quinquenio, achou o ângulo numa cobrança de falta que provavelmente trouxe Bengoechea na memória dos torcedores.

O segundo, esse histórico. Monumental trama de Rúben Olivera pela direita, enfim honrando a jaqueta dez e o investimento. Forte definição e golaço. El Pollo foi certamente o melhor o campo. Pasmo no seu arco, Salgueiro incendiou o clássico ao falhar no desconto de Fornaroli. A reação foi imediata, já que Carlos Bueno, depois de perder uma dúzia de chances, fez 3-1 com toque de matador. Bertolo diminuiu nos acréscimos, em nova omissão do novato arqueiro do Peñarol.

Os cinco golos e o 3-2 ilusionaram muitos a acreditar em um segundo tempo disputado. Mas foi só a continuação do baile, que antes só não aparecia nos números. Olivera, Estoyanoff, Bueno e Pacheco seguiram coordenando as ações, e os tricolores permaneceram tontos na roda. Rúben marcou o quarto, merecedíssimo. O camisa 10 diz ter sonhado com dois gols.

Sem chance no marcador, sobrou ao bolso apelar. Charly Good enlouquecia a todos com fintas espetaculares, e o inevitável aconteceu: violência e três tarjetas rojas para os do Parque Central. Com tamanha vantagem numérica, o Peñarol poderia ter amassado, pisado na cabeça, aplicar 8-2. Mas preferiu a humilhação lenta, sutil. Toques laterais e intermináveis olé's em um Centenário que já era inteiramente amarelo e negro.

Tortura para lavar a alma. Larrionda preferiu economizar acréscimos, e assim cartões para o Nacional e voz para os torcedores do Peñarol. Se acabava um dos maiores bailes dos últimos tempos. E agora, que venha a taça.

2 comentários:

Alvaro Cabrera disse...

"E agora, que venha a taça." Ojalá que así sea Iuri.
Saludos.

luís felipe disse...

muito bom. Melhor que meu texto no Impedimento.