sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Estudiantes 4-3 Sporting Cristal

Ficha do jogo:
Copa Libertadores da América 2006 - Primeira fase
21/02/2006
Estádio Centenário, Quilmes
Estudiantes de La Plata (ARG) 4-3 Sporting Cristal (PER)
Gols: Jorge Soto 18' (SC), Amilton Prado 33' (SC), Jorge Soto 38' (SC); Calderón 56' (E), Calderón 66' (E), Pavone 79' (E), Pablo Lugüercio 90' (E)

Prova concreta da mística ''pincha'', em um ano que se tornaria um dos mais gloriosos da memória do clube, com a conquista do Apertura de forma épica, a volta de Verón e a reconquista do respeito na América do Sul.

Uma noite para reviver os confrontos ''coperos'' de outrora, já que o velho e forte Estudiantes de La Plata estava de volta ao seu lugar, de volta à Copa Libertadores da América. Os platenses já têm sua história gravada na taça mais cobiçada do continente. O tricampeonato (68, 69 e 70) conquistado de forma brilhante e consecutiva transformou o clube em um gigante americano, e tamanha mística teria efeito até nos dias atuais.

Caravanas migraram de La Plata até Quilmes com a ilusão de um jogo sem maiores dificuldades diante de um adversário bem menos tradicional e sem a mesma qualidade. Porém, a noite reservava ''algo mais''. Com uma atuação inesperada, o Sporting Cristal abriu 0-3 no primeiro tempo, praticando um futebol que não era visto em uma equipe do Peru há muitos anos: simplesmente atropelou um Estudiantes perplexo.

De volta ao campo, o Estudiantes parecia querer recordar (e salvar) as gloriosas páginas do passado que, embora empoeiradas, estavam vivas. Como não poderia ser diferente, partiu para amassar os andinos no campo de ataque. Mariano Pavone e o folclórico centroavante Calderón buscavam na transpiração o gol que daria o ânimo necessário para aspirar a façanha - e que mudaria a história da partida. Bola alçada na área, um retrato do desespero, e pênalti para os argentinos em uma falha do zagueiro peruano. Calderón, com a precisão de quem é goleador há mais de uma década, diminuiu: 1-3.

Vantagem reduzida, torcida incendiando e a histórica garra presente em cada chuteira: o Estudiantes, enfim, acordou e marchava rumo a virada. O segundo grito ''pincha'' nasceu na tabela entre os dois atacantes. Um balaço de pé esquerdo do mesmo Calderón estufou as redes do agora assustado goleiro do Cristal: 2-3, golaço. A diferença já era mínima e os visitantes, meros defensores rezando para que a partida acabasse logo. A virada, antes absurda, estava tomando forma e já parecia impossível evitá-la.

Com mais tranqüilidade e praticando um futebol mais lúcido, o Estudiantes criava situações com toque de bola e foi (quase) assim que ''El Tanque'' Pavone, grande revelação das categorias de base nos últimos anos, hoje no Real Betis, igualou o placar e decretou a imortalidade do confronto. Os três gols já ''remontados'' seriam suficientes para entrarem para a história da competição e serem lembrados por diversos anos, mas não era o bastante. Em casa, os leões de La Plata precisavam ganhar.

O time seguiu no ataque, mas o gol heróico tardava em chegar. A aflição estava no rosto de qualquer torcedor no estádio, e até o mais alheio dos espectadores que observava a partida pela TV se empolgou. Aos 45 minutos do segundo tempo, um escanteio batido às pressas encontrou Calderón quase sem ângulo, que não hesitou e disparou de canhota. O alucinado arqueiro até saltou, mas a bola encontrou Lugüercio que de carrinho contemplou a fortuna. O 4-3, afinal, chegou.

***

A remontada, porém, aconteceu ''apenas'' na primeira fase da Copa Libertadores. Ela foi escolhida por ser o melhor retrato do fantástico ano que o Estudiantes viveu. O mais glorioso de sua história moderna, ouso dizer. Na Libertadores, a equipe avançou até as quartas-de-final e caiu para o finalista e favorito São Paulo, nos pênaltis, com uma arbitragem duvidosa.

Entrou respeitado no Apertura argentino e repatriou Juan Sebástian Verón, um dos grandes que vestiram a ''celeste y blanca'' e filho de quem foi possivelmente o maior jogador que La Plata já viu, ''La Bruja'' Verón. Diego Simeone substituiu Burruchaga, o treinador do primeiro semestre.

Os leões enfileiraram 10 vitórias consecutivas e pelearam até o fim para alcançar o Boca Juniors que, para muitos, já era campeão com três rodadas de antecedência. O Estudiantes empatou em pontos na última partida, de forma épica, forçando o desempate, que venceu com a mesma bravura: 2-1, no estádio do Vélez Sarsfield, com direito a golaço de Pavone e fim do tabu de 23 anos sem ser campeão nacional. O coração que não parou mesmo com a grande desvantagem de pontos no campeonato era o mesmo que bateu até o fim naquela memorável noite de fevereiro.



Um comentário:

Alvaro Cabrera disse...

Amigo Iuri, excelente la nueva sección, disculpa la demora de mi respuesta, me encantaría escribir sobre las grandes remontadas del Club Atlético Peñarol para que tu publiques en Futebesteirol. Sería un placer, eso sí, no puedo hacerlo hasta dentro de dos o tres semanas ya que no dispongo del tiempo suficiente para entregarte un material digno de la calidad de este blog.
Un abrazo, seguimos en contacto.