Domingo, 19 de Julho de 2009

Assim caminham os “simpáticos”

PORTO ALEGRE – O futebol profissional PEQUENO da capital gaúcha é defendido por três PENDÕES. O mais recente é o Porto Alegre do Lami. Que virou centro de investimento para o EMPRESARIADO esportivo e DINAMITOU as chances de se popularizar. O mais glorioso é o Cruzeiro. O time do Estrelão já foi até campeão estadual, o único dos capitalinos chicos remanescentes a exibir tal COROA, mas milita há mais de trinta anos na Segundona, e ainda sorri CONSOLADO ao lembrar de feitos que o tempo afasta inapelavelmente. O mais constante é o São José.

Alguém que acompanhasse os Campeonatos Citadinos de Porto Alegre na primeira metade do século passado duvidaria que o tal Zequinha sobrasse nessas condições. O São José jamais ganhou o torneio da cidade, foi vice-campeão só duas vezes (com intervalo de ONZE anos entre elas – 1937 e 1948), e tinha o pouco alentador HÁBITO de sofrer CONTUNDENTES goleadas da dupla Gre-Nal. Ocorre que, desde 1998, o time não saiu mais da primeira divisão do Estado. Suas doze temporadas consecutivas na elite, treze se considerarmos a disputa de 2010, na qual o clube está garantido, perfazem a maior série de aparições de um quadro pequeno de Porto Alegre em todos os tempos.

Seguindo o hino rio-grandense para mostrar valor e constância na ímpia e injusta guerra contra os dois primos mais ricos da cidade, o São José dos resultados SATISFATÓRIOS conquistou os investimentos da empresa do presidente da FGF. Passou a trazer jogadores renomados do cenário local, a exemplo de Sotilli no Gauchão deste ano, e o acanhado Estádio Passo d’Areia se ajeitou como PEITOS CAÍDOS que recebem implantes de SÍLICA. Apesar de as campanhas no estadual não serem maravilhosas e as goleadas sofridas diante de Gre e de Nal continuarem como nos velhos tempos, o Zequinha de agora se apresenta até em torneios nacionais. Em 2009, joga a Série D, onde vinha com duas vitórias nas duas primeiras rodadas, antes de ontem.

O mundo FELIZ do São José só não existe quando se fala do slogan que o clube martela EM VÃO nas nossas mentes – “o mais simpático do Rio Grande do Sul”. Quiçá seja o mais simpático em seu QUINTAL, essa Porto Alegre que matou a maioria dos seus times pequenos históricos, mas no resto do Rio Grande o que há em relação ao Zequinha é bem distante da SIMPATIA. Nas arquibancadas interioranas, fala-se do time sem torcida da capital, que rouba vaga de alguém que lotaria seus estádios longe de Porto Alegre. Não estão o Pelotas, o Farroupilha, o Bagé, o Guarany, e mais tantos outros CONFINADOS na Segundona? Entonces. Se caísse, o time do Passo d’Areia não feriria corações, não derramaria lágrimas e nem lançaria cogitações de suicídio. Enfim, não faria falta, porque no fim das contas o futebol é de ninguém além do torcedor.

E o Zequinha CAÇA torcedores. Tirando os antigos, algum que outro morador do bairro que se identifique acima da média com o clube, o que há são os ESPORÁDICOS. Existem iniciativas de MINORIAS, como uma barra – é fenomenal como esse estilo deu CRIAS pelo Estado –, e INAUSENTÁVEIS faixas pregando “Anti Grenal”, outra moda que se proliferou pelo Rio Grande. Mas o maior pedaço das cadeiras é ocupado por empresários, por parentes de jogadores. E com eles dá para se chegar, com algum afinco, a uma centena de pessoas no estádio, nas partidas normais. Era mais ou menos isso que havia ontem nos degraus do Passo d’Areia, quando o São José SALTOU a campo para enfrentar a melhor ENCARNAÇÃO brasileira do futebol levado como máquina de movimentar dinheiro: o ex-Malutrom, ex-J. Malucelli e atual Corinthians Paranaense, por uma parceria com o homônimo paulista.

Ou simplesmente, na frase de um PRESENTE ao jogo (“torcedor” pode ser exagerado), o time que “não tinha camisa e teve que roubar do Corinthians de São Paulo pra entrar no campeonato”. De qualquer forma, os vice-campeões do Paraná em 2009. E um choque de líderes. Antes do sábado, o São José ponteava o Grupo 10 da Série D com seus 6 pontos, sendo o Corinthians segundo colocado com 4. Atrás deles, um Pelotas que só pensa na Segundona Gaúcha, dono de 1 ponto, e o fraquíssimo Brusque, que não pontuou nem marcou gols. Uma vitória praticamente botaria o Zequinha na próxima fase.

A próxima fase, parte do ESPETÁCULO de formulismo dado pela CBF: dos 40 clubes que começaram na Série D, 20 passarão de fase (são dez grupos de quatro equipes, passando os dois melhores – uma chave na verdade tem apenas três times, por conta da desistência de TODOS os clubes acreanos habilitados a entrar na Série D). A partir daí será mata-mata. Os 20 virarão 10, que virarão 5 e, como eliminatórias não fecham com números ímpares, quando tivermos esses 5 finalistas encararemos um REVIVAL dos emaranhados campeonatos de décadas passadas. A eles, JUNTAR-SE-ÃO os três eliminados com melhor campanha até ali, para fechar as quartas-de-final. Só o SAUDOSISMO pelas antigas fórmulas enroladas feito ROCAMBOLE justifica isso num campeonato em que o número de participantes permitia que se armassem oito pentagonais, classificando 16 times à etapa seguinte.

SUBMETIDOS ao sistema, os clubes golpeiam-se uns aos outros ainda meio perdidos em relação ao seu futuro. O TRANSTORNO dos atletas do Corinthians Paranaense, fortalecido pela viagem de ônibus que o time fez para chegar a Porto Alegre, restou claro quando o capitão da equipe adentrou o gramado do Passo d’Areia carregando uma CAIXA DE BOMBONS (?) para presentear ao líder do Zequinha. Fontes obscuras afirmam que o clima nascido no círculo central na hora de lançar a moedinha incluiu troca de telefones. Não confiamos nelas. Ao jogo, ao jogo. No momento em que o primeiro pontapé foi desferido, até as pessoas que estavam nas quadras cobertas localizadas atrás de uma das goleiras (pertencentes à “Zequinha Sports”) deram uma parada para observar o que acontecia. Logo concluíram que valia mais a pena voltar ao SEU jogo.

São José e Corinthians tardaram a pensar em coisas SÉRIAS. Gastaram o primeiro tempo DISCUTINDO A RELAÇÃO com os gols, e desperdiçaram algumas poucas chances que não prometiam. Sem que isso significasse vitória iminente, o São José criou mais do início ao fim. Aos 64 minutos, numa bola que escapou pela direita, Jéferson deu um corte na marcação e EMBUCHOU o gol porto-alegrense. Da vantagem gaúcha nasceram os maiores perigos na tarde. Doze minutos após o gol, um corintiano-paranaense empurrou o goleiro do São José com bola e tudo para dentro do gol. Uma falta evidente e assinalada pelo juiz, o que não impediu que o jogador da equipe visitante saísse comemorando CÉTICO, para então constatar a anulação do tento e reclamar com a mais convicta das indignações. Nos acréscimos, um milagre do arqueiro do Zequinha, em desvio do ataque visitante na entrada da pequena área, assegurou o 1 a 0.

A vitória mantém os 100% de aproveitamento do São José, com 9 pontos em três rodadas. Encerrado o primeiro turno, o time lidera com cinco unidades a mais que o concorrente mais próximo, e só será eliminado se perder meio elenco numa QUARENTENA por GRIPE A. Do contrário, a saga do pequeno time de Porto Alegre na Série D continuará nos BEÓCIOS mata-matas de vinte equipes. Viesse de um interiorano, seria de provocar SENSAÇÕES. Mas é de um capitalino sem APELO POPULAR. E hoje é dia de Gre-Nal. Na capital, depois do jogo no Olímpico, nem a poeira das ruas vai querer saber da caminhada dos “simpáticos” do Passo d’Areia.

Sábado, 18 de Julho de 2009

O Liverpool de Elías Figueroa

Ou "O jogo que poderia ser a decisão de um Mundial Interclubes"

MONTEVIDEO - O arborizado e bem cuidado Estádio Luis Franzini recebeu, na tarde de um sábado em que uma neblina inescapável ATINGIU Montevideo, o ENFRENTAMENTO entre Liverpool e Racing Club, na abertura da Liguilla pré-Libertadores-y-Sudamericana. NEGRIAZULES e CERVECEROS duelavam por uma dulcíssima utopia: alcançar, pela primeira vez na história, uma vaga para a maior competição do continente e DESAFIAR o recente DOMÍNIO americano do Estudiantes de La Plata.

A cancha do Defensor, situada em meio ao Parque Rodó e nas cercanias do Rio da Prata, foi escolhida porque a Liguilla normalmente garante CAMPO NEUTRO para os seus duelos. Normalmente porque a PEQUENA LIGA reserva algumas exceções inexplicáveis. Não foi o caso de hoje. As platéias do Franzini foram destinadas ao Liverpool, enquanto as tribunas quedaram para os lados de La Academia. Estratégia para dividir quase que igualitariamente as MULTIDÕES enamoradas pelos quadros menores de Montevideo.

Os racinguistas chegaram mais cedo. Esparramaram-se pelo Franzini, ergueram os seus trapos e tingiram de verde e branco a arquibancada violeta que costuma abrigar os ADEREÇOS do Defensor Sporting. Por instantes, os acadêmicos foram maioria. Mas depois do hino nacional uruguaio, EVOCADO no estádio em razão do feriado nacional por flamantes CAIXAS DE SOM, os mandatários do Belvedere assumiram a condição de quase-locais. Quase, pois a partida era Liverpool – Racing, e não Racing – Liverpool. Levantaram as BARRAS atrás de um dos arcos e ocuparam boa parte dos lugares centrais da platéia. Não eram mais de seiscentos, mas grande parte exibia ARTEFATOS em azul e negro. Há AMOR e SERIEDADE no TORCER para o Liverpool.

E havia espectativa para o confronto porque nem Liverpool e nem Racing são presenças constantes e esperadas na Liguilla. O primeiro logrou a classificação ao vencer o River Plate como visitante e com um jogador a menos na última rodada do Clausura. Assegurou a vaga com um sorriso sofrido de quem atravessou uma temporada irregular. Já o Racing obteve a ESTADIA entre os seis quadros que mais pontuaram no Uruguai na sua primeira temporada de volta à elite. O elenco que ATOROU adversários diretos pelo acesso e também quadros INOFENSIVOS, como o HURACÁN BUCEO, na segunda divisão, foi mantido, e o resultado é a participação na Liguilla diante de uma torcida esperançosa.

Ao me deparar com as escalações, JOGUEI o favoritismo para o Liverpool. Tudo por dois nomes de certa FAMA. Marcel Tejera, meio-campista de temporadas no Nacional e de passagem pouco marcante pela seleção uruguaia e Elías Figueroa, atacante que mês a mês aparece como COBIÇADO pelo imparável MERCANTILISMO europeu. Do Racing, apenas os vocábulos do nome de LÍBER QUIÑONES soavam familiares. Muito porque Quiñones foi um dos maiores goleadores da temporada uruguaia e eu sabia disso. ILUDIDO com a possibilidade da tal PLATÉIA (o acordo ortográfico está sendo desprezado em terras orientais) ter alguma COBERTURA que FREASSE os CHUVISCOS que caíam no Rodó, ingressei no lado negriazul – o que incluía, usando de certa lógica, torcer para o Liverpool.

Os primeiros minutos serviram para DESMISTIFICAR um dos mais frequentes estereótipos do futebol uruguaio. Quem aguardava por uma infindável correria, viu o toque de bola dar um ritmo lento ao confronto. Pode ser uma característica RESTRITA de L'pool e Racing. Ou não. Fato é que, com Tejera, o Liverpool rodava o balão com paciência por vezes irritante até resolver atacar a meta do arqueiro Contreras. O Racing mostrou um onze mais ágil e com vocação ofensiva, mas que tampouco apelou para a estratégia da CARRERA imparável.

Aos quinze do primeiro período, os verdes debutaram os cordões da Liguilla. Tento do zagueiro Brasesco, que completou com perfeição o centro que partiu da banda esquerda. Bastou para que os semi-ingleses, antes elogiosos quanto ao bom desempenho na temporada, adotassem o tradicional comportamento CORNETEIRO de VIVER. O volante “El Pato” Sánchez foi a maior das vítimas. Após o gol, Pato invadiu a grande área para um cruzamento perigoso. Uma raridade, ao menos segundo um RESPEITÁVEL apaixonado pelo Liverpool, que ostentava camiseta oficial e um GUARDA-CHUVA com as cores do clube: “Pato Sánchez entrou na área do adversário depois de sete anos de Liverpool”.

No decorrer do encontro, a frase sofreu variações. E o tempo de Pato no clube crescia. Quando acertou um lançamento, “Pato fez a primeira jogada de profundidade em oito anos de Belvedere”. O pobre Pato, enfim, até fazia boa partida. O Liverpool é que se complicou mais quando Pezzolano, jaqueta dez nas espaldas e muita BALACA na ALMA, foi expulso aos quarenta minutos. Apesar da desvantagem numérica, o clube precisava de ao menos um empate para que a DESILUSÃO não INUNDASSE o sonho copero. Não fosse a intranscendência do futebol do Racing no complemento, pontuar na estreia estaria muito distante da realidade do Liverpool. O 1-0 parecia definitivo para La Academia, que deixou de atacar com a AGRESSIVIDADE necessária os dirigidos por Eduardo Favaro. O Liverpool, por sua vez, transpirava horrores para defender com segurança e buscar o empate com dez homens na cancha.

E a recompensa DIVINA chegou, para delírio dos NEGROS DE LA CUCHILLA. Elías Figueroa, de impressionante segundo tempo, arrancou depois de ser lançado por Tejera. O toque que deslocou Contreras justificou a admiração do torcedor pelo futebol de Elías. O Liverpool garantiu o 1-1 debaixo de frio, névoa e garoa. Apesar da qualidade do Racing e da expulsão de Pezzolano. (E de “Pato” Sánchez, quiçá.) “¿Casi uma hazãna, no?”, como bradou o mesmo hincha.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

O desalinho dos astros é pouco para o Glória

PORTO ALEGRE – Um torcedor nas arquibancadas do Parque Lami parecia seriamente indignado. Se houvesse cobrança de ingressos, é possível que o cidadão fosse até as bilheterias do estádio pedir o dinheiro de volta. Diria ter sido enganado. Anunciaram-lhe o Glória como sendo “um ABISMO”, no sentido da grande qualidade do time vacariano, e não era isso que ele via em campo.

Quiçá fossem os astros desalinhados. Algo a ver com PLUTÃO, que nem planeta mais é, entrando na casa de Saturno e fazendo ALGAZARRA. E os demais corpos celestes observando a balbúrdia SOBRESSALTADOS. Sem saber se deviam esperar a briga aumentar ou imitar futeboleiros, ensaiando um deixa-disso. Os desacordos astrológicos claramente se refletiam no futebol do Glória, que depois de entrar em campo levemente animado, com um ESTILOSO uniforme negro e dourado, desempenhou uma apresentação PAUPÉRRIMA no primeiro tempo do duelo contra o Porto Alegre.

Virou um “jogo de xadrez”, na definição batida que alguns repórteres de campo usaram. Estudado, com ações calculadas e, naturalmente, contando com cavalos (para dar carrinhos) e torres (desviando bolas altas). Um jogo de xadrez pode liberar as mais altas doses de substâncias ORGÁSMICAS para alguém que esteja diretamente envolvido nele, dependendo do que aconteça no tabuleiro, mas para o público sempre será uma lenta mesmice à espera de uma definição que parece nunca vir. Nas arquibancadas ocupadas em grande parte por torcedores “com média de idade de 60 anos pra mais” (nas palavras dos próprios), os bocejos proliferavam. Só eram cortados por eventuais berros mais vigorosos que rompiam o silêncio.

Levando no BAGAGEIRO do ônibus que excursiona pelo Rio Grande um CAIXOTE com a maior coleção dessas RELÍQUIAS que a tabela da Segundona conhece por VITÓRIAS, o Glória não podia ser tomado exatamente como fraco. Estava, porém, buscando o ataque com pouca insistência para quem ostentava tamanho retrospecto. Como se tivesse todas as tardes do inverno à disposição, o time de Vacaria, das 18 vitórias e 7 empates em 26 pelejas, jogou um futebol muito parecido ao que deve ter apresentado na sua única derrota em todo o certame – contra o Panambi, em 30 de abril. O técnico Lisca, do time da capital, atribuiu o desinteressante primeiro tempo ao “muito respeito dos dois lados”.

Se é assim, esse respeito não é bom e a gente não gosta, para mudar o bordão. Poucos jogadores mostraram algo mais animador num meio jogo com lances de ataque mais raros que BACALHAUS no rio POTIRIBU. Entre esses seletos, Marcelo Müller, do Glória. No intervalo da partida um sujeito com pinta de empresário questionou a reportagem do Futebesteirol sobre quem seria aquele moço da camisa 11 no time de Vacaria, recebendo de volta o nome. Caso Marcelo Müller apareça no futebol do VIETNÃ em breve, sabem quem culpar. Para a etapa final, Lisca efetuou uma troca de GABRIÉIS: saiu Gabriel Davis, entrou Gabriel Schacht, e com prenomes iguais se esperava uma AGUDEZ diferente.
Nem tanto pela entrada de Gabriel no lugar de Gabriel, mas inegavelmente pelo novo pensamento, o segundo tempo teve o que o primeiro fez questão de se ESQUIVAR de ter. Como os astros permanecessem fora do local correto, o Glória sofreu mais, e aos 52 minutos saiu atrás na contagem. “Se bater mal eu vou pegar, negrão”, provocou o goleiro Marcelo Pitol, do time de Vacaria. E repetiu: “se bater mal eu pego”. O negrão não bateu mal. De pênalti, o folclórico Adão, centroavante e capitão do Porto Alegre, determinou que nos minutos seguintes o quadro do Lami APALPARIA os três pontos da vitória, metendo o gol do 1 a 0 – e que a única chance de Pitol pegar a bola seria no fundo dos seus cordões.

Ao gol seguiram-se outras oportunidades sonhadoras do Porto Alegre. Numa bola cruzada à área vacariana, um daqueles puxões de camisa que nunca rendem qualquer marcação exaltou o massagista do time da casa. Voltando de um TRATAMENTO atrás da goleira, passou pelo bandeirinha e pediu um novo pênalti. “Não preciso de ajuda. Eu não te ajudo a fazer massagem”, rebateu o mediador. Nem o Glória precisava de ajuda para recuperar a ESTIMA dos seus e honrar os números. Sem necessidade de longas análises FREUDIANAS, a marcação endureceu e o time foi, aos POQUITOS, mudando a zona de ação do seu próprio campo para a metade ofensiva do gramado. Antes era o Porto Alegre quem jogava de forma mais violenta - num espaço de tempo breve, contudo, já se acumulavam jogadores porto-alegrenses atirados ao chão, ALVEJADOS por entradas mais duras, e até meiões rasgados eram visíveis nas PATAS dos representantes do time da casa.

No fim do jogo, um indignado Adão putearia os atletas que “não jogam merda nenhuma (sic) e passam o tempo inteiro dando porrada”. O perigo aumentava para a integridade física dos capitalinos e para a invencibilidade da meta local. Diante dos olhos do nativista JOÃO DE ALMEIDA NETO, presente no Parque Lami, o valente quadro da PORTEIRA do Rio Grande do Sul, alcunha de Vacaria, pressionou até o limite. Fossem o Glória fogo e o Porto Alegre água, estes já estariam entrando em ebulição quando, aos 72 minutos, o zagueiro Jovany aproveitou um lance confuso na área porto-alegrense e anotou o 1 a 1. Batendo, porque é assim que se joga uma Segundona quando se quer subir, a equipe visitante tomou conta do jogo e não foi ameaçada depois do empate. Perdeu a liderança do grupo para o Cerâmica, que superou o lanterna TAC por 1 a 0, mas segue imbatível.

Nem o desalinho dos astros pôde com o Glória. E o Porto Alegre, fora da zona de classificação ao acabar o dia, por fim caiu no abismo.

Fotos minhas. Praticamente exclusivas, já que só havia dois fotógrafos presentes e o outro não parecia muito empenhado.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

O dia em que Ronaldo (não) jogou contra o Grêmio

PORTO ALEGRE – Os antigos contam uma história especial do Santos de Pelé jogando em Porto Alegre contra o Grêmio. Foi daquelas partidas em que há mais gente que diz ter presenciado do que consta no público total do jogo. Afirmam que durante aquela jornada o goleiro santista ficou sem condições de seguir e O REI abdicou da camisa 10 para atuar no arco. Ao ir ver o Corinthians de Ronaldo jogar no Olímpico neste domingo, eu esperava sair dali com algo para também relatar aos meus netos, diante de uma lareira, numa futura noite chuvosa com o vento frio GEMENDO lá fora.

Não que eu esteja comparando Ronaldo e Pelé. Ronaldo é branco e mais gordo. Mas as situações são parecidas. O Corinthians por si só tem jogadores acima da média geral, como tinha aquele Santos, guardadas todas as proporções, mas a EUFORIA COLETIVA só surge nos locais dos seus jogos quando os maiores CHAMARIZES estão em campo. Um GÊNIO já diria que o Santos de Pelé sem Pelé não é o Santos de Pelé, afinal. O Corinthians de Ronaldo sem Ronaldo... etcétera. Pois o 9 corintiano vem superando os DESCRENTES mais uma vez a base de gols sem fim, ainda que permaneça com um pouco saudável SOBREPESO.

Na rodada anterior à de ontem, o centroavante teve a sua noite mais bem-sucedida no ano. Meteu um hat-trick nas redes de um pobre Fluminense que SUCUMBE como se quisesse pagar suas dívidas com a SEGUNDA DIVISÃO e inflou o peito o bastante para fazer um volume comparável ao da pança, EMPARELHANDO o perfil. Ontem chegava leve. Espiritualmente, pelo menos. E nem os repetidos gritos de “VIÚVO” que vinham das arquibancadas, em referência à morte do travesti com quem o centroavante andou tendo um AFFAIR, abalavam o maior artilheiro das Copas do Mundo.

Os mais de trinta mil gremistas presentes só viam Ronaldo no time do Corinthians. Ronaldo e Mano. Agradeciam a ambos pela vitória do time paulista sobre o Inter na final da Copa do Brasil. Porém, vaiavam o primeiro. O camisa 9 do Timão foi o jogador mais APUPADO de toda a escalação visitante. Ronaldo, o hostilizado. O técnico Mano Menezes, por sua vez, foi o único celebrado na lista de nomes corintianos. Recebeu aplausos que Celso Roth, nessa passagem pelo Grêmio em 2008 e 2009, jamais ouviu. Fez por merecer. No entanto, sua única ação visível por quem estava nos degraus do Olímpico foi um aceno na direção das sociais e das cadeiras cativas. Mano, o da Batalha dos Aflitos, da improvável campanha no Brasileiro de 2006 e do vice da América no ano seguinte, estava do outro lado. E a princípio queria vencer.

E podia vencer bem. Tinha nas mãos o mais recente campeão nacional do Brasil. E tinha o maior jogador em atividade no país. Era como se os vinte e um outros personagens sobre o campo estivessem jogando em função dele. Antes de ser um jogo de futebol, tratava-se de uma disputa MECÂNICA em que o objetivo real era fazer a bola chegar em Ronaldo, porque a partir dali as coisas se resolveriam – ou impedir isso. Aos nove minutos a pelota chegou onde interessava ao Corinthians. O lançamento na área gremista encontrou a cabeça do centroavante, que desviou o esférico para as redes, mas o resultado não foi um gol. Aos nove minutos, o 0 a 1 corintiano não existiu. O cartão amarelo para Ronaldo, por continuar um lance parado por impedimento, sim.

E se vencer a partida dependia, resumidamente, de fazer a redonda chegar ou não no redondo, o Corinthians perdeu o jogo depois dos nove minutos. Durante o resto do primeiro tempo, a defesa do Grêmio, uma defesa desfalcada do lesionado Réver, ANONADOU Ronaldo. E bastaria o primeiro tempo. O tricolor não sofreria maiores ameaças e, além do gol inválido, a melhor chance do Corinthians nos quarenta e cinco minutos iniciais também seria num lance parado por impedimento. Na outra ponta, realizou a sua melhor partida de 2009. Errou pouquíssimos passes, envolveu o Corinthians e empilhou gols COM OS TRÊS RESERVAS. Alex Mineiro, que substituía o gripado Maxi López, fez o primeiro aos 16; Jonas, que entrou no lugar de Herrera, suspenso, ampliou aos 22, e Rafael Marques, zagueiro que cumpria o papel de Réver, fez o jogo virar uma QUASE-GOLEADA de 3 a 0 no minuto 37, com um peixinho ESTREMECEDOR.

Qualquer coisa, de uma roubada de bola a um chute fraco ou um lançamento mais longo, dava certo para o Grêmio iluminado da primeira metade do jogo de domingo. Até a estupidez AFLORAVA no lado oposto, como na expulsão do zagueiro corintiano Jean por ofender o árbitro. Tcheco, tão apagado nas partidas da Libertadores contra o Cruzeiro, RESSUSCITOU com passes precisos e jogadas decisivas para a conversão de dois gols. O apito que pôs fim ao primeiro tempo não foi dos mais lamentados na década, mas poderá ser lembrado como o ato que matou uma das atuações mais perfeitas do Grêmio na era pós-2002. Na saída de campo para os vestiários, com 3 a 0 nas costas em apenas três quartos de hora, Ronaldo caminhava no OBLÍVIO, solitário e pouco assediado. Só os gremistas, muitos dos quais temiam o centroavante antes da partida, lembravam do craque para provocar um pouco mais.

O segundo tempo Ronaldo tirou para reclamar da arbitragem. Numa dessas conseguiu cavar um cartão amarelo para Léo, terminando de minar a zaga do Grêmio, que ficou com todos os seus homens a uma falta mais dura da expulsão. Adiantou pouco. O Corinthians continuou sendo pressionado, e a quase-goleada não perdeu o quase porque os tricolores, tão afinados antes, recordaram o seu passado recente de gols perdidos de forma incrível. Apenas no fim da partida um chute mais perigoso, que não foi de Ronaldo, fez Victor voar – e desempenhar uma defesa com BRILHO. O resto do tempo teve o Grêmio administrando e o Corinthians entregue. Os acréscimos de dois minutos, quase todos consumidos com trocas de passes dos gaúchos ao som do “olé” da torcida, sintetizaram a etapa final que não mudou o 3 a 0.

Aquela história do Pelé jogando contra o Grêmio, a do jogo em que ele teria ido para o gol, deve ser verdade. São vários os relatos sobre aquele dia, que também afirmam que o Rei não foi vazado. Mas eles só coincidem até aí. O que aconteceu depois varia. Alguns contam que o jogo estava em 0 a 0 e assim permaneceu, e o placar vai aumentando de acordo com o TESTEMUNHO. Os mais radicais dizem que o Santos levava 4 a 0 do Grêmio, Pelé foi pra baixo das traves, fechou o arco e, ao fim da partida, os paulistas celebravam uma remontada vitoriosa de 4 a 5, com direito a gol de pênalti do próprio Pelé. Sobre o dia em que Ronaldo jogou contra o Grêmio em Porto Alegre dificilmente haverá tanta DISCORDÂNCIA daqui a uns quarenta ou cinquenta anos. Quem esteve no Olímpico talvez esqueça o tamanho do massacre, acrescentando um ou dois gols na conta do Grêmio, mas a respeito de Ronaldo todos dirão que “não jogou nada”.
Fotos minhas.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Os aquíferos dos quais não jorram gols

Choveu. Momentos épicos pedem chuva. Momentos trágicos também. Até a felicidade pode ser AVULTADA pelas gotas que o céu manda. Pensando bem, a chuva se enquadra em qualquer cenário. Lluvia copera y nada más. Não choveu na hora do jogo, mas choveu no meio de semana em Santa Maria e o gramado dos Eucaliptos se transfigurou como um horizonte de LODO. Alguns dos melhores jogadores da GALÁXIA diriam se tratar de um campo impraticável. Estúpidos. Era ideal. Para a Segundona, perfeito. Para estrear na cobertura dentro de campo, ainda mais.

Fora da escala para fazer a transmissão do combate entre o Riograndense e o Panambi, pela abertura da terceira fase da Segundona ontem, eu e o Iuri, devidamente encrachazados, PENETRAMOS no campo para fazer os registros fotográficos. E a palavra, com todas as ambiguidades possíveis, não poderia ser melhor. Pois a identificação da rádio é pouco mais que um monte de letras dotadas de ALGUM SENTIDO para alguém que ainda não se associou à ACEG. Ficar em campo, mesmo depois de entrar no estádio pelo acesso da imprensa, é um ato forçoso que exige BOA VONTADE do delegado da Federação, o ORÁCULO que impera sobre todos os atuantes na partida e ainda faz as vezes de senhor onipotente dos esféricos que rolam (ou não rolam, no caso DAQUELE gramado) pelo chão. Mas o fato de as pelotas serem INTOCÁVEIS é uma história que não me cabe contar.

Como um correspondente de guerra que pode sofrer com respingos de NAPALM mesmo sem ter a ver com a história, de dentro do campo convivíamos com a possibilidade constante de sermos atingidos por algum pelotaço ou coisa mais violenta. A certa altura do primeiro tempo um PANAMBIENSE SIN FRENOS meteria um carrinho na bola e, com o atrito reduzido pela relva molhada, seguiria eternamente em DESABALADO DESLIZE se não fosse o choque com o muro. Com o muro e quase com dois repórteres, que saíram do caminho a tempo de evitar O PIOR – pior para eles, claro, pois até o muro deve ter sentido mais a dividida, já que o atleta do Panambi se levantou imediatamente, tão (ou mais) pronto para a peleia quanto antes.

Repórteres que, experientes em jornadas daquele tipo, foram a campo com GALOCHAS. E eu de tênis. FAZENDO QUESTÃO de não procurar o caminho seco, indo bem para o meio das poças, porque a glória do PERIODISMO é voltar para casa com os PISANTES embarrados. Suja, a terra encharcada dos Eucaliptos. E isso melhor puderam constatar os jogadores de linha do Riograndense. O branco que o time insiste em trajar em pouco tempo mudava de cor. Os representantes do time de Santa Maria, ao primeiro contato com o SOLO SAGRADO, convertiam-se em dez loucos com cada pedaço de pano de suas vestes TINGIDO de marrom.

Se o CÉSPEDE virado em MORRETES de lama rendia as melhores fotos e reconstituía o ambiente de batalhas antigas, o estado do campo pouco contribuía para que gols fossem marcados nesses tempos em que até atletas da segunda divisão gaúcha OUSAM calçar chuteiras de cores que não sejam o NEGRO ABSOLUTO. Assim, a FRÓTOLA que é um duelo de Segundona teve tudo de guerra – e, portanto, muito de futebol –, menos os tiros certeiros na cabeça (ou no arco) do adversário. Riograndense e Panambi acertaram cada um a trave uma vez, tentaram algumas outras ESCARAMUÇAS, mas foram consideravelmente pobres na criação.

Pelo menos até onde eu vi. Saí dos Eucaliptos aos 55 minutos de partida. Fui barrado por policiais diante de um portão ABERTO e indicado a sair por um que estava fechado a CORRENTE e CADEADO. Sem explicação para a incongruência, pedi para o cidadão que cuidava da chave abrir o pórtico e deixei o estádio. A primeira vez que abandonei uma partida antes do seu final. Precisava voltar para casa a tempo de pegar o começo da transmissão televisiva do jogo entre Pelotas e Brasil de Farroupilha, o outro desta chave, adquirindo EMBASAMENTO TEÓRICO para tecer um comentário a respeito no programa deste sábado.

A análise dos futuros adversários do Riograndense, uma pauta PARIDA na reunião do dia anterior. Para não perder as escalações – quem precisa saber mais além de Sotilli no Pelotas e DIONATTAN (e jamais Jonathan) no Brasil? –, percorri a Avenida Rio Branco tentando ser mais rápido que o ímpeto dos torcedores Periquitos para pedir Alfinete no time cada vez que um jogo se complica. Andaram implorando por Alfinete desde o intervalo, e o atacante chegou a entrar em campo depois que parti, mas sobre o AQUÍFERO dos Eucaliptos nem os mitos fizeram nascer gols naquela quinta-feira. O Panambi, que submetera o Riograndense a uma das suas únicas quatro derrotas no campeonato, sorriu de novo contra os santa-marienses e regressou ao VALE DAS BORBOLETAS AZUIS com um bom empate por 0 a 0.

Todas as fotos são minhas. Iuri ainda fará um relato dele sobre a VIVÊNCIA. Ou não.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Yo soy de Parque Patricios, evocación de mi ayer¹

Os TENTÁCULOS infalíveis do DESTINO optaram por uma surpresa no sistema de disputa do Clausura argentino. A pontuação ao fim de dezenove jornadas definiria o GLORIOSO. Nada de final, mata-mata ou DESORDEM. Assim é que constava no regulamento, ao menos. Mas quis o PODER MAIOR do futebol que Huracán e Vélez Sarsflied, respectivos líder e vice, duelassem na rodada derradeira. Quem vencesse levava a taça. Em caso de empate, grito do Huracán. O PREFÁCIO de uma das partidas mais fantásticas dos últimos SÉCULOS esteve aí, no “como ocorreu”. Mas o desenrolar futebolístico foi ainda mais espetacular.

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José Amalfitani, bairro de Liniers, Buenos Aires. No palco, quarenta mil adeptos do Vélez e quatro mil e quinhentos loucos pelo Huracán. Desigual. COMEÇOU POR AÍ, poderia bradar um tipo mais PRECIPITADO. Porém, seria absurdo exigir que os cartolas do Fortinero fossem suficientemente AMIGÁVEIS para adocicar as VIDAS dos do Huracán. Estamos tratando de uma final, carajo. A divisão de torcidas no estádio era, portanto, natural. Natural como a estratégia proposta por Angel Cappa, o treinador mais aclamado do campeonato. Cappa armou o seu Huracán como fez durante todo o semestre: para frente, a partir de um toque de bola ILUDÍVEL.

“Para frente, a partir de um toque de bola ILUDÍVEL” sendo que o empate servia. Um ferrolho eficiente e SELVAGEM seria de maior prudência, diziam alguns. Não com o Huracán. Não com estes jogadores e não com Cappa. Quem jogou dezoito vezes buscando o gol a todo custo e que, assim, ostentou o ataque mais positivo do Clausura, não saberia atuar com a GROSSURA que a retranca exige dos seus praticantes. Nos primeiros minutos, um Vélez que precisava ACIMA DE TUDO NO MUNDO triunfar foi ofuscado pelo quadro visitante. Houve equilíbrio, sim. Mas o equilíbrio estava do lado dos de Parque Patricios, bem como o 0-0, a raridade de oportunidades de tento e a ausência de uma pressão no arco de Monzón.

Até que, depois de um centro, o beque Eduardo Domínguez acertou um testaço nos cordões de Montoya, que não é o histórico Navarro. Seria o 0-1. Anulado. Mal anulado. A linha de impedimento falhou como costuma falhar e Domínguez estava LÍCITO. Significou apenas a primeira tentativa do Huracán de vencer a CENSURA que o oprimiria mais e mais no José Amalfitani. A próxima repressão, entretanto, não partiu da arbitragem, e sim dos CÉUS. A harmoniosa chuva que BEIJAVA a rala grama da cancha rapidamente transformou-se em tempestade e, em segundos, em GRANIZO. Pedras do tamanho de HELICÓPTEROS atingiam o cenário, determinando o CAOS. Atletas corriam para os vestiários, torcedores protegiam-se com seus trapos ou, como optaram os mais RÚSTICOS, com as CADEIRAS do estádio.

A partida foi suspensa aos 19 minutos e reiniciou apenas 28 minutos depois. Tempo hábil para que um SENHOR conseguisse derrubar a chave do seu AUTO no fosso que separa a RALÉ dos CRAQUES. Como choviam BAIACUS, o fosso rapidamente encheu-se d'água. Foi o que bastou para ele se jogar na FAMA, alcançando a sonhada chave com incrível rapidez. Para sair, foi socorrido pelos BOMBEIROS. A indefinição sobre a continuidade da “final” cessou com o fim do granizo. Com tempo limpo, o árbitro Gabriel Brazenas apitou o recomeço. Provavelmente o inesperado fenômeno climático atingiu os nervos dos Quemeros. Cinco minutos após o último TIJOLO de gelo cair no campo, Araujo, o lateral direito visitante, atorou impiedosamente Martínez. Pênalti incontestável que o uruguaio Hernán Rodrigo López perdeu, para consagração do voo de Monzón.

Na jogada seguinte, o mesmo Rodrigo López FLERTOU com o gol. Sua cabeçada superou o arqueiro, mas não a cabeça de Arano, que salvou a VIRGINDADE do Huracán saltando sobre a linha que separa a LUTA do JÚBILO. O lance mais próximo de balançar o concreto das arquibancadas, porém, não foi assinado por López. Nos últimos ARDORES da primeira etapa, Domínguez, que já tivera um gol sonegado, acertou o travessão. No rebote, frente a frente com Montoya, o INDECIFRÁVEL centroavante Nieto chutou fraco para a defesa do assustado goleiro. Soprado o apito, prosseguia um BALEADO 0-0, que resistiu a pelotaços na trave, penais e até a uma NEVASCA.

Nas quarenta e cinco voltas finais, o DESESPERO e as ganas do Vélez finalmente ACUARAM o Huracán. O 1-0 precisava sair e o que se viu foi um onze inteiro EMPURRANDO o balão para o campo de ataque. Afinal, o segundo tempo valia o campeonato. E o Huracán precisou, enfim, recuar. Maximiliano Moralez, o já citado López e Lavirrey, que adentrou do banco, insistiam com atordoada IMPACIÊNCIA. Pastore e De Federico, abertos pelas pontas, não faziam o TIKI-TIKI fluir como em OUTROS TEMPOS. O Vélez, com um jogo elétrico e comovedoramente interessado, impulsionou a multidão a saltar alto nas tribunas.

Criou-se, então, um merecimento. Algo assaz relativo no futebol, mas inevitavelmente analisado. Um merecimento parcial, pode-se dizer. Se no campeonato todo o Huracán mostrou o melhor e mais vitorioso futebol (12 vitórias e 35 gols), neste domingo insano quem deveria chegar ao gol primeiro era o Vélez. Em um chute de fora da área com Cubero, em jogada individual de Moralez – gambeta incluída – com López de cabeça, ou até mesmo no penal malogrado ainda no primeiro tempo. Mas não como a bola entrou.

Domínguez, zagueiro pela esquerda, buscou recolocar o Vélez no ataque e preparou um BICUDO. Rodrigo López, o artilheiro do time na competição, intercepta a pelota e desvia de cabeça. Quem aparece por trás da zaga é Larrivey, ex-jogador do Huracán. A bola corre mais que o esperado na grama molhada e Larrivey tenta alcançá-la de carrinho. Monzón está prestes a agarrar o esférico quando o atacante atinge a sua perna com a sola da chuteira. Moralez aproveita que o goleiro está fora de COMBATE e chuta para o arco vazio. Nas palavras de Cappa, “era possível notar que foi falta desde o estádio do NEWELL'S”.

Os minutos seguintes foram de absoluta TENSÃO. ACABARAM as pelotas no Fortín de Liniers, para desespero de Angel Cappa. O Vélez catimbava a cada segundo e Montoya ainda salvou o título em uma confusão caótica que rondou a sua grande área. No último minuto, houve até SANGUE na confusão dos defensores do Globo com Larrivey e Díaz, do Vélez. Apito final, invasão de campo e Vélez Sarsfield campeão nacional pela sétima vez. O Huracán viu um gol legítimo e um carrinho faltoso não punido serem levados pela tempestade que banhou Buenos Aires.

***

O Huracán movimentou Parque Patricios como não se via desde 1973. A equipe que conquistou o Metropolitano era, como a de hoje, felicitada pelo futebol que emocionava o torcedor. Nas palavras de Carlos Poggi, da revista El Gráfico de Buenos Aires: “este campeón está incorporado, por derecho y juego proprio, a la bibliografía de los equipos que mejor jugaran al fútbol en la Argentina. Siempre recordado, el Huracán de 73, aquel de Roganti, Chabay, Buglione, Basile, Carrascosa, Brindisi, Russo, Babington, Houseman, Avallay y Larrosa”.

O de 2009, o de Cappa, Pastore, Defederico e Monzón, também escapa do olvido. Em 2045 alguém há de lembrar do Globo que enfileirou 4-0 no River Plate e 3-0 no Lanús, que bateu sem dó no Racing Club de Caruso e que enchia o Tomás Ducó a cada jornada. Por dezoito jogos e oitenta e cinco minutos, o Huracán foi novamente histórico.

¹ Do tango "Yo soy de Parque Patricios", de Carlos Lucero.

Fotos do La Nación.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Crônica de um jogo inútil

As rodadas finais das fases intermediárias da Segundona Gaúcha são marcadas por jogos inexistentes. Raros são os anos em que todas as partidas são disputadas. Geralmente, equipes sem interesses têm compromissos marcados entre si na última rodada, e essas partidas não chegam a se realizar. Santo Ângelo e Guarany de Bagé foi o jogo que não houve nesta Segundona 2009, cancelado pelo FALECIMENTO prematuro dos dois quadros. Infelizmente, os números às vezes insistem em dizer que há CURA para aqueles que já deveriam ter sido DESENGANADOS, e jogos evitáveis terminam acontecendo.

Ontem, Periquito e Caturrita trocavam BICADAS desconhecendo a razão para tal HOSTILIDADE. O Riograndense, dono da casa, estava classificado e garantido no primeiro lugar da chave. O São Paulo de Rio Grande precisaria vencer, torcer para o Bagé não triunfar contra o eliminado Cruzeiro de Porto Alegre, e secar as equipes dos outros grupos até arrancar-lhes os TUTANOS DOS OSSOS, para lograr uma classificação à próxima fase como um dos melhores terceiros colocados da segunda etapa do certame. No sexto minuto de jogo, a vaga INQUIETUDE que apontava a tarefa como irrealizável virou certeza para cada torcedor presente nos Eucaliptos.

O gol marcado àquela altura por Rangel, em pelota que sobrou de um chute na trave desferido por Alfinete, confirmava o imaginado. A matemática, essa ciência IRRACIONAL que tem a PRESUNÇÃO de se crer exata, não tinha qualquer sentido quando dizia que o São Paulo poderia se classificar. Não poderia. O São Paulo tinha a fraqueza dos FAMÉLICOS. E não era uma fome de gols. O time que veio a Santa Maria encarar um Riograndense meia boca – Alfinete, o eterno reserva-talismã, chegou a começar como titular, afinal – era desde o princípio um onze derrotado.

E conformado. As ações do São Paulo jamais foram apressadas. Ao fim da rodada, a improvável vitória do Cerâmica de Gravataí contra o Pelotas, em plena Boca do Lobo, daria razão à pouca vontade dos rio-grandinos, berrando aos times desta Chave 4 que todo o seu esforço não frutificara. Porque ser terceiro colocado do grupo era apenas metade do caminho. E nem esse cinquenta por cento o São Paulo ia completando. Sua falta de ação devia-se, também, à consciência de que o Bagé vencia seu jogo e tornava necessária uma goleada para a Caturrita alcançar o top-3 do seu hexagonal. Limitar-se à LENTIDÃO ABSOLUTA foi uma forma de evitar frustrações maiores.

Quantos anos de TERAPIA seriam necessários, depois, para os jogadores deste São Paulo de 2009 aceitarem o fato de terem derramado até seu próprio sangue no gramado dos Eucaliptos e saído eliminados? O que se tomou por desistência precoce era, em realidade, PREVIDÊNCIA. Os jogadores que caíam ao chão com as mãos na cabeça não o faziam por desespero, mas DOÍDOS por eventuais entradas mais VIRIS. Os de Rio Grande sabiam da inutilidade daquela partida para suas aspirações, sabiam que não era ouro que as suas ESCAVAÇÕES na zaga do quadro de Santa Maria renderiam, e a certas alturas atingiram o APOGEU dessa mostra de conhecimento, matando tempo como se o resultado lhes interessasse.

Não interessava. Nem mesmo ao Riograndense. Tanto fazia. Uma vitória a mais só deixaria a campanha mais bonita. Bonaldi e seu COMPADRIO estendiam a mirada já à próxima fase, pensando na dificuldade de encarar o Pelotas nos quadrangulares semifinais e duvidosos sobre os outros dois adversários então indefinidos. Mais relevante que vencer ou não, ontem, era começar a preparar o terreno e o inferno dos futuros oponentes. Além do Pelotas, a rodada da tarde colocaria, como adversários do time santa-mariense na próxima fase, o Panambi (que se classificou com uma vitória COPEIRA em São Leopoldo, eliminando o concorrente direto Aimoré, por 2 a 3) e o Brasil de Farroupilha.

Numa hora dessas, já no segundo tempo, a falta de motivação das duas partes entrou em COLAPSO e um pênalti surgiu por GERAÇÃO ESPONTÂNEA. Era para o São Paulo. Tainã converteu o 1 a 1 da contagem final. O estufar das redes (foto de abertura), porém, não mudou o estado ANÍMICO das equipes e nem a tabela de posições. O Riograndense seguirá a trilha do TESOURO que é o acesso, o São Paulo ficará mais um ano perdido na Segundona. E nem precisávamos do jogo para saber que seria assim.

FOTOS: Iuri Müller (fotos 1, 2 e 5) e Maurício Brum (fotos 3 e 4).

Futebesteirol no rádio (pra valer)

Em março de 2008, sob TORÓS de OVOS DE PÁSCOA, cuja celebração se dera no fim de semana anterior, comentei neste RINCÃO sobre a minha participação na abertura da jornada esportiva da Rádio Repórter de Ijuí. O convite viera por causa das reportagens direto da Europa, sobre temas tão improváveis como o Arles, então na terceira divisão francesa (ascendido à segunda na temporada 2008/09) ou o futebol de ANDORRA. Eram ainda escassas, porém, as coberturas do blog. Hoje a figura mudou.

Só em 2009, já foram 42 jogos acompanhados in loco pelos redatores do blog ou por infalíveis COLABORADORES ESPECIAIS. Vieram entrevistas, reportagens e fotos que enriqueceram aquela seçãozinha ali à direita, a de ANTOLOGIAS. Pois o Futebesteirol agora também estará no rádio, e não fazendo mera participação esporádica: desde ontem, quando fizemos nossa estreia oficial, eu e o Iuri compomos a equipe do Radar Esportivo da Rádio Universidade, de Santa Maria, e estaremos semanalmente ZUMBINDO nos ouvidos de quem se dignar a sintonizar os 800 KHz AM. O programa vai ao ar todos os sábados, das 11 horas às 13, e possíveis coberturas das fases decisivas da Segundona não estão descartadas.

No mais, o Futebesteirol seguirá ativo, mantendo o princípio de valorizar o futebol de todos os recantos, de preferência ESTANDO LÁ. Os materiais que eventualmente não forem publicados aqui poderão ser encontrados no site do Radar, que ficará destacado na nossa lista de links recomendados.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Estreia, reprise e saída de cartaz com a vida igual

PORTO ALEGRE – Foi a mesma coisa. O minuto trinta e seis do jogo do Olímpico, ontem, equivaleu ao vinte e oito do Beira-Rio, quarta-feira. Ontem, o Cruzeiro fazia 0 a 2 sobre o Grêmio, 1 a 5 no agregado, e praticamente fechava a classificação. Na quarta, o Corinthians também metia 0 a 2 no Inter, 0 a 4 no agregado, e tornava possível usar do artifício do ‘só um milagre’ para descrever o que restava das aspirações coloradas. Os dois times que precisavam de pelo menos dois gols no início continuaram semelhantes no intervalo, necessitando de cinco, e assim se mantiveram no fim, suportando o fracasso de seus objetivos.

Gremistas, como os colorados, prometeram um caldeirão, fizeram um caldeirão, e murcharam assim que as coisas começaram a complicar. Os alvirrubros desistiram de forma enfática na véspera, muitos deles abandonando o recinto no intervalo, como que dizendo “CHEGA”. Os tricolores podem ter durado mais, mas animicamente estavam tal qual o Inter – quando o polêmico-e-bombardeado-por-discursos-assassinos Elicarlos entrou em campo, os gremistas que tanto ameaçaram nos outros dias mal e mal tiveram forças para gritar “mata!” ou vaiar com DENSIDADE; uns poucos ensaiaram lamentáveis imitações de BUGIOS y nada más.

Há pouco o que falar do jogo de quinta. O Grêmio foi o que foi na Libertadores inteira: um time a jogar direitinho e sem saber fazer gols. Começou melhor que o Cruzeiro, desperdiçou OITOCENTOS E VINTE E NOVE chutes e, no primeiro ataque mais decente dos mineiros, levou um. Entre milhões de coisas, eficiência é um dos pontos que diferencia os que podem ser campeões dos outros. O segundo gol, dois minutos depois, aos 36, foi daqueles que só leva time que já desistiu. Time que tenta fazer linha de impedimento e não se presta a correr atrás quando vê que o lance seguia. Wellington Paulista marcou o segundo e acabou com a peleia. No intervalo, as mãozinhas distribuídas aos torcedores, que erguiam dois dedos e sinalizavam “Eu acredito!”, já precisavam ser unidas para mostrar todos os CINCO dedos.

Grêmio e Cruzeiro, Inter e Corinthians. O Inter ficou com dez quando tentava reagir, D’Alessandro foi expulso no lance mais patético de 2009 até aqui, e o Grêmio também viu um vermelho na hora em que poderia ir para cima. Se o vigoroso carrinho violento de Adílson era necessário, diferentemente do lance do argentino do Inter na véspera, o FIASCO que faltou dentro de campo no Olímpico aconteceu fora do estádio, na briga dos torcedores com a Brigada Militar. Tentavam simplesmente fazer valer o seu DIREITO de ver o jogo.

Cerca de quinhentos sócios e torcedores comuns com ingresso foram BANIDOS do confronto ao se deparar com portões fechados. Exaltados, muitos talvez bêbados, entraram em conflito com os cavalos. E cavalos, sabemos, também há do tipo BÍPEDE. São os piores. O policiamento garante ter evitado uma “tragédia”, pois o planejamento incompetente do Grêmio em relação quantos sócios DARIAM AS CARAS causaria uma SUPERLOTAÇÃO. Quem errou na história é motivo para discussões longas, mas o lavei-as-mãos-e-deixei-vocês-apanhando de Duda Kroeff foi o capítulo final da indignação gremista na noite – “ABSORVIDO” pela partida, o presidente não se dignou a sair da sua poltrona confortável para buscar uma solução.

Deixou o estádio ouvindo os quase 45 mil presentes (menos, menos, pois muitos não aguentaram ficar no Olímpico até o EPÍLOGO) querendo enxotá-lo do comando do clube e exaltando o ex-presidente Paulo Odone. O Grêmio, como o Inter, conseguiu buscar o 2 a 2 com HUEVOS e uma ajuda COLOSSAL dos adversários relaxados, e pôde ouvir os mesmos aplausos de sua torcida que os colorados já haviam destinado ao seu time um dia antes. Não eram gritos de glória. Ambos haviam caído, e o ruído das tribunas estava mais para ecos vindos de um poço. Pelo menos eram AUDÍVEIS. Mas agora o filme do Rio Grande do Sul, que foi um só, tal a igualdade do que aconteceu na quarta e na quinta, saiu de cartaz.

A PARECENÇA terrível desta semana talvez fosse tudo o que os gremistas quisessem em relação ao futuro. Porque agora o Grêmio só tem pela frente o Campeonato Brasileiro, e ainda precisará remontar ABISSAIS diferenças de pontos para os líderes. O Inter, embora tenha caído de seu recanto em meio as nuvens e acordado para ver que não, não é o melhor time do MUNDO, ainda tem mais qualidade que o rival. E está no topo da tabela nacional. E, se fizer improbabilidade em Quito, tem como se deliciar com a Recopa. E poderá se divertir jogando a AMIGÁVEL Copa Sul-Americana no segundo semestre... O vice colorado num dia e a possibilidade de classificação gremista no seguinte até fizeram alguns azuis cogitarem que a gangorra estaria por virar, depois de uma década pendendo pras bandas da orilha do Guaíba. Por ora, no entanto, a vida segue igual.

Fotos minhas.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

GRIZZO: um ibirubense levando o Tigre à história!

No Criciúma campeão de 1991, Grizzo é o quinto agachado a partir da esquerda

Colaboração especial de
Yuri Medeiros de Lima*

Ibirubá. Essa pacata cidadela gaúcha, situada a 300 quilômetros de Porto Alegre, com seus dezoito mil habitantes, não possui uma história cheia de fatos relevantes ou acontecimentos épicos. Porém, no início da década de noventa, teve um motivo para se orgulhar: um de seus filhos, ibirubense nato, destacava-se nacionalmente através das quatro linhas, na plaga catarinense de Criciúma.

Falo de Grizzo. O meio campista de apelido peculiar (e nome mais ainda: Vitalino Barzotto) recebeu tal alcunha já nos tempos de guri, quando seus avós, descendentes de italianos, insistiam em chamá-lo de grigio, em referência aos cabelos loiros que ele, na época, ostentava. Logo, o apelido foi abrasileirado e, mais adiante, talhado na história do futebol catarinense: Grizzo fez parte daquele pequeno grande time do Criciúma, treinado por Luiz Felipe Scolari, que alcançou a gloria maior de sagrar-se campeão da Copa do Brasil em 1991.

Aliás, Grizzo não somente fez parte do grupo. Grizzo era titular e peça fundamental no esquema do meio-campo de Felipão. Não obstante, aquele místico pedaço de pano com o número 10 nas costas o pertencia. E tal posse, certamente, não era em vão.

A equipe do Criciúma, após ter ganhado a Copa e feito honrosa campanha na Libertadores de 1992, gozava de considerável respeito a nível nacional. Entretanto, todas essas glórias tiveram um ponto de partida, um marco zero. E tal ponto foi demarcado por Grizzo. O primeiro tento assinalado, a primeira balançada de capim do fundo do gol (como diria o narrador) de toda a trajetória vitoriosa do Tigre veio do tal camisa 10, como se fosse um Moisés a abrir o mar que levava aos louros. Naquele fevereiro de 1991, contra o humilde Ubiratan, Grizzo fazia as apresentações daquele time que logo encheria os olhos do país.

Como se não bastasse, Grizzo reforçou o recado: no jogo de volta, mais um gol. Todos aqueles pouco mais de oito mil torcedores que estavam no Heriberto Hülse, ainda sem saber o que o destino lhes reservava, começaram a crer que havia uma esperança naqueles que vestiam amarelo, preto e branco.

E não parou por aí. Grizzo continuava a honrar sua titularidade e aqueles dois algarismos em suas costas: mexeu no escore contra o Goiás, pelas quartas-de-final. E se hoje pouco se recorda de Grizzo, é por culpa de pequenos detalhes. Na final contra o Grêmio, em pleno Olímpico, o meia esteve muito perto de fazer o gol da vitória do Tigre. Após cobrança de falta de Sarandi, Grizzo adianta-se ao marcador e, quase dentro da pequena área, desvia a pelota com a tampa da cabeça. Talvez por obra dos Deuses do Futebol, que queriam uma final com emoção até o fim, a bola foi caprichosamente do lado de fora das traves do tricolor gaúcho. Seria o gol que liquidaria de vez a fatura. Seria o gol que faria todos voltarem os olhos àquele menino da grande (sic) Ibirubá!

Grizzo teve passagens como jogador por times do porte de Caxias, Juventude, Avaí, Náutico, Pelotas, Avenida, São José, Ponte Preta (onde foi vice-campeão da série B do Brasileirão), além da marcante passagem, já nos seus quarenta anos de idade, pelo Juventude de Ibirubá, onde sagrou-se campeão estadual de amadores. Hoje, com 46 anos recém completados, carequinha, mantendo a baixa estatura e a raça característica, Grizzo comanda de fora do campo o Imbituba, na divisão especial do campeonato catarinense. Entretanto, acima e antes de tudo, Grizzo foi referência daquela pequena grande equipe catarinense naquela surpreendente empreitada. E foi por esse grande feito que eu, ibirubense nato, conheci o meu mais famoso conterrâneo.

* Ibirubense radicado em Santa Maria.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Um estádio e as suas lendas

Por Iuri Müller

O que há de mais representativo em termos de GRANDEZA e de história nos domínios do Riograndense Futebol Clube não é, por agora, a mística da jaqueta rubro-esmeralda (muito porque o time tem trajado branco, ok) ou a hierarquia intimidadora de Bonaldi na grande área. O que mais aflige um quadro sem um passado comparável com o dos ferroviários santa-marienses, como é o caso deste Futebol Clube Rio Pardo, é o imponente pavilhão dos Eucaliptos. O pavilhão se ergue em meio aos montes, já foi inteiramente de madeira e ostenta em tinta recente a data de fundação do clube e as façanhas de antanho, como o vice-campeonato do Gauchão de 1921. Irradia glória, a construção mais significativa do COMPLEXO do Estádio dos Eucaliptos.

E eu, com uma considerável aglomeração de domingos vividos ali, nunca havia assistido a uma partida do Riograndense do alto do pavilhão. O ingresso é mais caro, não há a mesma INTERAÇÃO entre torcida-time e torcida-arbitragem além de, diziam, a visibilidade não ser grande coisa. Bons motivos, então. Mas, cansado de fotografar as investidas e RECOLHIDAS do Periquito do mesmo local de sempre, junto à tela que teima em DESTRUIR retratos com potencial ANTOLÓGICO, busquei um novo ÂNGULO para as fotografias. Mentira. Havia, sim, e pesou mais do que os registros jornalísticos, curiosidade para acompanhar um match do pavilhão que POVOA as mais ricas histórias que envolvem a cancha.

Já acomodado no mais alto degrau, o que permitia uma visão ampla do gramado e, DE BRINDE, dos arredores do bairro, compreendi a estratégia do Riograndense na partida desde os primeiros MILÉSIMOS: atacar o Rio Pardo e amontoar gols para que o adversário não saia assobiando de Santa Maria novamente, como fez o TAC na quarta-feira passada. Com cinco minutos cronometrados, André Tereza, que sustentatava em seu LOMBO severas críticas quanto ao jogo anterior e a camisa número dois do Riograndense, definiu com estupenda simplicidade pela direita, vencendo o arqueiro Feijão com um arremate cruzado. O tento decepcionou parte do público do pavilhão: eram dirigentes e torcedores da terra da TRANQUEIRA INVICTA. E um deles comentou com desânimo: “o Riograndense já está mais do que classificado. Tem prêmio por vitória, por acaso? Quem precisa vencer é o Rio Pardo.”

Quem explicitava o DESALENTO era Telmo Berger, presidente do Conselho Deliberativo do F.C. Rio Pardo. Em parcos minutos de conversação, o dirigente explicou a sua relação com o futebol gaúcho. Telmo atuou nos juvenis do Internacional de Porto Alegre, na distante data de 1969, e finda a carreira futebolística, tornou-se professor de Educação Física. Quando trabalhava em Passo do Sobrado, então distrito de Rio Pardo, lecionou para um certo MANO MENEZES, com quem manteve contato - eleito vereador em Rio Pardo, Telmo Berger homenageou Mano como CIDADÃO EMÉRITO do município. Enquanto o ilustre rio-pardense jogava luzes no seu passado, Juninho Laguna, alheio a qualquer CHARLA nas tribunas, aproveitou a ríspida dividida entre Silvano e Feijão para, com sua ILUMINADA DISPLICÊNCIA, mover o placar.

O baque do segundo gol impulsionou Telmo a explanar sobre a estreia do Rio Pardo no profissionalismo. Admitiu que avançar para a terceira fase é uma tarefa das mais complexas, mas que gostou da aceitação do F.C. Rio Pardo na cidade: “Rio Pardo mostrou que suporta um time profissional, e para o nosso primeiro ano isso é o mais importante.” Revelou também o descontentamento com o ex-presidente do clube, Tabajara Ramalho, afastado há quinze dias por pressão dos jogadores. Na rixa entre o cartola e o elenco, Telmo Berger firmou posição e ignorou o 0-2 circunstancial para defender o grupo de jogadores, “que mesmo com os salários atrasados está brigando pela classificação.” Para a próxima temporada, o presidente do Conselho defende um melhor aproveitamento de atletas de Rio Pardo no plantel, “para criar uma identidade maior com o município e desenvolver as categorias de base.”

Terminado o intervalo, os locais retomaram a maior posse do balão, tranquilos com a vantagem concedida pelos gritos de Tereza e Laguna. Se na primeira etapa o resultado parecia enganoso diante do equilíbrio e das poucas chances reais de júbilo geradas pelas duas equipes, no que se refere a depois do ENTRETIEMPO o Riograndense foi escandalosamente superior. A dúzia de rio-pardenses só se alvoroçou em uma falta miseravelmente desperdiçada por Terrão, ainda nos minutos iniciais do segundo tempo. O Periquito não contava, no sábado, com a SUBVERSÃO de Giovani, que costumeiramente atordoa defesas inteiras. Apagado, Giovani viu Vainer encostar nos dois avantes, compensando a velocidade peculiar do ponteiro com passes certeiros e esperançosas patadas desde muito longe. Foi em um rebote de escanteio que Vainer APAZIGUOU o esférico em seu pé esquerdo, avançou poucos passos e desferiu o chute de um só destino: o ângulo de Feijão. O meia-esquerda assinou um gol tão bonito quanto o que derrubou Victor, o selecionável, na primeira partida do Gauchão deste ano.

O 3-0 era tão confortável que amornou o espetáculo. Os treinados por Marcão e OUTRORA dirigidos por Tabajara viram as chances concretas de somar algum ponto em Santa Maria EXPLODIREM no canhotaço de Vainer. O Riograndense, com muito espaço para infiltrar na defensiva rio-pardense, preferiu rodar a pelota e rondar, apenas quando convinha, o arco protegido pelos beques visitantes. Faltava ALGO para que a tarde ventosa de sábado não tivesse o seu fim naquele 3-0 confortável em demasia. Para tanto, Bebeto Rosa mandou para cancha a sua alternativa mais requisitada: quando Alfinete partiu em carrera desenfreada para assinar a súmula, o bom público presente bradou em uníssono. Confusos, os atletas de Rio Pardo buscavam uma explicação COERENTE para aquela balbúrdia aparentemente injustificável.

Alfinete e seu penteado MOICANO devolveram GRAÇA ao futebol. A partir de agora, valeria a pena atacar o Rio Pardo, já que o que estava em jogo eram os possíveis gols de Alfinete. São dele os tentos mais comemorados do estádio, independentemente de adversário ou da situação na tabela. Talvez porque Alfi esteve ali desde o início, ao menos desde o início MODERNO do Riograndense. Desde os dias em que o Riograndense perdia bem mais do que empatava. Vencer, um delírio. Mas Alfinete estava presente, e não se transformou em vilão. Participar da história, ano a ano, assim com os mais fiéis frequentadores dos Eucaliptos, virou, com justiça, motivo para aplausos.

A história de Alfinete ligou-se PARA SEMPRE com a do clube verde que defende toda semana quando, há duas temporadas, o atacante perdeu a casa em um incêndio. A diretoria do Periquito, em atitude mágica em tempos de MERCENARISMO predominante e INSENSIBILIDADE coletiva, organizou um duelo beneficente entre atletas santa-marienses – a renda estaria destinada, em sua maior parte, para a reconstrução da moradia de Alfinete. Contra o Rio Pardo, Alfinete teve pouco mais de quinze voltas de relógio em campo. Suficientes para ALFINA marcar DOIS gols. E o 5-0 foi uma festa incrível. A terceira fase, a fase CÁLIDA, já é uma realidade para os lados da Viação. Que venha o Pelotas, o Glória, o Porto Alegre. O Riograndense tem PATRIMÔNIO – como o quase centenário pavilhão e o lendário Alfinete.

* * *

O treinador interrompido
Por Maurício Brum

A vitória do TAC sobre o Riograndense na última quarta-feira DESACORSOOU o planejamento do Rio Pardo. Era um resultado INOPINADO. Na casamata rio-pardense comentavam que, se o Três Passos jogasse dez vezes em Santa Maria, era improvável que vencesse duas partidas. Mas foi vencer logo aquela, afastou-se na segunda posição da chave e lançou uma nuvem de poeira para o Rio Pardo DEGLUTIR. Marcos Santos, o Marcão, dissertava a respeito da qualidade do quadro santa-mariense e compartilhava do pensamento deste redator: embora tenha que defender sempre o seu time, ele não crê que as vagas na elite em 2010 escapem do Riograndense, do Pelotas ou do Glória.

Com passagem pelo futebol de Santa Maria quando jogador, Marcão mesclava o teor das suas interações com os torcedores COLADOS ao alambrado próximo da casamata visitante. Ora conversava tranquilamente com eles, ora ouvia provocações feitas pelos locais com a FAMILIARIDADE de quem já o conhecia. Sua ideia para o jogo estava muito clara: “a verdade é que a gente veio aqui para não perder”.

O treinador do Rio Pardo é um caso raro no futebol mundial. Foi contratado para salvar da eliminação precoce uma equipe que vinha com ALTIBAIXOS na primeira fase. Recuperou-a, conquistou a classificação, e então perdeu o cargo. As circunstâncias nunca ficaram bem esclarecidas. Segundo fontes da cidade, o então presidente do clube, Tabajara Ramalho, teria defendido na imprensa local que Marcão estaria fazendo “muita festa” com os atletas, o que motivou sua saída. Gílson Rosa estreou na primeira rodada da segunda fase, mas não durou meia dúzia de embates com os maus resultados. Paulo Cunha e Paulo Bastos, o preparador físico, sucederam-lhe no controle da equipe.

Isso tudo enquanto Tabajara caía em desgraça. O dinheiro desapareceu e os pagamentos dos jogadores atrasaram. Justificou-se dizendo que os patrocinadores não haviam depositado os valores na data correta, mas a explicação não contentou. Veio uma GREVE e o presidente virou persona non grata em certas rodas do clube - conversando em off com o blog, um jogador chamou Tabajara de “safado”. Seu poder foi definitivamente ESMERILHADO quando os atletas ameaçaram não entrar mais em campo se Tabajara não fosse afastado. A SUBVERSÃO deu resultados: principal apoiadora do clube e pressionada pela comunidade, a Prefeitura assentiu, e também se concordou com outro pedido dos atletas – a volta de Marcão ao posto de treinador, fechando seu caso insólito. Uma versão que corre hoje em Rio Pardo diz que o real motivo de Marcos Santos ter deixado o clube teria sido o não-pagamento de um prêmio pessoal acertado com Tabajara pela passagem de fase.

Marcão retornou na rodada passada, e foi INCENSADO pela raçuda vitória em casa sobre o Bagé, por 1 a 0, com gol marcado aos 90+3 minutos. Ontem, porém, queria apenas não ser derrotado, e estampou o desespero na face diante dos erros de sua zaga. Com cinco minutos, seu time deixou espaço demais e Marcão foi obrigado a ver como os santa-marienses comemoravam o primeiro gol da tarde (foto de abertura deste texto). Aos quinze, uma intervenção CATASTRÓFICA do zagueiro junto ao goleiro Feijão permitiu que Laguna golpeasse a PETANCA e fizesse 2 a 0. Só aos 39 o Riograndense chegaria ao ataque numa jogada sua, sem falhas evidentes dos visitantes.

“Trinta e nove! Trinta e nove minutos! É a primeira jogada de atacante deles. Entregamos dois gols pros caras...”, urrava para os reservas o inconsolável Marcão. No segundo tempo, a entrada do veloz Felipe Baggio (na foto à esquerda, brincando com a planilha tática do time) pela banda direita pareceu dar o toque de reação que o time precisava, mas o INFERNIZAR do camisa 14 só durou até o gol iluminado de Vainer. Depois, ecoou a magia de Alfinete e a dura goleada de cinco gols nas costas do Rio Pardo. Sabendo que a interrupção de seu trabalho lhe privou de buscar uma situação melhor antes, Marcão precisa vencer as duas rodadas que faltam e torcer por combinações de resultados que permitam sonhar. Viver na Segundona, aos auriverdes, exigirá boa vontade dos céus.

FOTOS: Iuri Müller (fotos 1, 2, 6 e 7) e Maurício Brum (fotos 3, 4, 5, 8, 9 e 10).

Domingo, 28 de Junho de 2009

Goleada obscura em Sombrio

Colaboração especial de Josiel Ganso*
(Fotos por Lucas Castelan e Lucas Coral. Vídeo por Lucas Castelan)

SOMBRIO - Sábado de frio e céu nublado para o embate que até então se aproximava no lotado Estádio Antônio Sant’Helena: um selecionado do Campeonato Municipal de Sombrio, cidade do extremo sul-catarinense, versus os juniores do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, que trouxeram na bagagem diversas eliminações nos campeonatos de base desse primeiro semestre.

O selecionado de Sombrio contava com várias figurinhas carimbadas do município, mas, sem os melhores jogadores, que são oriundos de cidades vizinhas, estava deveras desfalcado, além da falta de entrosamento. Já os juniores do Grêmio, que passam por uma renovação dos seus jogadores, tinham como destaque o atacante Wesley, um dos poucos que se destacaram no Gauchão de Juniores.

O Grêmio comandado por Andrey Lopes entrou com Helton; Pedro Henrique, Renan, Neuton e Marçal; Matheus, Marcos Vinicius, Felipe, Eliventon e Bérgson; Wesley sozinho no ataque. Do selecionado de Sombrio, vestindo branco com detalhes em laranja e preto, não foi possível obter a escalação completa.

O jogo começa com a equipe gaúcha trocando vários passes no campo de ataque, oferecendo perigo à zaga sombriense. Com o tricolor dominando a partida já nos minutos iniciais não demorou muito para chegar ao gol: aos 15 minutos, numa bola alçada na pequena área pelo lateral Marçal, Wesley cabeceou livre, abrindo o marcador da partida para o delírio da torcida que não parava de alentar em nenhum momento.

Quando o relógio já estava quase marcando 20 minutos de jogo, Wesley foi derrubado na área por Dudu. Penalidade máxima. Ele mesmo foi cobrar e fez o seu segundo gol na partida e também o segundo gol da equipe tricolor. Pouco tempo depois, o atacante Wesley, destaque até ali na tarde, sofre uma entrada dura e tem que sair de campo carregado pelos atletas gremistas – não tinha maca e muito menos carro-maca no recinto. Ele é substituído pelo atacante “mala” Guilherme Morano.

O tempo da partida passava e o selecionado sombriense mal chegava à baliza do goleiro Helton, que não fez nenhuma defesa complicada na primeira etapa. Coube aos atletas da casa ver a equipe gremista trocar vários passes e rodear o campo de ataque. O primeiro tempo acaba com os zagueiros Praia e Dudu se revezando na distribuição de botinadas, tentando coibir a chegada do Grêmio na frente.

Na etapa complementar o jogo começa como começara no primeiro tempo: “o Grêmio dando apresentação”, como disse o atacante Morano ao esquentado zagueiro Dudu. O jogo estava sonolento. Os torcedores locais só não dormiam porque a Geral de Sombrio e Araranguá não parava com seus batuques e cânticos de apoio à equipe tricolor.

As várias substituições dos times faziam o jogo perder parte da sua (pouca) qualidade. A partida caminhava para terminar 2x0, mas, ouvindo minhas preces de mais golos, aos 20 minutos do segundo tempo Marçal cobra uma bela falta a favor dos gremistas para boa defesa do goleiro Gustavo, que espalma. A bola sobra para o zagueiro oportunista Neuton fuzilar o gol sombriense: Grêmio 3x0.



Após o gol a partida mornou de vez. A equipe de Sombrio só marcava e o Grêmio só cercava no ataque. Foram mais quinze minutos sem boas chances de ambos os lados, e os sombrienses permaneciam sem chegar com perigo ao gol gremista.

Aos 35 minutos o Grêmio chega ao quarto gol, com o atacante Sato. No momento estava acendendo um sinalizador, então não posso relatar como foi a jogada do gol. Só vi a bola balançando as redes do Estádio Antônio Sant’Helena.

Quando a torcida gremista já cantava “pingos de amor”, enfim o selecionado sombriense chegou com perigo ao gol gremista. O jogador tentou encobrir o goleiro Hélton, que espalmou a bola para a linha de fundo.

Assim, quando o arbitro Duda soa o apito final, o resultado é Seleção do Municipal 0x4 Grêmio. Uma partida sem muita emoção pela fraqueza do time local, mas com muitos gols para felicidade da torcida gremista que compareceu fortemente ao Estádio Municipal.

* * *

* Josiel é entusiasta das categorias de base do Grêmio e mantém, desde o ano passado, o blog Base Gremista.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Um café para sobreviver aos palpites furados

A Segundona Gaúcha está FATIADA em duas classificações de times no momento. Os que brigam para subir e o RESTO. O resto é valoroso, corre muito por fora e talvez vá surpreender. Os que brigam para subir de verdade não são mais que três: o Pelotas, o Glória de Vacaria e o Riograndense de Santa Maria – MISTERIOSAMENTE os líderes de suas respectivas chaves na segunda fase do certame. Isso, ao menos, era o que eu defendia até ontem.

DESFIANDO comentários prévios sobre o confronto do Riograndense contra um Três Passos que vem encantando nesta etapa do campeonato, eu afirmava que não poderia ser um jogo tão difícil. Certo, na quarta-feira de tarde o TAC horrorizaria os Eucaliptos e causaria algum BURBÚRIO, mas ao cabo dos noventa minutos só restaria uma vitória dos santa-marienses. Ora, o Riograndense está enamorado com os resultados. Sua fase é tão acalentadora que o time foi a Bagé no domingo e bateu o jalde-negro de lá com direito a gol da vitória marcado por BONALDI aos 90+7 minutos.

Já o Três Passos, apesar de vir numa CARRERA boa a fazer uma segunda fase que poucos otimistas projetariam, tinha como seu último jogo fora de casa uma derrota por 4 a 0 contra o São Paulo. Na semana seguinte dera o troco no time de Rio Grande, realmente, fazendo 3 a 1 no Luiz de Medeiros – seus dois últimos gols marcados por Daltro, que, após a partida, confirmou estar dando ADIÓS à equipe para voltar a trabalhar no BANCO DO BRASIL –, mas passar de time-da-campanha-surpreendente para time-capaz-de-bater-um-dos-mais-fortes-como-visitante parecia exigir mais.

Enfim, fui ingênuo ao assinalar mais uma vitória na TABELA DE FUTUROS do Riograndense. Não tanto pelo TAC, mas pelo meu próprio poder de errar previsões: como revelei egocentricamente após um confronto que, por coincidência, também envolvia Riograndense e Três Passos, o UNIVERSO teima em contradizer qualquer predição futebolística que eu faça.

O jogo de ontem, contudo, nós não vimos. A reportagem do Futebesteirol trocou a cancha por um INTRINCADO debate sobre SOCIOLOGIA DA COMUNICAÇÃO no Café Prefácio, que se estendeu por toda a tarde e roubou de nós os melhores anos de nossas vidas a chance de presenciar um partidaço. Da parte do Iuri, privou-lhe do cumprimento da PROMESSA de que, um dia, faria uma análise detalhada do que joga a equipe de Três Passos.

Banhando as ENTRANHAS com cafeína e estufando-as um pouco mais com exóticos sanduíches de RÚCULA com tomates secos, restringíamo-nos a ouvir o PRÉLIO num radinho providencialmente carregado no bolso. Em verdade, ligamos o místico aparelho captador de ondas apenas duas vezes. Na primeira, o narrador ainda gritava o gol de Vainer, fazendo 1 a 0 para o Riograndense de pênalti. Na segunda, muito mais tarde, falava-se, incompreensivelmente, que o time de Santa Maria jogava a “buscar pelo menos um empate”.

Durante o grande BLECAUTE DE IONIZAÇÃO em que ficamos sem receber notícias, gols EXCESSIVOS botaram os três-passenses na condição de sustentar uma vantagem de 2 a 3. O TAC manteve a vitória, apesar de os locais ainda terem um gol anulado no fim. Foi a primeira derrota do Riograndense dentro dos Eucaliptos na temporada, quebrou-se a sua série invicta de 12 partidas no campeonato e foi, também, a primeira vez que o time caiu em casa pela Segundona desde 1º de junho de 2008 (daquela vez, 1 a 2 contra o São Paulo de Rio Grande).

Para a classificação foi menos significativo. Os capitaneados por Bonaldi estavam tão bem que, mesmo perdendo, continuam líderes com boa vantagem, e só serão eliminados em caso de AMEAÇAS NUCLEARES pedindo sua saída do campeonato. Valeu, isso sim, para o Três Passos praticamente confirmar-se entre os oito participantes dos quadrangulares semifinais da Segundona. Para mim, uma zombaria do futebol que resultou mais decepcionante do que aguentar Douglas Kellner tecendo teorias conspiratórias em relação às produções culturais da mídia.

À noite, outro golpe duro: em plena Boca do Lobo, o Pelotas conheceria o encerramento da sua sequência de 18 rodadas sem derrota, levando 1 a 2. De quem? Do Porto Alegre. Logo do Porto Alegre, cuja eliminação cantei duas semanas atrás, depois de uma derrota contra o próprio quadro pelotense. Pois o time do Lami mostrou que limites podem ser estendidos, colocou-se praticamente dentro da terceira fase da peleia e ainda DESTRUIU a conclusão daquele meu texto.

O que é profundamente lamentável. Tendo meros parágrafos desmentidos, estamos a léguas de distância de algo como o Diário Marca. Por lá, se não for uma manchete inteira a fracassar, é melhor nem aparecer na redação. Acostumado a anunciar contratações que nunca se concretizam (ou viram realidade só DOIS ANOS DEPOIS, no que o jornal gosta de definir como um FURO que antecipou o fato há duas temporadas), o periódico madrilenho supera-se a cada dia nessa sina palpiteira. Terça-feira última, comentou os preparativos para o Espanha versus Estados Unidos usando um título que ironizava Barack Obama: “NO, THEY CAN’T”. No dia seguinte, os estadunidenses fizeram 2 a 0. Não apenas puderam eliminar os espanhóis, como esfarelaram a invencibilidade histórica de 35 combates que estes carregavam. Boa, Marca! Com doses paquidérmicas de café, ainda chegaremos lá.

* * *

Sétima rodada da Segunda Fase na Segundona Gaúcha:

CHAVE 4

Rio Pardo 1-0 Bagé
Riograndense de Santa Maria 2-3 Três Passos
São Paulo de Rio Grande 2-0 Cruzeiro de Porto Alegre

1º Riograndense – 16
2º Três Passos – 13
3º Rio Pardo – 9
4º São Paulo – 8
5º Bagé – 7 (saldo -1)
6º Cruzeiro – 7 (saldo -3)

CHAVE 5

Pelotas 1-2 Porto Alegre
Santo Ângelo 2-1 Cerâmica
Guarany de Bagé 3-0 Lajeadense

1º Pelotas – 16
2º Porto Alegre – 14
3º Cerâmica – 11
4º Guarany – 8
5º Santo Ângelo – 6
6º Lajeadense – 4

CHAVE 6

Glória 4-0 Rio Grande
Flamengo de Alegrete 2-1 Panambi
Aimoré 2-0 Brasil de Farroupilha

1º Glória – 17
2º Aimoré – 13
3º Brasil – 10
4º Panambi – 9
5º Flamengo – 5
6º Rio Grande – 3

Sábado, 20 de Junho de 2009

A caixa mágica do seu Luiz

IJUHY – Há um tesouro na rua Bento Gonçalves, em Ijuí. Nenhum mapa da cidade indica o local com um X e nem as preciosidades estão guardadas dentro de um baú enfurnado sob palmos e palmos de areia. É uma caixa de papelão. Umas fotos em preto e branco. Uns pedaços de algodão e de metal, que não é ouro, mas uma liga supostamente menos nobre. É uma vida. Há um tesouro na rua Bento Gonçalves, em Ijuí, e seu guardião quer exibi-lo ao mundo.

Luiz Garbinato, que já foi Garbinatto, mas subtraiu um tê dos papéis por conta das exigências para obter a cidadania italiana, nasceu em 1933 na Ajuricaba que o ex-gremista Carlos Eduardo devolveu ao mapa do esporte-rei. Por aquelas coisas que a razão não explica, quiçá por ter sido escolhido pelos deuses do futebol, atendeu a vocação para colecionar histórias do interior. A mais antiga foto sua nos muitos álbuns que formou mostra Garbinato com quinze anos, estudando já em Ijuí, em meio aos festejos do décimo aniversário do Esporte Clube São Luiz, em 1948. Mas há mais, há muito mais. Quadros ijuienses perfilados, listagens de partidas de cinco décadas atrás, lembranças de eventos, outras equipes da Região Noroeste do Estado em campo, flagrantes de entregas de faixas, momentos de partidas em andamento captados à perfeição por precárias câmeras interioranas da década de 1950, flâmulas, Copas e balões de couro.

O banal dos outros convertia-se, ao seu olhar, em material que não podia faltar para os seus registros. Hoje, viraram raridades. “Se soubessem que eu tenho isso aqui, iam enlouquecer”, diz. Garbinato foi zagueiro. Defendeu o São Luiz num período em que o clube vestia um fardamento listrado verticalmente em vermelho e branco, hoje completamente esquecido, mas também foi a campo com as cores do outro grande clube de Ijuí, o Grêmio Esportivo Gaúcho. Jogou em tempo pródigo para as disputas citadinas, vivendo os Campeonatos Ijuienses disputados em triangulares, na época em que o desconhecido e efêmero São José da cidade exercia o papel de lanterninha. Amador no esporte, formou-se em contabilidade, guardou a pelota da sua última partida na Colmeia do Trabalho e bandeou-se para trabalhar no Frigorífico de Três Passos em 1954.

Gremista, corinthiano e vascaíno, resquícios duma época em que o rádio fazia interioranos elegerem equipes do centro do país para torcer, divertia-se em desenhar escudos dos times e caricaturar os ídolos. Capaz de recitar de memória a escalação inteira da Seleção Brasileira do Maracanazo, foi a Três Passos e levou o futebolismo impregnado até a medula. Lá, viu clubes nascerem e morrerem. Fê-lo dentro do palco, com o olhar de quem participa, e não como um espectador inerte. Se o município abrangia toda a Região Celeiro, incluindo em seu território as áreas das atuais Santo Augusto, Chiapetta, Coronel Bicaco, Campo Novo, Redentora, Miraguaí, Boa Vista do Buricá, Humaitá e Crissiumal, no futebol os nomes eram só dois: Minuano e Juventus.

O gélido Minuano cortava as campinas três-passenses com mais destaque. Em 1955 e 1956 conquistou os dois primeiros títulos da cidade, e por aquela época já vencera também a Chave Amarela do Gauchão de Amadores, antes de ser eliminado pelo forte Internacional de São Borja, nos mata-matas (derrotas por 3 a 2 fora de casa e 1 a 4 em Três Passos). Então uma fase preliminar do estadual da categoria, a série Amarela era disputada contra o Oriental de Três de Maio, o Juventus de Santa Rosa e o campeão de Santo Ângelo, definido nos triangulares entre Tamoio, Elite e Grêmio Santo-Angelense. Fosse uns anos mais tarde, o clube poderia se dizer campeão do Rio Grande – em 1959 os grupos coloridos seriam transformados cada qual num campeonato independente, divisão mantida até 1970.

No Estádio Municipal Eurico Lara, antigo nome do campo utilizado ainda hoje para o futebol em Três Passos, o Minuano de Garbinato recebeu quadros de todos os cantos do Estado, incluindo o Juventude de Caxias do Sul e o Nacional de Porto Alegre, que contava com o lateral Ortunho, mais tarde herói no Grêmio. Acostumou-se às conquistas contra equipes de fora do país – em casa, com um 5 a 2, venceu o Torneio Banco Agrícola diante dos argentinos dum certo Guarany de Oberá; da cidade de El Soberbio, na Província de Misiones, voltou com o troféu da competição comemorativa ao terceiro aniversário do quadro local. Aí, de um golpe só, sumiram o Minuano e o Juventus. Como numa festa em que a música para no melhor momento, a administração municipal decidiu reformar o estádio, deixou os dois sem ter onde jogar e, como as obras não terminassem, os esféricos de couro murcharam por toda a Três Passos querida.
“O futebol no interior não tem como ficar vivo sempre”, lamenta Garbinato, “mas a gente procurava evitar que ele parasse”. E que lugar melhor que a VÁRZEA para recuperar o espírito? Foi jogando nos campos de terra do município que o futebol voltou. Marcas registradas do Frigorífico de Três Passos, a Missioneira e o Corcovado ressurgiram por seus funcionários como clubes esportivos. Logo os times eram formados por mais pessoas do que apenas trabalhadores do frigorífico. Sem substituições permitidas pela regra, montavam-se quadros de aspirantes, para que os reservas atuassem. O time com referência às Missões foi mais longe do que o que remetia ao Rio: enquanto o Corcovado encerraria suas atividades, o Missioneiro conquistou um tricampeonato citadino entre 1960 e 1962, filiou-se à Federação Riograndense de Futebol e reeditou as glórias da cidade no estadual de amadores – em 1962, saiu vice-campeão da Série Amarela (agora um campeonato próprio), derrotado na decisão pelo América de Tapera, com um empate em casa e uma derrota por 1 a 0 fora, porque “o goleiro titular não jogou lá”. A taça desse vice-campeonato, seu Luiz também a guarda.

A cidade incendiou-se novamente em paixão, até Juventus e Minuano retornaram. Por alguns anos, enfrentaram-se os dois, mais o Missioneiro, no citadino. Questionou-se se não valia a pena partir para o profissionalismo, unindo forças. No início de 1966, representantes de cada clube foram convidados para uma reunião que discutiria o tema. Garbinato se opôs: com um time só não haveria motivação, nem rivalidade, mas foi voto vencido. Em fevereiro, a fusão do trio três-passense deu origem ao Três Passos Atlético Clube, o TAC. Nas cores, o rompimento das ligações com o passado ficava explícito: para não tomar nenhum partido, aboliram o vermelho do Juventus, o azul do Minuano, o verde do Missioneiro e o branco de todos eles. A nova equipe vestiria amarelo e preto, ao estilo do Peñarol. Mas o profissionalismo era só até a metade. Com exceção de uns poucos privilegiados de mais nome, a maioria dos jogadores precisava de outros empregos para viver – quando se contratava um atleta de fora, a regra de ouro dos diretores do futebol era, antes, assegurar-lhe um lugar no setor de serviços da cidade.
De cima para baixo e da esquerda pra direita: Juventus, Missioneiro, Minuano e TAC, em uma das suas primeiras formações

O entusiasmo dos primeiros anos levaria o TAC a conquistar a Terceira Divisão do Rio Grande do Sul em 1969. Luiz Garbinato, que, apesar de contrário à fusão, seguiu apoiando o time, viu seus temores virarem reais pouco tempo depois. Os anos passavam e a comunidade se afastava. O dinheiro faltou. Nas cabeças do clube, jogava-se na loteria esportiva para tentar ganhar algum dinheiro e salvá-lo. Luiz de Medeiros, o dirigente visionário que após a morte seria homenageado substituindo o nome de Eurico Lara no estádio local, via seus projetos de investimento na estrutura da agremiação se complicarem dramaticamente. A justiça nomeou uma comissão interventora de três pessoas para tentar mudar o destino do clube que já não podia se manter – Garbinato foi o tesoureiro da comissão, cuja missão era administrar o dinheiro enviado pela Secretaria da Educação para a construção de um ginásio nas cercanias do estádio, e sanar o déficit do TAC. As verbas do ginásio foram insuficientes – enquanto em Bagé, terra do presidente Emílio Garrastazu Médici, sobravam cruzeiros para construir o segundo maior ginásio do Rio Grande do Sul, em Três Passos foi preciso recorrer a outras fontes para conseguir cobrir a quadra.

Quanto ao TAC, a comissão conseguiu pagar as dívidas trabalhistas, mas o legado não foi além disso. O estádio, doado pela prefeitura ao clube no momento da sua fundação, foi devolvido à administração municipal, e assim segue até hoje. O futebol da cidade desapareceu por anos. Em 1986 um espectro do Minuano tentou retornar sozinho ao cenário futebolístico, mas a ideia morreu no parto. Três anos depois, quando Garbinato deixou Três Passos para voltar à Ijuí em que vive atualmente, o TAC ensaiava um regresso, que não durou meia dúzia de temporadas. Sua última volta ao profissionalismo só aconteceu nesta década, em 2005, e por iniciativa de pessoas que Luiz Garbinato desconhece. Só sabe que fizeram bem. Respeita os abnegados que batalham para manter o futebol interiorano, como ele sempre fez: “eu era aquele cara que, no dia do jogo, ia abrir o estádio, botava a bilheteria a funcionar, e depois fardava e entrava em campo”.

Neste sábado o guerreiro TAC de 2009, cuja campanha surpreende aos mais INCAUTOS, recebe o São Paulo de Rio Grande em mais uma rodada da Segundona Gaúcha. Uma vitória pavimenta o caminho rumo à próxima fase. Garbinato não estará lá. Nunca mais foi a um jogo do time, embora tenha vontade de observar como as coisas andam, tanto tempo depois. Guardião de uma história que muitos desconhecem, sonha em ver, um dia, todo o seu acervo exposto num Museu do Esporte, de preferência em Três Passos. Mas quer algo sério, para que todos os torcedores possam ter acesso. Para que os antigos recordem as jornadas de antanho e os mais novos compreendam a luta e a grandeza ocultas que há em cada time do interior. Enquanto não lhe oferecerem garantias, suspeita que seu material reunido ao longo de uma vida ficará em mãos inconfiáveis, desvalorizado num canto. Até que se aprenda a preservar a memória, a mágica caixa de papelão do seu Luiz será o lugar mais seguro para tamanha riqueza.Todos os links (trechos do texto em negrito e preto) levam para mais fotos.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Nossos corações divididos

Quarenta mil almas no Olímpico. Quarenta mil corações. Oitenta mil átrios e oitenta mil ventrículos, dilatados e contraídos em diástoles e sístoles DESCOMPASSADAS. Nos livros escolares de biologia, aprende-se que há dois tipos de sangue circulando pelo coração. Para se diferenciarem de forma LÚDICA, costumam ser representados com cores ANTAGÔNICAS: o arterial, rico em oxigênio, é sempre vermelho; o venoso, AFOGADO em gás carbônico e que se encaminha de volta ao pulmão, é azul. O sangue não deixa de ter tonalidade rubra por mudar o tipo de gás que carrega, mas, se as cores fizessem sentido, não haveria explicação melhor para o que se passou com os corações gremistas na noite da quarta-feira.

Na mesma hora, Grêmio e Caracas pelas quartas-de-final da Libertadores, jogo de volta, e Corinthians e Internacional pela decisão da Copa do Brasil, ida. O estádio quase cheio em Porto Alegre, que minutos antes vibrara com a eliminação do Palmeiras diante do Nacional, na primeira passagem de um uruguaio às semifinais em VINTE ANOS, iniciou seu jogo acreditando na máxima do Arquivo X, de que a verdade estava lá fora. A preocupação de verdade, ao menos. No Olímpico os adversários eram apenas venezuelanos, com um 0 a 0 valendo para o Grêmio passar. Enganaram-se. Os venezuelanos, que por sinal não eram apenas venezuelanos, mas os melhores venezuelanos da história da Copa, seja lá o que isso signifique, TURVARAM mais o futuro tricolor do que a fumaça dos sinalizadores fez com a visibilidade do campo ao PRINCIPIAR da partida.

Pela frieza dos lances, o Grêmio criou um pouco mais durante o transcorrer do embate. Comparando expectativas geradas, porém, o Caracas fez muito mais. Se antes dos doze minutos Maxi López já havia perdido duas boas chances, antes dos quinze os da Venezuela demonstravam que não seriam uns defensores passivos, como os porto-alegrenses se habituaram a ver nesse seu andar MACIO pelas fases da Libertadores. Iam ao ataque com GARBO, rondando o arco defendido pelo reserva Marcelo Grohe. E não descuidavam a retaguarda. Montaram duas invencíveis linhas de quatro que mais pareciam as MURALHAS DE JERUSALÉM, e fizeram todas as reclamações gremistas do jogo anterior, as de que o gramado de Caracas era um potreiro, resultarem ridículas – no TAPETE do Olímpico os onze tricolores voltavam a ser incapazes de tocar a pelota no chão, condenados a ESTÉREIS ligações diretas.

O juiz Carlos Torres também contribuía para aumentar a INQUIETUDE sobre os degraus de concreto da Azenha. Mostrando novamente que não se encontram mais arbitragens típicas de Libertadores numa Libertadores, o paraguaio via infrações em cutucões inocentes que qualquer apitador de Segundona Gaúcha ignoraria e, sem deixar as MAÇÃS DO ROSTO mais ruborizadas por isso, marcava faltas até onde não havia contato. Deve ter estranhado que uma dessas faltas inexistentes, supostamente cometida por Maxi no meio de campo, gerou reações acaloradas da torcida local. Se soubesse o que acontecia fora do Olímpico, só poderia intuir que aquelas reclamações convertidas em vibração generalizada nasciam de um gol a milhares de quilômetros dali. Quando os cronômetros de Porto Alegre corriam no 25º minuto, o Corinthians fazia 1 a 0 em São Paulo.

Alguns torcedores, suficientemente AQUECIDOS A ÁCOOL para tirar a camisa e ignorar os cerca de dez graus da noite, estenderam seus berros além do resto, felizes. Que importava se o Grêmio continuava lamentável? O Inter perdendo uma final é coisa que só aconteceu uma vez na década – e naquele Gauchão de 2006 nem houve derrota, já que o título gremista foi conquistado com dois empates. A parte do coração que batia interessada no vermelho era a única que ganhara algum alento quando o jogo do Olímpico atingiu o intervalo. No meio-tempo, das cadeiras cativas, despencavam papeizinhos clamando por acessos a um vídeo sobre um certo “Impostor no Olímpico”. O nome que mais parecia ser de uma CONSPIRAÇÃO OPOSICIONISTA revelou-se uma mera campanha de associação. Mas quem quisesse ver impostores não precisava achar um computador e catar o YouTube. Estavam todos ali em campo, e vestiam azul, negro e branco.

“Onde está a raça desse time?”, perguntou-se muito durante a partida inteira. Sumida. Resquícios dela apareciam em três jogadores: Adílson, implacável na marcação e de boas subidas, Tcheco, distribuindo passes como nenhum outro logrou, e Maxi, o que salvava o ataque tricolor da inação completa. O Caracas voltou dos vestiários acumulando chances e jogando melhor, preocupando uma torcida que, cansada, pediria um quarto pendão de raça, mas nem os seus mais promissores ataques eram salvos do DESPREZO ABSOLUTO diante de certas notícias do Pacaembu. Aos 51 minutos os venezuelanos tinham uma falta ao lado da área gremista, perigosa, e o Olímpico foi tomado pela segunda grande onda de cantorias entusiasmadas. Ronaldo, segundo gritavam os tricolores, fazia a parte do coração preocupada com o vermelho realizar suas funções com mais vigor, agora com a informação da derrota colorada por 2 a 0.

O lado azul do músculo cardíaco, no entanto, continuou doído. Herrera, o quarto RAÇUDO, pareceu o Herrera de 2006. Deu outra cara ao jogo. Um espírito copeiro, contrastando com a moleza da maior parte do time. Em seu primeiro toque na bola, GAMBETEOU um marcador e cruzou para a área, fazendo mais do que o Alex Mineiro que substituiu fizera até então. Verdadeiro PONTEIRO pela direita, daria outros bons passes e cruzamentos, incluindo um que deve ter feito Maxi López voltar para casa pasmo e, antes de se deitar, perguntar para a Wanda Nara como foi possível ter errado. Errando, e com isso sustentando o 0 a 0, o Grêmio permitiu aos caraqueños o sonho até o fim. Aos 84 minutos, num cruzamento à área, Barone e Castellín subiram para cabecear e, com Grohe batido, atrapalharam-se mutuamente, mandando para fora a melhor chance da partida. Um lance tão claro que o treinador Noel Sanvicente chegou a comemorar antes de ver que a bola tinha saído.

Quatro minutos mais tarde, brincando de fazer linha de impedimento na HORA CRÍTICA do jogo, os de Porto Alegre só faltaram gritar “toma, faz” para Cichero. Lançado livre na área gremista, o jogador do Caracas demorou MILÊNIOS para decidir o que fazia com a pelota e deixou que um carrinho desesperado de Réver evitasse a CATÁSTROFE. Seguia perigoso. Àquela altura o Grêmio era só defesa, onze atletas mantendo um 0 a 0 como time pequeno, contra venezuelanos, em casa, porque era isso que lhes bastava para ir às semifinais. A torcida tricolor está acostumada às Copas, a jogar pelo regulamento, e aceita. Mas não quer dizer que não fique TRÊMULA até o fim. Quando a Geral começou a anunciar pingos de amor, o grito do resto do estádio saiu fraco, ainda em dúvida se aquela chuva viria mesmo ou o desastre faria os corações azuis abandonarem o recinto com ódio.

Mas na hora do “Grêmio, Grêmio, seremos campeões da América”, o jogo do Inter já havia acabado, e o Olímpico inteiro cantou. Prenunciava o empate classificador, confirmado poucos minutos depois. A lógica agora diz que o Grêmio, tão mal ontem, perderá a sua invencibilidade na Libertadores na próxima partida, quando enfrentará algum brasileiro fora de casa – São Paulo ou Cruzeiro. A lógica também afirma que o Inter está perdido – ninguém, em vinte edições de Copa do Brasil, remontou um 2 a 0 em final. Mas a lógica é um LUXO dispensável quando corações se dividem, levam gremistas ao Olímpico carregando adereços corinthianos e fazem eles saírem de lá, após um empate nulo do seu time, dizendo que o resultado daquela noite foi “dois a zero pra nós”.

Todas as fotos são minhas.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Milonga de uma estância antiga

O Bagé que invadiu o campo dos Eucaliptos com flamantes e significativas listras aurinegras – o mesmo quadro que EMPILHOU soberanos 31 pontos na primeira fase – é, hoje, um time incerto. Cambaleou e caiu diante do onze alvo (mais um que aderiu ao branco no uniforme) do Riograndense, no domingo, dia em que TRUNCOU a sua classificação à etapa SEMI-FATAL do certame. O 2-1, disputado segundo a segundo, carrinho a carrinho, foi das mais dignas apresentações registradas neste profundo lodaçal que é a Segundona.

Iniciou pulando agressivamente, o mágico esférico dono do PODER de propiciar GRITOS. A pelota voava da área do Bagé ao terreno defensivo dos locais, atingindo o duro gramado santa-mariense e tornando o match impróprio para a prática do tiki-tiki e de OUSADIAS semelhantes. Os fronteiriços trataram desde o princípio de municiar o atacante Marcelinho, maior goleador do campeonato até aqui, que vagava como um sorrateiro LADRÃO DE ESTRADA entre os viris defensores da cidadela rubro-esmeralda - recentemente PICHADA de branco. Os periquitos também anunciaram as suas armas: apostar na velocidade e na bravura do PONTEIRO Giovani, capaz de encontrar o jubiloso pé do centroavante Juninho Laguna em algum escaninho da grande área.

Tarefas das mais complexas, as pretendidas pelos quadros no domingo. Encardidas, até. Porque não é driblando que um ofensivo mais faceiro superará toda a VIVÊNCIA de um Darzone ou de um Aládio, as duas PAREDES que sustentavam o baluarte do Grêmio Bagé. Giovani até tentou, enfrentou com velocidade a rigidez defensiva consolidada por intermináveis anos de Segundona presentes nos assustadores nomes já citados. Os frutos não foram dos mais proveitosos, porém. E para alargar as complicações, Bonaldi, o defensor mais sério já encontrado no infindo HORIZONTE pampeano, resolveu passar SEM OLHAR nas proximidades da área defendida por Douglas. O infortúnio não foi perdoado pelos eternamente destemidos filhos de Bagé. Marcelinho, o homem-gol, agradeceu o presente e transformou a bobeada de Bonaldi no doído 0-1.

Eis que, adocicado com a prococe vantagem, o jalde-negro de número oito, nomeado de HÉBERSON por sua mãe, vira-se para a multidão aglomerada na tela e INCITA. Irados com o gesto JUVENIL do defensor bajeense, os torcedores ATINGIDOS pela provocação marcaram o número do rapaz. A cada toque na pelota, brados de “é esse!” (com o significado futebolístico de: “QUEBREM!”) ecoavam pela cancha. Héberson colaborava com o delírio coletivo colecionando passes e lançamentos desastrosos. Mas rir da desgraça particular do número oito era muito pouco para quem foi aos Eucaliptos esperançoso. E a realização da tarde ensolorada passava, inescapavelmente, por uma vitória sobre o Bagé. E então o Riograndense decidiu que venceria.

Ainda restava um quarto de hora para o término da primeira etapa, quando Vainer, o lateral-esquerdo que vestia a mítica 10, tratou de sugerir uma nova alternativa para penetrar nos domínios mais recônditos dos FORJADOS na Pedra Moura: cruzar bolas para a área, centrar bolas para a área, jogar bolas para a área. Simples. Pressionar com chuveirinhos ao som da EMOÇÃO que pairava nas tribunas. E foi Vainer quem, dois minutos depois da punhalada de Marcelinho, encontrou a cabeça de Rangel quase dentro do gol do inseguro Fernando. Empate, festejos mil, urros para o (não esquecido) número oito e a primeira narração de um gol do Riograndense diretamente das cabines de imprensa reinauguradas - as famosas janelas que despertavam a curiosidade dos FORASTEIROS, insanos que juravam acreditar que tudo não passava de um depósito de PÓLVORA para um eventual distúrbio platino.

O 1-1 reformulava o sistema de ataque do Grandense. O Bagé, já sem os louros de estar vencendo, não tinha mais motivos EMPÍRICOS para prosseguir com o modo retranca. Posicionou-se mais a frente e reestabeleceu as possibilidades de Giovani fazer CORRERIA. Devidamente habituado com a sutileza de Darzone, o baixinho evitou o confronto direto com a zaga central. Tratou de iludir os laterais, arrancando para a linha de fundo com a FÚRIA peculiar dos vitoriosos. Giovani correu milhas, bateu de frente com os armários da defesa do Bagé, esfolou-se na grama rala dos Eucaliptos e não encontrou a jogada sonhada.

Simultaneamente, Juninho Laguna, o centroavante, evitava movimentos mais BRUSCOS. Alheio ao SOFRIMENTO COLETIVO dos demais, esperava por um improvável cruzamento perfeito. Até que uma epifania o despertou. Aos trinta e um do primeiro tempo, Vainer tentou alcançar Laguna pela vigésima vez. A pelota encontraria as SÔFREGAS mãos de Fernando, mas Juninho buscou o choque. Moveu-se. Pulou com o arqueiro, que, novamente, soltou a redonda. E Juninho, com seu desinteresse goleador, enviou-a para os cordões como quem descasca uma bergamota que não oferece verdadeiras resistências: 2-1.

Os minutos restantes da primeira etapa foram de uma dominação monumental dos dois volantes do Periquito – os melhores jogadores em campo. Bi e André Tereza desarmavam com devoção, passavam com rapidez e erguiam suas chuteiras no décimo degrau do pavilhão, se necessário. Asseguraram a completa PAZ defensiva até que os últimos raios do ASTRO-REI determinassem a chegada do intervalo. Os quinze momentos estratégicos foram, é provável, de nervosas instruções no vestiário visitante. Aos suplentes que quedaram em campo, como o sul-coreano Sun Bo, para sermos mais específicos, a ocasião foi propícia para RELAXAR.

Na volta à cancha, não houve imediata inversão de tendências: os ferroviários seguiram agressivos, construindo chances, dinamizando o ESPETÁCULO e...arruinando tudo o que fizeram ao perder tentos absolutamente incríveis. Giovani, ele de novo, teve a mais clara. Venceu carrera pela banda direita e, quando bastava sobrepujar o aflito arqueiro, esperou a recuperação do zagueiro para arriscar uma FINTA. A jogada ainda carece de demoradas explicações. Laguna também falhou em finalizações que findaram nos pálidos braços de Fernando. Da ineficiência verde, brotava o entusiasmo ainda inexistente para os comandados por Luís Clóvis Lemos. O Grêmio Bagé tratou de ser ameaçador como indica a fama, fato que valorizou por completo o embate. Em determinado instante, os quadros estavam tão alucinados em lograr a vitória que ENORME PARTE da torcida que ouvia o confronto pelo rádio cansou de penar e ESCALOU o estádio para verificar se tudo aquilo era VERÍDICO.

Esses, os invasores, puderam presenciar a bizarra expulsão do, veja só, nobre camisa oito. Héberson esfacelou-se no chão após MANHOSA cama-de-gato de Juninho Laguna. O árbitro apontou falta, o que não o impediu de proferir meia dúzia de desaforos à arbitragem. João Carlos dos Santos o expurgou de imediato. A mui leal e valorosa Brigada Militar precisou adentrar o campo para proteger a integridade física e INTELECTUAL do apitador, ameaçado por bajeenses em chamas. A desvantagem, agora também numérica, parece ter incendiado o ímpeto JUSTICEIRO das abelhas. O Bagé insistiu e reclamou um pênalti não marcado nos acréscimos. Bonaldi, tratando de reconstruir a sua honra, EMBICOU a última bola do jogo para a lateral, bradando algo como “triunfei, carajo” na linguagem dos grandes capitães.

A partida do Bagé não foi exatamente ruim. Mesmo correndo atrás do Riograndense durante boa parte dos minutos, o aurinegro só padeceu defensivamente quando Darzone, muito em função do cansaço, mostrou-se entre capenga e assustado na segunda etapa. A derrota não foi trágica e muito menos era tida como impensável. O problema reside na tabela. Outro aurinegro, o TAC, divide a vice-liderança da chave com o Bagé. O confronto direto pelo returno será em Três Passos. Cair na segunda fase seria uma baixa inadmissível para o Bagé, tanto pelo elenco que montou quando pela brilhante campanha na fase inaugural. O absurdo, porém, não parece muito distante. E só se afastará se, no próximo domingo, o jalde-negro bater o mesmo Riograndense (praticamente classificado) na Pedra Moura. Outra batalha, outra milonga.

A quarta foto é de Maurício Brum. As demais, minhas.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Derramar sangue não valeu vitória (desta vez)

Colaboração especial de Mírian Socal Barradas
(texto e fotos)

ALEGRETE - Domingo de feriadão, sol e temperatura agradável na 3ª capital farroupilha. Um belo cenário para a peleia entre o anfitrião Flamengo, lutando para sair da lanterna da chave 6, e o farroupilhense Brasil, então em terceiro lugar na chave. Com Marcão, Diogo, Maikel, Robinho, Fábio, Diego, Alisson Baiano, Rodrigo Gasolina, Tiagão, Daivid e Fábio Kulman, comandados por Ciro Leães, vinha o Flamenguinho, tentando aproveitar o fator local para conquistar sua primeira vitória na segunda fase. Quando o Brasil, com Marco, Rogerinho, Thiago Martins, Luther, Jean, Diego Borges, Sandro Fraga, Diógenes, Marcio Silveira, Eliomar e Gavião, entra em campo no Estádio Farroupilha, percebem-se, ademais dos clássicos gritos e xingamentos da torcida local, consideráveis aplausos ao time da serra. No entanto, tal amigável recepção é, naturalmente, logo posta de lado. Começava assim o confronto, com o pontapé inicial rubro-negro.

O primeiro lance metido a perigoso do time da casa surge já aos primeiros minutos de partida, quando Alisson Baiano cobra falta direto para Fábio que, entretanto, cabeceia para fora. Não tão perigosa foi a cobrança de Diego – vulgo Mortadela -, não assustando o goleiro Marco, que agarrou a pelota com tranqüilidade.

A narração da rádio farroupilhense que escuto das confortáveis cadeiras dos pavilhões começa a reclamar de excesso de faltas a favor do time da casa – “só encostar que dá falta” - e de descritério do juiz. Também a torcida flamenguista começa a protestar: primeiro, quando a organizada atrás do gol de Marcão solta foguetes; depois, quando Alisson Baiano sofre violenta falta; e, ainda, quando Diego tenta propiciar um espetáculo de dribles mas só consegue perder a bola.

Então, a partida resume-se a chutões pra frente. As (escassas) oportunidades de gol vêm de bola parada – vide a falta na intermediária, favorável ao visitante, bisonhamente cobrada por Diógenes, e o próprio gol do Flamengo, autoria, de pênalti, de Fábio Kulman. Ainda nesse lance, Thiago Martins acaba recebendo cartão amarelo por reclamação.

Contudo, após sofrer o gol, o Brasil começa a oferecer perigo, como na falta lateral cobrada por Diógenes direto no canto esquerdo do gol de Marcão e – também Diógenes – sofre a falta a um metro da meia-lua, o que se converte em uma grande defesa do goleiro da casa. As chances do Flamengo rareiam, sendo, provavelmente, o contra-ataque formado por Diego que, porém, vai parar tranqüilamente nas mãos de Marco, o melhor lance do time da casa a essa altura da partida. Assim, ao som da TO rubro-negra tocando Ana Júlia e Brasília Amarela – além do INFALTÁVEL Canto Alegretense – termina o primeiro tempo.
O que mais tivemos na partida: entreveros

A segunda etapa já começa pegando fogo (ui!). Logo no primeiro minuto, Tiagão dá um soco em Jean – chamado pelo senhor ao meu lado de “avestruz” - e é expulso, com todo o entrevero que a ocasião pede. Com um a menos, a equipe alegretense começa a se fechar e ter medo de ir ao ataque, levando um gol – anulado por impedimento – de autoria de Diógenes. E ainda, nesse ponto do jogo, preciso me preocupar com o piá ao lado xeretando minhas, admito, esquisitas anotações. Porém, tanto eu quanto ele acabamos nos distraindo com mais uma embolação dentro de campo: Sandro Fraga havia acotovelado Fábio Kulman na boca. Sangue! Era o que faltava para ser um jogo completo de Segundona. Assim, entra Leandrinho para substituir o agredido.

A retranca do Flamengo começa a surtir efeito – negativo, obviamente. Aos vinte-e-poucos-minutos do segundo tempo, Gavião marca para o time visitante, levando o narrador da rádio farroupilhense atrás de mim ao delírio e a torcida flamenguista a muitas reclamações. Depois, o jogo começa a esfriar novamente: mais uma vez, as melhores chances vieram de bola parada – Fábio chuta com força no meio do gol do Brasil; sem impedir, no entanto, que Marco espalme para fora. Alisson Baiano cobra uma na barreira. Após escanteio cobrado pelo mesmo Alisson Baiano, Fábio chuta pra fora.

Assim, após um jogo repleto de passes errados e de poucos lances realmente perigosos, o Brasil comemora o empate fora de casa; já o Flamengo amarga seu segundo empate na segunda fase, sua ausência de vitórias e a desesperança quanto à classificação à próxima fase. A torcida flamenguista busca explicações – que, dessa vez, não podem passar sequer perto do terreno da arbitragem.