Parte 3 - A Libertadores de 1992 e o Criciúma hoje

Para sua empreitada continental, o clube promoveu campanhas de associação, obteve ajuda com o governo para ampli

A estréia foi no dia 6 de março daquele ano, diante do poderoso São Paulo, de Telê Santana, vencedor do Campeonato Brasileiro do ano anterior. Acreditando num jogo fácil, Telê poupou as estrelas Raí e Cafu, num erro que tentaria consertar, em vão, mais tarde. O Criciúma estava arrasador e motivado. Sem tomar conhecimento do tricolor paulista, o time catarinense foi marcando seus gols, através de Jairo Lenzi, Gélson e Adílson Gomes. Final de jogo no Heriberto Hülse com um massacrante 3-0 para o Criciúma, seguido de uma festa delirante por parte da torcida.
O caminho começava a ser trilhado com glórias, mas logo na seqüência viria a parte mais difícil da campanha: três jogos consecutivos fora de casa – sendo os dois primeiros fora do Brasil. Estas seriam as primeiras partidas internacionais oficiais da história do Criciúma – e de um clube catarinense. Ambas foram disputadas na altitude boliviana. Na primeira pa

Tropeço cruel, que a equipe catarinense sabia que precisava superar nos dois confrontos em casa que se seguiriam. E o fez com maestria: um 5-0 espetacular sobre o San José, com direito a hat-trick de Everaldo – os outros gols foram marcados por Jairo Lenzi e Adílson Gomes – e depois, no último jogo da primeira fase, diante do Bolívar, uma vitória mais apertada, mas não menos festejada: 2-1, que garantia ao Criciúma o primeiro lugar do grupo na Libertadores, em uma belíssima campanha de 4 vitórias e apenas 1 derrota, em 6 jogos. Algo surpreendente, considerando-se que o time fazia sua estréia e, principalmente, que estava no mesmo grupo do famigerado São Paulo.
Com a classificação à segunda fase, o Criciúma já entrava num espírito de “fizemos o essencial, e o que vier a partir de agora é lucro”. Mas muita coisa ainda viria! Na fase seguinte, as oitavas-de-final, os catarinenses jogaram diante do peruano Sporting Cristal. Foram dois jogos tensos, mas que mostraram toda a superio

Nas quartas-de-final, porém, o caminho começou a ficar estreito. O adversário seria novamente o São Paulo e, os paulistas, ao contrário dos catarinenses, tinham aspirações muito maiores do que superar as fases iniciais. O Criciúma sabia disso, mas nem assim se acovardou. Na partida de ida, no Morumbi, o tricolor paulista obteve uma vantagem pequena, por 1-0, gol de Macedo – num jogo que o time de Levir Culpi soube conter o adversário durante o tempo inteiro, só cedendo o placar após ter um jogador expulso. Mesmo assim, o resultado permitia ao Criciúma sonhar com algo mais na partida de volta. Marcado para o dia 20 de maio de 1992, o segundo confronto daquelas quartas-de-final de Libertadores teve todos os ingredientes para entrar na história. Ânimos acirrados que vieram desde antes da partida, com declarações de Telê Santana classificando a partida como de “alto risco”, interpretada pelos catarinenses como uma crítica à sua civilidade e à segurança em Criciúma. Além disso, o clube catarinense estava revoltoso, acusando a CBF de obrigá-lo jogar quatro vezes em oito dias, desgastando ume equipe que tinha um elenco pequeno, para favorecer os paulistas. Apesar de tudo, o que se viu em campo foi um grande espetáculo, e um Criciúma que honrou o

Se a fase mais destacada passou, as glórias do Criciúma não pararam de ser acumuladas após aquela competição. Um mês depois da eliminação, o time garantia seu acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro, onde permaneceria de 1993 a 1997 (retornando posteriormente nas temporadas de 2003 e 2004). No âmbito estadual, o Criciúma seguiu glorioso, empilhando conquistas posteriores, em 1993, 1995, 1998 e 2005. Nacionalmente, o clube jamais perdeu o respeito adquirido nas mágicas temporadas narradas nesta série, sendo sempre temido onde quer que fosse. Glórias nacionais se repetiriam, com a conquista do Campeonato Brasileiro da Série B, em 2002, e da Série C, em 2006 – esta última tendo vindo após um período de oscilação entre as divisões brasileiras, e servindo para mostrar o poder de recuperação do clube.
Para 2007, o Criciúma vem forte, como costuma ocorrer, sendo novamente finalista do Campeonato Catarinense. O time também jogará a Série B do Campeonato Brasileiro, nutrindo o sonho de voltar à elite do futebol nacional – um lugar, que pode-se dizer, é seu, por direito.
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Com este post, encerramos a série que relembra os feitos espetaculares daquele grande Criciúma de 1991 e 1992. Se você perdeu as partes anteriores, não deixe de conferir:
• Parte 1 - O Futebol em Criciúma
• Parte 2 - A conquista do Brasil
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