segunda-feira, 30 de abril de 2007

O maior time catarinense de todos os tempos - Parte 3 de 3

Parte 3 - A Libertadores de 1992 e o Criciúma hoje
Começava a temporada de 1992. O Criciúma sonhava alto. No ano anterior, o tri-campeonato catarinense, conquistado ao final da temporada, somou-se à glória máxima de erguer a Copa do Brasil. Agora, aquele espetacular time queria fazer história nos gramados sul-americanos, pela Copa Libertadores da América.

Para sua empreitada continental, o clube promoveu campanhas de associação, obteve ajuda com o governo para ampliar seu estádio e buscou oferecer boas condições, para atrair reforços. Como nota ruim estava a saída do comandante Luiz Felipe Scolari: ciente que seu trabalho estava feito, o treinador deixou a equipe catarinense, em alta, cedendo espaço ao substituto Levir Culpi. A preparação intensa, promovida por Levir, visando o torneio sul-americano deu certo, e os catarinenses entraram com força total na competição.

A estréia foi no dia 6 de março daquele ano, diante do poderoso São Paulo, de Telê Santana, vencedor do Campeonato Brasileiro do ano anterior. Acreditando num jogo fácil, Telê poupou as estrelas Raí e Cafu, num erro que tentaria consertar, em vão, mais tarde. O Criciúma estava arrasador e motivado. Sem tomar conhecimento do tricolor paulista, o time catarinense foi marcando seus gols, através de Jairo Lenzi, Gélson e Adílson Gomes. Final de jogo no Heriberto Hülse com um massacrante 3-0 para o Criciúma, seguido de uma festa delirante por parte da torcida.

O caminho começava a ser trilhado com glórias, mas logo na seqüência viria a parte mais difícil da campanha: três jogos consecutivos fora de casa – sendo os dois primeiros fora do Brasil. Estas seriam as primeiras partidas internacionais oficiais da história do Criciúma – e de um clube catarinense. Ambas foram disputadas na altitude boliviana. Na primeira partida desta série, diante do San José de Oruro, no dia 24 de março, os catarinenses alcançaram uma sofrida vitória, por 2-1, com tentos de Gélson e Jairo Lenzi. Três dias depois, veio o outro jogo na Bolívia, agora diante do tradicional Bolívar: jogo complicado, empatado por 1-1 – num jogo em que o Criciúma saiu na frente, com gol de Jairo Lenzi, mas cedeu o resultado. Fechando a série de três partidas consecutivas, estava o mais difícil dos confrontos: diante do São Paulo, no Morumbi. Cansado pela maratona de jogos fora do Brasil (este seria o terceiro jogo do time no intervalo de uma semana, e ainda havia o desgaste da viagem), e enfrentando um tricolor paulista que queria vingança do massacre no primeiro jogo, o Criciúma não se encontrou em campo: resultado, 4-0 para os paulistas.

Tropeço cruel, que a equipe catarinense sabia que precisava superar nos dois confrontos em casa que se seguiriam. E o fez com maestria: um 5-0 espetacular sobre o San José, com direito a hat-trick de Everaldo – os outros gols foram marcados por Jairo Lenzi e Adílson Gomes – e depois, no último jogo da primeira fase, diante do Bolívar, uma vitória mais apertada, mas não menos festejada: 2-1, que garantia ao Criciúma o primeiro lugar do grupo na Libertadores, em uma belíssima campanha de 4 vitórias e apenas 1 derrota, em 6 jogos. Algo surpreendente, considerando-se que o time fazia sua estréia e, principalmente, que estava no mesmo grupo do famigerado São Paulo.

Com a classificação à segunda fase, o Criciúma já entrava num espírito de “fizemos o essencial, e o que vier a partir de agora é lucro”. Mas muita coisa ainda viria! Na fase seguinte, as oitavas-de-final, os catarinenses jogaram diante do peruano Sporting Cristal. Foram dois jogos tensos, mas que mostraram toda a superio
ridade do Criciúma: no Peru, vitória por 2-1 e, em Santa Catarina, novo resultado positivo, agora por 3-2. O clube superava mais um estágio na competição sul-americana e, para a sua própria surpresa, ia cada vez mais longe do que imaginava inicialmente.

Nas quartas-de-final, porém, o caminho começou a ficar estreito. O adversário seria novamente o São Paulo e, os paulistas, ao contrário dos catarinenses, tinham aspirações muito maiores do que superar as fases iniciais. O Criciúma sabia disso, mas nem assim se acovardou. Na partida de ida, no Morumbi, o tricolor paulista obteve uma vantagem pequena, por 1-0, gol de Macedo – num jogo que o time de Levir Culpi soube conter o adversário durante o tempo inteiro, só cedendo o placar após ter um jogador expulso. Mesmo assim, o resultado permitia ao Criciúma sonhar com algo mais na partida de volta. Marcado para o dia 20 de maio de 1992, o segundo confronto daquelas quartas-de-final de Libertadores teve todos os ingredientes para entrar na história. Ânimos acirrados que vieram desde antes da partida, com declarações de Telê Santana classificando a partida como de “alto risco”, interpretada pelos catarinenses como uma crítica à sua civilidade e à segurança em Criciúma. Além disso, o clube catarinense estava revoltoso, acusando a CBF de obrigá-lo jogar quatro vezes em oito dias, desgastando ume equipe que tinha um elenco pequeno, para favorecer os paulistas. Apesar de tudo, o que se viu em campo foi um grande espetáculo, e um Criciúma que honrou o
fato de ser considerado até hoje o melhor time catarinense da história. Sem se intimidar e jogando em casa, o time abriu a contagem e sustentou a vantagem de 1-0 até o intervalo do jogo. Contudo, cansado pela série de partidas que enfrentava, a equipe não conseguiu manter o ritmo na etapa final. Raí acabaria igualando a contagem em 1-1, e o São Paulo passaria de fase pelo resultado obtido no primeiro jogo. Empate e eliminação que doeram na torcida, mas não deixaram nenhum ar de decepção pairando sobre o Heriberto Hülse. Reconhecendo a epopéia daqueles onze heróis, os 21 mil torcedores que lotaram o estádio levantaram-se e aplaudiram sua equipe ao término do jogo, saudando os feitos daquela equipe lutadora. O Criciúma encerraria sua participação naquela Libertadores como 5º colocado, tendo sido o melhor time entre os que não passaram às semifinais.

Se a fase mais destacada passou, as glórias do Criciúma não pararam de ser acumuladas após aquela competição. Um mês depois da eliminação, o time garantia seu acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro, onde permaneceria de 1993 a 1997 (retornando posteriormente nas temporadas de 2003 e 2004). No âmbito estadual, o Criciúma seguiu glorioso, empilhando conquistas posteriores, em 1993, 1995, 1998 e 2005. Nacionalmente, o clube jamais perdeu o respeito adquirido nas mágicas temporadas narradas nesta série, sendo sempre temido onde quer que fosse. Glórias nacionais se repetiriam, com a conquista do Campeonato Brasileiro da Série B, em 2002, e da Série C, em 2006 – esta última tendo vindo após um período de oscilação entre as divisões brasileiras, e servindo para mostrar o poder de recuperação do clube.

Para 2007, o Criciúma vem forte, como costuma ocorrer, sendo novamente finalista do Campeonato Catarinense. O time também jogará a Série B do Campeonato Brasileiro, nutrindo o sonho de voltar à elite do futebol nacional – um lugar, que pode-se dizer, é seu, por direito.

***

Com este post, encerramos a série que relembra os feitos espetaculares daquele grande Criciúma de 1991 e 1992. Se você perdeu as partes anteriores, não deixe de conferir:

Parte 1 - O Futebol em Criciúma
Parte 2 - A conquista do Brasil

Libertadores - Quem passa das oitavas?

Fase de grupos encerrada e o clima real de Libertadores toma conta da competição. É matar ou morrer, sem resultados paralelos. O mata-mata que pode ressuscitar potências do passado, celebrar a organização do presente ou simplesmente premiar o mais competente. Confira quem passa e quem morre na praia na opinião do Futebesteirol.

Santos (BRA) x Caracas (VEN) - talvez o duelo mais fácil de se apontar um favorito. O Caracas, apesar de eliminar o poderoso River Plate na fase de grupos tem um time muito mais limitado que o Santos, que além da qualidade definirá em casa, no alçapão da Vila Belmiro. Santos passa, Zé Roberto e a competente defesa garantirão a vaga. Se a previsão se concretizar, o Caracas segue de parabéns. Raramente um venezuelo fez tanto.

Flamengo (BRA) x Defensor (URU) - mais difícil do que parece. O Defensor tem um ferrolho difícil de ser superado, e briga pelo título uruguaio. Se o Flamengo jogar uma partida 'alegrinha' e aberta demais, sofrerá. Muita atenção e seriedade garantem sim o clube carioca nas quartas-de-final porque tecnicamente é mais time do que o Defensor Sporting e sua tradicional camisa violeta.

Libertad (PAR) x Paraná (BRA) - complicado para os brasileiros. O Libertad é o melhor time paraguaio dos últimos anos, comprovou isso em 2006 e está provando em 2007 onde se classificou com folga para essa fase de mata-mata. A inspiração de Josiel será mais do que necessária para os paraneanses tentarem essa classificação inesperada. Para o blog, o Libertad segue na competição.

Toluca (MEX) x Cúcuta (COL) - o Grêmio ficou em primeiro lugar no Grupo 3, mas foi o Cúcuta quem apresentou o melhor futebol. O panamenho Blas Pérez é matador, o meio-campo é envolvente e o Toluca vai sofrer. Cúcuta passa, aproveitando o fator local e conquistando a confiança para chegar forte nas fases seguintes.

Necaxa (MEX) x Nacional (URU) - Técnica x Raça. Estilos diferentes vêm a campo neste confronto interessante. Os uruguaios apostam no preparo físico, no heroísmo e na superação para passar por mais um favorito. O Necaxa joga mais futebol, sabe tocar a bola e possui jogadores de boa técnica. Imprevisível. Este redator estará totalmente do lado uruguaio, torcendo para o renascimento dessa nação no esporte.

Velez Sarsfield (ARG) x Boca Juniors (ARG) - Clássico nacional! O Velez terminou em primeiro lugar no grupo mais difícil da primeira fase, que tinha Inter e Nacional, mas caiu de rendimento na última rodada. Depende e muito dos atacantes Zárate e Castromán, sendo uma equipe que pouco ameaça as defesas adversárias sem eles. O Boca deixou tudo para a última rodada, mas não decepcionou. 7-0 no Bolívar, com um show de Palacio. Riquelme, Palermo e Morel Rodriguez são os responsáveis pela estabilidade do time, além do próprio Palacio. Com esses jogadores em um dia inspirado vai ficar muito difícil para o Velez, que também carece de raça. Aposto no Boca.

Grêmio (BRA) x São Paulo (BRA) - Os dois brasileiros mais fortes na competição, na minha opnião, fazem o duelo mais esperado das oitavas. Escolas diferentes, tradições diferentes, mas uma coisa em comum: ambos são colecionadores de troféus. O São Paulo conta com um elenco maior e de mais qualidade, com dois bons jogadores para cada posição. O Grêmio depende muito de sua torcida que incendeia os ânimos da equipe, transformando o Olímpico em um caldeirão - foi em casa as duas partidas que levantaram a moral do time para esta segunda fase: o inacreditável e muito comemorado 4-0 contra o Caxias, que colocou a equipe na final do campeonato estadual, e o suado 1-0 diante do Cerro Porteño, que classificou a equipe na Libertadores. Equilíbrio deve ser o nome da partida. Um empate no primeiro jogo, fora de casa, deixa o Grêmio muito perto da classificação. Cabe ao São Paulo repetir as grandes atuações que fez ano passado no estádio Morumbi, antes que seja tarde...

Colo - Colo (CHI) x América (MEX) - O Colo-Colo e seu ofensivismo vem brilhando na Copa Libertadores, terminando a primeira fase em primeiro lugar e com o artilheiro Suazo em boa fase. A criatividade do time foi embora, junto com Matías Fernandéz, porém, a velocidade e a objetividade ficaram, e estão dando trabalho. O América é um dos times mais irregulares da competição, fato que deixa o próprio torcedor, do clube mais popular do México, inseguro. Colo - Colo, com duas vitórias, para as quartas.

Paixões interioranas

Há algumas semanas, o presidente do Juventude, de Caxias do Sul, Iguatemy Ferreira Filho, questionado sobre a possibilidade de um clássico Ca-Ju (Caxias e Juventude) na final do Campeonato Gaúcho, afirmou que "estava torcendo pelos dois times da cidade, pois Caxias do Sul, Pelotas (RS), Santos (SP) e Campinas (SP) são as únicas cidades de interior, no Brasil, que dão apoio total aos seus clubes". A expectativa de clássico caxiense não se confirmou, pois o Caxias acabou sendo eliminado pelo Grêmio, mas a cegueira da declaração do senhor Iguatemy permanece latente.

O sucesso de seu time parece ter feito o presidente fechar seus olhos, lembrando e equiparando-se aos grandes centros interioranos, em detrimentos a tantos outros locais de apoio total a seus clubes, mas que são injustiçados ou esquecidos pela falta de vitórias no campo. Iguatemy não precisaria ter ido muito longe para ver o absurdo do que falou, ao afirmar que só aquelas quatro cidades apoiavam inteiramente seus clubes. Ou será que as também gaúchas cidades de Passo Fundo, Rio Grande, Bagé, Santa Maria, Cruz Alta, Ijuí, Santana do Livramento, São Borja e tantas outras, foram temidas em tempos passados por mero acaso?

Verdadeiras batalhas foram e ainda são travadas no interior gaúcho e, pode-se ter certeza, só ocorrem porque há sim um apoio total das cidades aos seus clubes. Para ficar em apenas um exemplo: Passo Fundo orgulha-se até hoje das glórias obtidas em tempos passados, quando a histórica dupla de zaga, formada pelos irmãos Pontes (Daison e João), honrava as cores do clube citadino, pondo medo em quem viesse pelo caminho. Atualmente, o principal clube local, o Gaúcho, vive péssimas condições, tendo sido rebaixado no campeonato estadual e sem dinheiro para viagens e salários - mesmo assim, a apaixonada cidade conseguiu manter seu clube, que se não é mais competitivo, ainda leva a alma ao gramado cada vez que entra em campo. Talvez, mesmo sem sucessos em campo, vejamos aí mais paixão do que na badalada Caxias do Sul, pois em Passo Fundo a comunidade uniu-se em torno do clube e não em torno de seus resultados. É, mas o esforço descomunal dessa e de tantas cidades pelo interior gaúcho (com seus clubes em melhor ou pior situação) para manter seu futebol vivo é inválido, esquecido e enterrado, pois "só Caxias do Sul, Pelotas, Santos e Campinas apóiam seus clubes totalmente" - claro, pois é muito fácil lembrar de quem se destaca, esquecendo das pequenas lutas diárias de quem não tem como brilhar, mas não esmorece jamais.

Só o exemplo gaúcho bastaria como indignação total ao "esquecimento" do senhor Iguatemy em relação a outras forças do interior. Mas podemos subir mais no mapa brasileiro. Podemos chegar a Santa Catarina e vermos Chapecó, Criciúma, Joinville, Brusque, Ibirama, Itajaí, etc... apoiando seus clubes a 100%. Podemos ir ao Paraná, aos estados do Centro-Oeste, do Norte ou do Sudeste e encontrarmos outras dezenas, ou talvez centenas, de cidades interioranas que sustentam seus clubes pela paixão que carregam no peito, sem se importar com seus resultados, sorrindo apenas ao ver sua comunidade representada por aqueles onze jogadores. Podemos ir ao exemplo máximo do Nordeste, onde cada cidade interiorana mata um leão por dia para conseguir manter suas equipes. Lá do Nordeste, inclusive, vem talvez o único exemplo de clube do interior com mais torcida que os da capital do estado: o Treze, de Campina Grande (Paraíba), superando os clubes de João Pessoa em aficionados. Enfim, podemos chegar a cada rincão espraiado deste Brasil e encontrarmos um exemplo de apoio incondicional aos clubes locais, lutando jogo a jogo para manter seu ideal.

Mas não, "só Caxias do Sul, Pelotas, Santos e Campinas dão apoio total aos seus clubes no interior do Brasil", é o que somos obrigados a ouvir...

Um craque chamado Somália


Somália cabeceando em Corinthians 0 x 1 São Caetano, esta bola entrou, e marinho tirou, porém o juiz não confirmou o gol.

- Somália craque? Você está doido, Pirralho?
Não! Somália é craque sim. E ganhou uma estrelinha ao lado do nome no Brasfoot, ao se tornar o artilheiro do Paulistão com um gol de penalti nesse domingo, contra o Santos, na final do Paulistão, penalti esse provocado ridículamente pelo bom goleiro(com as mãos) Fábio Costa. Ainda falta um jogo, tudo bem, mas o único que pode alcançá-lo é Cléber Santana, que tem 10 gols, como Somália tem 13, Cléber precisa de 3 gols para se tornar o artilheiro, e convenhamos, 3 gols em um jogo, para um volante, é meio difícil! Abaixo as explicações da minha afirmação.

Por que? Pois sabe fazer gol, bater penalti, cabeçear, tem liderança, dribla e até serve de garçom. Fazer gol é a questão que menos tenho que explicar, todos viram seu oportunismo neste paulistão. Bater Penalti mostrou que sabe, pois não perdeu nenhum este ano. Mostrou que sabe cabecear em alguns de seus gols.
Mostra sua liderança nos jogos, gritando com os colegas, passando instruções pros menos experientes.
Dribla muito bem, como mostrou no gol contra o Corinthians(que inclusive já foi mostrado aqui no blog). Mostrou que sabe dar assistências, servir de garçom, no jogo contra o São Paulo, pela semi-final do campeonato paulista, quando em um passe entre as pernas de Alex Silva, serviu Douglas para o quarto gol do São Caetano.


Somália mostrando toda sua liderança em campo

Quando virou craque? Em 2006, quando foi apresentado pelo São Caetano, quando começou a treinar com Dorival Júnior, quando começou os trabalhos físicos, com e sem bola no gramado do Anacleto Campanela. O Azulão fez muito bem à somália.

Pirralho, prove que ele é craque! Está bem... Provarei com lances e gols de somália.

São Paulo 1 x 4 São Caetano - Jogo no qual Somália produz diversos lances de perigo e dá uma assistência, pro gol de Douglas.


Corinthians 0 x 1 São Caetano - Jogo onde Somália inferniza a zaga alvinegra e faz um gol.



Principais responsáveis pela condição de Craque do Somália? Canindé, com passes precisos, cruzementos perfeitos, jogadas maravilhosas... Enfim, com belas assistências, para gols e jogadaças de Somália.
Douglas, idem a canindé.
Dorival Júnior, com instruções táticas de posicionamento e práticas, Dorival ensinou Somália a ser craque, além disso, acreditou nele, dando a titularidade ao craque.

América de Propriá campeão sergipano

Demorou muito tempo, mas o título do estado de Sergipe voltou para a cidade interiorana de Propriá. Ontem à tarde, o América levantou o troféu de seu estado, algo que não fazia há quatro décadas: seu primeiro e único título havia sido conquistado em 1966.

O quadrangular final de Sergipe estava disputadíssimo entre o América e o Confiança, da capital, Aracaju. Pelo regulamento, as duas equipes entravam na fase final com pontuação extra (o Confiança, líder da primeira fase, já entrava com 2 pontos, enquanto o América, que fora segundo colocado, ganhou 1 ponto de lambuja). Após o término da quinta e penúltima rodada da fase semifinal, na quarta-feira, tanto América quanto Confiança estavam com 11 pontos - um empate na pontuação que forçaria um jogo extra, em Aracaju, algo terrível para as pretensões americanas. Ontem, porém, a rivalidade entre o Confiança e o Sergipe, no clássico da capital, ajudou o time de Propriá. Enquanto o América suava para obter um empate por 1-1, fora de casa, diante da Itabaiana, a sua sorte era definida em Aracaju. Lá, o Sergipe, já sem chances de conquistar o título, entrou em campo disposto a estragar os planos de seu rival. Conseguiu: vitória sobre o Confiança por 2-0, que deixava o América em vantagem de um ponto sobre o time da capital, ao término da última rodada.

Sofrido, mas merecido, o América alcança sua segunda glória sergipana. Veja a campanha rumo à reconquista:

1ª Fase

14/01- Confiança 1-0 América
21/01- América 3-0 Amadense
25/01- Itabaiana 3-2 América
28/01- América 4-3 Lagartense
04/02- Guarany de Porto da Folha 3-0 América
08/02- América 0-0 Pirambu
11/02- América 2-1 Sergipe
25/02- Olímpico de Itabaianinha 0-0 América
03/03- São Cristóvão 2-1 América
08/03- América 0-0 Confiança
11/03- Amadense 0-0 América
15/03- América 1-0 Itabaiana
18/03- Lagartense 0-1 América
22/03- América 2-1 Guarany de Porto da Folha
25/03- Pirambu 1-1 América
29/03- Sergipe 0-1 América
01/04- América 2-0 Olímpico de Itabaianinha
08/04- América 2-0 São Cristóvão

Fase Final

11/04- América 0-0 Itabaiana
15/04- Sergipe 1-3 América
19/04- Confiança 1-2 América
22/04- América 2-3 Confiança
25/04- América 2-1 Sergipe
29/04- Itabaiana 1-1 América

Confira também a lista de campeões estaduais, onde o Sergipe reina absoluto com 32 conquistas, seguido pelo Confiança, com 15 troféus e pela Itabaiana, com 9 títulos:

Consideração: em 1982 o título foi dividido, após divergências quanto a arbitragem da final (será representado por *).

1918- Cotinguiba
1920- Cotinguiba
1921- Industrial
1922- Sergipe
1923- Cotinguiba
1924- Sergipe
1927- Sergipe
1928- Sergipe
1929- Sergipe
1932- Sergipe
1933- Sergipe
1934- Palestra de Aracaju
1935- Palestra de Aracaju
1936- Cotinguiba
1937- Sergipe
1939- Ipiranga de Maruim
1940- Sergipe
1941- Riachuelo
1942- Cotinguiba
1943- Seregipe
1944- Vasco de Aracaju
1945- Ipiranga de Maruim
1946- Olímpico de Aracaju
1947- Olímpico de Aracaju
1948- Vasco de Aracaju
1949- Palestra de Aracaju
1950- Passagem
1951- Confiança
1952- Cotinguiba
1953- Vasco de Aracaju
1954- Confiança
1955- Sergipe
1956- Santa Cruz de Estância
1957- Santa Cruz de Estância
1958- Santa Cruz de Estância
1959- Santa Cruz de Estância
1960- Santa Cruz de Estância
1961- Sergipe
1962- Confiança
1963- Confiança
1964- Sergipe
1965- Confiança
1966- América de Propriá
1967- Sergipe
1968- Confiança
1969- Itabaiana
1970- Sergipe
1971- Sergipe
1972- Sergipe
1973- Itabaiana
1974- Sergipe
1975- Sergipe
1976- Confiança
1977- Confiança
1978- Itabaiana
1979- Itabaiana
1980- Itabaiana
1981- Itabaiana
1982*- Itabaiana
1982*- Sergipe
1983- Confiança
1984- Sergipe
1985- Sergipe
1986- Confiança
1987- Vasco de Aracaju
1988- Confiança
1989- Sergipe
1990- Confiança
1991- Sergipe
1992- Sergipe
1993- Sergipe
1994- Sergipe
1995- Sergipe
1996- Sergipe
1997- Itabaiana
1998- Lagartense
1999- Sergipe
2000- Sergipe
2001- Confiança
2002- Confiança
2003- Sergipe
2004- Confiança
2005- Itabaiana
2006- Pirambu
2007- América de Propriá

Interior Paulista: Na cola dos grandes.


Boa Noite, eternos fãns do futebol!


Começo hoje os comentários aqui no Futebesteirol (do qual já era assíduo leitor) a convite dos amigos Maurício Brum e Marco Pirralho. Bom, na verdade foi mais um pedido aceito do que um convite mas isso não vem ao caso...

A minha participação aqui no blog tem como principal objetivo a exposição de como anda o futebol no Interior Paulista. Craques, times montados, crises, tudo será mostrado aqui, conforme a divulgação na mídia.

O Campeonato Paulista chega praticamente ao seu final. No próximo final de semana a equipe do São Caetano poderá perder por até 2 gols de diferença e ainda sim se sagrará campeã. Detalhe: A menos 5 meses esta mesma equipe estava desolada devido ao rebaixamento para a Série B.

O Bragantino surpreendeu. Retirou a vaga de dois grandes: Palmeiras e Corinthians. E ainda quase chegou a final, não fosse as salvadoras defesas do goleiro santista Fábio Costa no último jogo da semifinal.
Guaratinguetá e América? Disputam a final do Interior e, ao contrário do que muitos pensam, fizeram boas partidas mostrando um ótimo futebol... sem comparação do que o que foi apresentado por alguns grandes.

Mas, qual a conclusão de tudo isso?

Seria clichê afirmar essas equipes surpreendem os grandes por causa de seu melhor planejamento, mais treinamento, etc. O que acontece de verdade é que o Futebol do Interior ganhou força nessa edição do Paulista. Equipes antes dadas como "sacos de pancadas" supreenderam e retiraram vários pontos dos poderosos.



Mas até que ponto essa força vai? Até o próximo desmanche causado pelo mercado. Infelizmente.




domingo, 29 de abril de 2007

O maior time catarinense de todos os tempos - Parte 2 de 3

Parte 2 - A conquista do Brasil
Voltando de uma passagem de três temporadas pelo futebol do Kuwait, Felipão via no ambicioso Criciúma a chance de aparecer nacionalmente. Trabalhando no clube desde o início da temporada de 1991, o treinador deu foco total à Copa do Brasil, com a consciência de que, sabendo jogá-la, mesmo um time desacreditado e inferior tecnicamente pode sair campeão.

O trajeto naquela copa nacional não foi fácil, mas o Criciúma agüentou o tranco. Se a primeira fase destoou das demais, ocorrendo sem dificuldades – o adversário foi o Ubiratan-MS, e os catarinenses passaram goleando –, a partir da etapa seguinte a brincadeira teria fim e o “sonho dourado”, como foi chamado pelos torcedores o anseio de chegar ao título, começaria a se complicar.

Já nas oitavas-de-final, o adversário seria o poderoso Atlético Mineiro. Mal na disputa da Série B, em virtude da prioridade dada à Copa do Brasil, o Criciúma era desacreditado pela imprensa nacional e até pelos seus torcedores. A vitória surpreendente dos catarinenses no jogo de ida, por 1-0, não aumentou o crédito do time. A opinião nacional é que o galo mineiro passaria, e com goleada. Azar daqueles que desmereceram a força dos comandados de Felipão: na volta, em pleno Mineirão, o Criciúma venceria novamente por 1-0, num golaço de falta de Roberto Cavalo – “um coice na torcida do galo”, como descreveram as manchetes mineiras no dia seguinte.

Com a raça daquela equipe já ficando cada vez mais evidente, os catarinenses tinham um confronto com ares de vingança nas quartas-de-final: o adversário seria o Goiás, clube que eliminara o Criciúma na mesma competição, um ano antes. Em 1991, porém, não houve chance para os goianos: 0-0 no Serra Dourada, na partida de ida, e um massacre por 3-0 na volta, fora o baile, classificando o time de Santa Catarina às semifinais da Copa. E na fase decisiva, entre os quatro melhores da competição, o adversário do time de Felipão seria a boa equipe paraense do Remo. Com o adversário tendo uma torcida fanática e empolgada pela boa campanha de seu time, somado ao grande poderio remista nas bolas aéreas, a tarefa do Criciúma era complicadíssima. Scolari sabia disso e, sempre concentrado em avançar de fase, passou duas semanas treinando, à exaustão, maneiras de conter as bolas altas do Remo e aproveitar os espaços dados pelos paraenses, em contra-ataques. Deu certo! No jogo de ida, em Belém, os catarinenses derrotariam o time paraense por 1-0, convertendo seu tento justamente numa jogada rápida, onde a marcação remista estava desarrumada. Com a vantagem obtida no Mangueirão, bastava ao Criciúma segurar o jogo de volta, em casa, para fazer o que nenhuma equipe de seu estado jamais ousara: chegar a uma final nacional. E o time não só segurou o resultado como buscou ampliá-lo – e, de fato, conseguiu – obtendo uma bela e até tranqüila vitória por 2-0, diante de um estádio Heriberto Hülse lotado. Confirmada a surpresa, que superara até mesmo as expectativas mais otimistas, o Criciúma estava na grande final da Copa do Brasil! E, mesmo sob os olhares ainda desconfiados da mídia, a raça do time catarinense já o credenciava como tendo chances de conseguir erguer o troféu.
Chegava a grande final da competição nacional. O adversário do Criciúma era ninguém menos que o gigante Grêmio, do Rio Grande do Sul. O tricolor gaúcho vivia uma fase ruim, tendo sido rebaixado no Campeonato Brasileiro poucas semanas antes da decisão. Mesmo assim, a camisa pesava – e muito – deixando o time gaúcho como franco favorito, até porque o Criciúma também não empolgava em seus resultados jogando pela Série B. Talvez subestimando a força de seu ascendente adversário, os gremistas consideravam que a vitória viria, com facilidades.

Antes do jogo de ida, em Porto Alegre, o cronista gremista Paulo Sant’ana escreveu que o “pequeno Criciúma tremeria ao entrar no gramado do estádio Olímpico e ver escrito ‘Grêmio – Campeão do Mundo”. A tradição, portanto, falaria mais alto. No vestiário, Felipão instigava seus jogadores: “vocês têm medo de letreiro?”. Não tinham. O Criciúma foi valente, abriu o placar com um gol de Vilmar, logo aos 15 minutos, e soube impedir os avanços do Grêmio durante o jogo todo, só cedendo o empate por 1-1 aos 83 minutos de jogo, quando o tricolor gaúcho igualaria a contagem convertendo um pênalti duvidoso. O empate foi festejado pelos cinco mil torcedores catarinenses que invadiram Porto Alegre: agora, o Criciúma estava a apenas um jogo do sonho de jogar Libertadores, podendo empatá-lo por zero gol, para levantar o troféu da Copa do Brasil.

Então veio o histórico dia 2 de junho de 1991, data do confronto de volta, no Heriberto Hülse. Criciúma simplesmente parou, e todos os caminhos levavam ao estádio local. Até mesmo aqueles que pouco se interessavam por futebol foram engolidos pela onda de entusiasmo que tomou conta da cidade. Nas arquibancadas lotadas, o orgulho estava estampado no rosto de cada torcedor. Nada podia tirar o título daqueles guerreiros do Criciúma. Em campo, um jogo nervoso, de poucas oportunidades e com a equipe da casa jogando com o regulamento embaixo do braço. Ninguém conseguiu estufar as redes do adversário e o 0-0 deu o título à equipe de Felipão, pelo gol qualificado. A festa tomou conta do estádio, das ruas da cidade e do estado de Santa Catarina inteiros. O Criciúma era campeão do Brasil. Ninguém daquelas terras jamais ousara chegar tão longe.



Com o troféu na mão, o caminho e os feitos históricos daquele espetacular time agora seria trilhado fora do Brasil: a histórica campanha na Copa Libertadores da América de 1992.

* Na noite desta segunda-feira, a terceira e última parte desta história: a Libertadores de 1992 e o Criciúma hoje.

Confira também a Parte 1: O Futebol em Criciúma.

San Lorenzo é líder isolado

Dos quatro mais fortes concorrentes ao título argentino, só o Boca Juniors tropeçou. San Lorenzo, Estudiantes de La Plata e River Plate confirmaram a boa campanha nesta última rodada, com vitórias apertadas mas importantíssimas.
O San Lorenzo abriu quatro pontos de vantagem do ainda vice-líder Boca, ao vencer o Nueva Chicago em casa por 3-2. O 'corvo' chegou a estar vencendo por 3-0 no primeiro tempo, e quando todos esperavam uma goleada o Chicago reagiu com força, descontando com gols Orión (contra) e Filomeno. O San Lorenzo marcou com Gonzalez, duas vezes, e Lavezzi. No fim do jogo, o Chicago ficou com apenas dois jogadores no campo defensivo, tamanha a pressão que aplicou durante toda a segunda etapa. Um sofrimente desnecessário, já que o San Lorenzo possui muito mais qualidade, e esta já foi mostrada durante todo o campeonato. Valeu pela vantagem ampliada.
O Racing Club de Avellaneda, em profunda crise, e na 'rabeira' da tabela conseguiu um empate heróico diante do Boca Juniors em La Bombonera. O clube de La Boca conseguiu uma virada comandanda pelo maestro Riquelme que marcou um dos gols, aos nove do segundo tempo. A virada aconteceu aos 13 da etapa complementar, com Palermo, de penalti - fato que não abalou 'La Academia' que mesmo sem grandes recursos técnicos buscou o empate durante todo o tempo, e teve o seu esforço contemplado no último minuto do jogo, um gol salvador de Sava, que decretou o 2-2.
Na terceira colocação está o Estudiantes , seis pontos atrás do líder, mas firme e destemido em busca de mais um título. A equipe de La Plata venceu o Godoy Cruz em casa, por 1-0, com gol de Luguercio. O atual campeão argentino começa a dar pistas de que, novamente, peleará até o final e será uma das pedras mais rígidas no caminho do San Lorenzo.
A vitória mais tranquila dos que brigam pelo campeonato foi a do River Plate, que trouxe os três pontos de Rosário ao bater o Rosario Central por 2-0 no Gigante de Arrotiyo com gols de Marco Ruben.
O Clausura 2007 promete muita emoção e provavelmente as decisões ficarão mesmo só para a última rodada...

ABC campeão potiguar

Arte do site oficial do clube, o www.abcfc.com.br.

Raça, camisa, superação e humildade decidiram o Campeonato Potiguar de 2007. O América, favoritíssimo por estar na primeira divisão do Brasil fortalecido por uma campanha espetacular no campeonato estadual, onde só perdera uma partida, sentiu a força de seu tradicional rival, que venceria com o coração a final deste domingo.

No jogo de ida, disputado na semana passada, a tal imensa superioridade americana começou a ser questionada. O ABC, que então era visto como um time que "lutaria para não ser goleado", devido a sua campanha irregular, obteve um lutado empate por 1-1 no clássico, e soube conter o ímpeto do exultante América, que se via praticamente imbatível - naquele dia, o gol do ABC foi marcado pelo jovem Wallyson, talvez num prenúncio do que se veria no jogo de volta.

O empate não mudava em nada a situação do ABC, já que as coisas seguiam complicadíssimas para se conquistar o título. Afogados em soberba, os torcedores americanos comemoravam por antecipação o título que, no fim das contas, não viria. Com muita qualidade e uma garra fenomenal, o time do ABC entrou hoje no gramado do estádio Frasqueirão disposto a fazer história. Arrasador, o esquadrão alvinegro não tomou conhecimento dos rivais: uma vitória espetacular por 5-2 obtida diante dos rivais, algo atípico em clássicos natalenses. Tarde inspirada de Wallyson, que a exemplo do primeiro jogo, foi o herói do ABC, marcando quatro dos cinco gols alvinegros. "Hoje eu vi a maior derrota da história do meu time" falou um torcedor americano ao término da partida, num claro reconhecimento da linda vitória obtida pelos seus rivais.

Foi o 49º título potiguar do ABC, que se confirma, cada vez mais, como maior campeão estadual de todo o Brasil. Confira a campanha, irregular, mas lutada, do time alvinegro, rumo à conquista:

1ª Fase

21/01- ABC 1-0 São Gonçalo
24/01- ABC 2-1 Alecrim
29/01- Baraúnas 0-0 ABC
01/02- ABC 4-0 Potiguar de Parnamirim
05/02- Macau 1-0 ABC
11/02- ABC 3-3 Potiguar de Mossoró
24/02- América 2-0 ABC
04/03- ABC 3-2 Guamaré
11/03- Coríntians de Caicó 0-2 ABC
18/03- ABC 0-5 ASSU
25/03- Santa Cruz 1-2 ABC

Quartas-de-Final

28/03- Coríntians de Caicó 1-0 ABC
01/04- ABC 3-0 Coríntians de Caicó

Semifinal

09/04- Potiguar de Mossoró 0-0 ABC
15/04- ABC 1-1 Potiguar de Mossoró *

Final

22/04- ABC 1-1 América
29/04- América 2-5 ABC

*
O ABC passou por ter melhor campanha na primeira fase.

Confira também a polêmica lista de campeões potiguares ao longo dos tempos, onde o ABC figura com 49 conquistas, contra 32 do América:

Considerações: em vários anos, por falta de registros, há dúvidas quanto ao campeão do torneio ou se houve mais de uma liga sendo disputada na temporada. Muitas vezes, há mais de um campeão estadual considerado durante esses anos, pois os clubes se autodenominam campeões potiguares daquelas temporadas (para diferenciar, será atribuído ¹ e ², em anos com mais de um clube campeão). Ainda, em muitos destes casos, os títulos não são reconhecidos pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol.

1919- América
1920¹- América
1920²- ABC
1921¹- Esportivo Natalense
1921²- ABC
1922- América
1923- ABC
1924¹- Alecrim
1924²- ABC
1925- Alecrim
1926- América
1927- América
1928- ABC
1929- ABC
1930- América
1931- América
1932- ABC
1933- ABC
1934- ABC
1935- ABC
1936- ABC
1937- ABC
1938- ABC
1939- ABC
1940- ABC
1941- ABC
1942- América
1943- Santa Cruz
1944- ABC
1945- ABC
1946- América
1947- ABC
1948- América
1949- América
1950- ABC
1951- América
1952- América
1953- ABC
1954- ABC
1955- ABC
1956- América
1957- América
1958- ABC
1959- ABC
1960- ABC
1961- ABC
1962- ABC
1963- Alecrim
1964- Alecrim
1965- ABC
1966- ABC
1967- América
1968- Alecrim
1969- América
1970- ABC
1971- ABC
1972- ABC
1973- ABC
1974- América
1975- América
1976- ABC
1977- América
1978- ABC
1979- América
1980- América
1981- América
1982- América
1983- ABC
1984- ABC
1985- Alecrim
1986- Alecrim
1987- América
1988- América
1989- América
1990- ABC
1991- América
1992- América
1993- ABC
1994- ABC
1995- ABC
1996- América
1997- ABC
1998- ABC
1999- ABC
2000- ABC
2001- Coríntians de Caicó
2002- América
2003- América
2004- Potiguar de Mossoró
2005- ABC
2006- Baraúnas
2007- ABC

Peñarol goleia e segue na briga pelo título


Os aurinegros decidiram o superclássico de forma arrasadora em apenas um tempo. Com o brasileiro Mendes, ex Vitória e Portuguesa como principal figura do jogo, marcando dois gols, sendo o primeiro em uma cobrança perfeita de falta e o segundo de cabeça, o Peñarol soube controlar o jogo do início ao fim e agora depende apenas de si para chegar ao título uruguaio. Apenas um ponto atrás do líder Danubio e tendo um confronto direto na última rodada, na casa do próprio Danubio, basta para o Peñarol vencer seus dois jogos restantes para festejar mais um título nacional. O outro gol da partida de hoje foi marcada pelo capitão e principal jogador do Nacional. Contra. Marco Vanzini, um dos heróis da classificação na Libertadores arrematou contra sua própria rede logo aos dois minutos do primeiro tempo.

A rodada pelo Campeonato Uruguaio - Clausura 2007:

Nacional 0-3 Peñarol
Central Español 1-1 River Plate
Bella Vista 4-0 Rocha
Progreso 0-0 Rentistas
Miramar 0-1 Rampla Juniors
Cerrito 2-0 Montevideo Wanderers
Danubio 2-0 Liverpool
Tacuarembó 0-0 Defensor




Classificação:

1) Danubio 29 pontos
2) Defensor 28
3) Peñarol 28
-
9) Nacional 17
-
15) Rentistas 10
16) Central Español 9

Os matadores:

Miguel Ximenéz - 11 gols (Montevidéo Wanderers)
Stuani - 10 gols (Bella Vista)
Mendes - 9 gols (Peñarol)

Quem largou na frente

Disputados hoje os primeiros jogos das finais nos estaduais pelo Brasil, vamos conferir os principais e ver quem obteve vantagens para o confronto de volta.

No Rio Grande do Sul, uma final movimentadíssima entre Grêmio e Juventude, numa partida empolgante. O tricolor de Porto Alegre começou arrasador, abrindo o placar logo aos 2 minutos, com um gol de Carlos Eduardo. Em casa, o Juventude sabia que não podia deixar suas chances escapar e pressionou, especialmente na metade do primeiro tempo: aos 29 minutos, o time de Caxias do Sul teve um gol mal anulado pela arbitragem. Muito choro e reclamação, que foi vingada logo a seguir, quando aos 32 minutos, o gol de empate sairia. Mas a alegria juventudista duraria pouco, pois dois minutos após o gol de empate, Carlos Eduardo, em tarde inspirada, aproveitou-se da saída de área horrível do goleiro André para fazer seu segundo gol e o 1-2 favorável ao Grêmio. A superioridade da equipe da capital seguiria durante o final do primeiro tempo e o início da segunda etapa, com chances incríveis perdidas. Porém, cansado pela maratona de jogos, o tricolor gaúcho começou pouco a pouco a ceder espaços. Foi fatal: o Juventude tomou conta do jogo e, com gols aos 52 e 79 minutos de tempo corrido, virou o placar para 3-2, com chances de ter ampliado. O jogo ficou tenso, e cada time teve um jogador expulso. Jogando mal, o Grêmio teve sorte: aos 90+2 minutos, já nos acréscimos, o artilheiro Tuta igualaria a contagem em 3-3, deixando o Grêmio com a vantagem de empatar por até dois gols em Porto Alegre para erguer o troféu. No Rio Grande do Sul, então, não temos nada definido, mas há uma leve vantagem gremista.

Em Santa Catarina, no duelo interiorano, a surpreendente Chapecoense, que já está há quase vinte jogos invicta, falou mais alto diante do forte Criciúma. Na cidade de Chapecó, o time da casa encontrou um Criciúma retrancado, querendo o empate. O futebol costuma punir aqueles que jogam com medo de atacar e, desta vez, não foi diferente. A Chapecoense venceu por 1-0, obtendo uma vantagem boa para a partida de volta, no Heriberto Hülse. Apesar das reclamações de dois supostos pênaltis a favor de seu time que não teriam sido marcados, a torcida do Criciúma teve consciência de que seus jogadores apresentaram um futebol pequeno, deixando o sonho do título distante.

No Paraná, outra surpresa. Um apático Paraná Clube foi derrotado pelo empolgante Paranavaí, que vive o sonho de levar o troféu estadual para o interior. Com grande atuação do atacante Tiago, a equipe do Paranavaí, que jogou em casa, demoliu o favoritismo dos paranistas. Apesar da garbosa atuação, a vitória do time interiorano foi pequena: 1-0 gol de Tales, aos 68 minutos. Uma vantagem pequena, que, considerando a superioridade técnica do Paraná, pode ser facilmente revertida. Mas, por menor que seja, é uma vantagem que permite brotar os sonhos mais gloriosos na torcida do Paranavaí, o "vermelinho".

A zebra subiu no mapa brasileiro e chegou a São Paulo. Lá, o favorito Santos, com uma torcida imensamente superior, foi superado pelo São Caetano, que segue fazendo das suas (o time eliminara o São Paulo nas semifinais). O esperado domínio santista não se repetiu. O "peixe", com 100% de aproveitamento na Libertadores, apequenou-se na disputa estadual. Sofrendo com a pressão do "azulão" do ABC Paulista, os santistas levaram um nó em campo, e estão até agora tentando se soltar das amarras. A vitória do São Caetano, por 2-0, veio com gols de Luís Henrique, aos 8 minutos e Somália, de pênalti, aos 81 minutos de jogo. Em vantagem, o "azulão" pode até perder por um gol de diferença no jogo de volta para ficar com o título. Ao Santos, de melhor campanha na primeira fase, resta o consolo de jogar por dois resultados iguais, podendo alcançar o título se vencer por um placar de 2-0, idêntico ao de hoje.

No Rio de Janeiro, jogo sem favoritos e, portanto, sem possibilidade de zebras. E foi um jogão acompanhado por 46 mil torcedores, no Maracanã. O clássico entre Botafogo e Flamengo teve dois tempos bem distintos. No primeiro, o arrasador alvinegro, que busca o bi-campeonato, não tomou conhecimento do time da Gávea, abrindo 2-0 de vantagem, com gols de Dodô, aos 31 minutos e Lúcio Flávio, aos 41. No segundo tempo, o jogo esquentou, e o Flamengo cresceu. Após boa jogada rubro-negra
, Renato foi derrubado na área botafoguense pelo goleiro Júlio César: pênalti e expulsão do arqueiro alvinegro. Na cobrança da penalidade, o goleiro reserva do Botafogo, Max, que entrara, não pôde evitar que Renato descontasse. Eram 62 minutos e o 1-2 figurava no placar do Maracanã. A pressão flamenguista, diante do adversário em desvantagem numérica, continuou. O prêmio veio aos 79 minutos, quando Souza marcou o gol de empate, igualando as coisas em 2-2. O placar não se alterou, mas os ânimos acirrados ainda produziriam mais duas expulsões: Léo Lima, do Flamengo e Diguinho, do Botafogo, iriam para o chuveiro mais cedo, após troca de empurrões. Com o empate, tudo fica em aberto para o confronto de volta, também no Maracanã, uma vez que não há gol qualificado na decisão carioca.

Em Minas Gerais, os cruzeirenses estão perguntando até agora se alguém anotou a placa do caminhão que os atropelou. Um massacre por parte do Atlético Mineiro, no maior clássico do estado. Em um Mineirão que recebeu 40 mil torcedores, o "galo" viveu uma tarde de antologia, conquistando uma histórica vitória por 4-0. O Atlético muito pressionou no primeiro tempo, mas a vitória não veio na
etapa inicial. O que veio foi a expulsão do cruzeirense Gladstone, aos 37 minutos, armando o terreno para o massacre que viria na segunda etapa. Arrasador no período final do confronto, o Atlético abriu o placar logo aos 25 segundos do segundo tempo, numa cabeçada de Éder Luís. Em superioridade numérica, o "galo" botou o Cruzeiro na roda, chegando ao seu segundo gol aos 81 minutos de jogo, num golaço de Danilinho, após chapelar o goleiro Fábio, da "raposa" e mandar a bola, sem ângulo, para o fundo das redes. O Cruzeiro só via as coisas piorarem: aos 87 minutos, Simões foi expulso, após entrada violenta no próprio Danilinho. Era o que o alvinegro precisava para terminar de matar os cruzeirenses: com gols de Marcinho, aos 90 minutos e Vanderlei, aos 90+2 (num lance extremamente bizarro, onde o goleiro cruzeirense Fábio deu as costas para a jogada), estava selado o 4-0, que praticamente garante o título atleticano. Ao Cruzeiro, só resta tentar um milagre em reverter esta estupenda desvantagem.

Fechando a viagem pelas finais estaduais que tiveram seu primeiro jogo hoje, chegamos a Goiás, onde o favorito também não confirmou sua superioridade. Diante do Atlético Goianiense, o poderoso Goiás não conseguiu garantir vantagem nenhuma para o confronto de volta, finalizando a partida em 2-2. O Atlético, que fazia campanha empolgante na Copa do Brasil (da qual foi eliminado nessa semana que passou), mostrou que tem um time azeitado também no estadual, querendo recuperar o título goiano, que o clube não conquista desde 1988.

Waitakere United campeão da Oceania

Determinado neste domingo, no Mount Smart Stadium, em Auckland, o campeão da Oceania de 2007. Foi o neo-zelandês Waitakere United, após derrotar o Ba, de Fiji, por 1-0 e levantar o troféu pelo gol qualificado (havia perdido a partida de ida, fora de casa, por 1-2).

O curioso é que o time do Waitakere não devia sequer ter jogado a Copa dos Campeões da Oceania: o clube entrou na competição apenas para substituir o Port Vila Sharks, time de Vanuatu, que desistiu do torneio. Entraram como convidados e acabaram levando a melhor. Mas não foi nada fácil. Na primeira fase, o Waitakere enfrentou um triangular em que um dos adversários seria o poderoso Auckland City, também da Nova Zelândia, e atual campeão do torneio. O outro time que compôs o grupo foi o fraco Mont Dore, da Nova Caledônia. A primeira fase, com duas vitórias sobre o Mont Dore e dois empates diante do Auckland, só foi superada pelo saldo de gols, já que o Auckland fizera campanha idêntica - no fim das contas, o saldo do Waitakere foi de +8 gols, contra +6 da outra equipe neo-zelandesa.

Sem a presença dos clubes australianos, devido ao fato de a Federação Australiana ter se filiado às confederações asiátias, o torneio ficou mais curto nos últimos anos e perdeu participantes poderosos daquele continente. Encurtada, a competição só contou com 6 clubes, pulando dos triangulares da primeira fase direto para a final. O adversário do Waitakere, como já foi dito, seria o Ba (abreviação popular do nome original do clube: 4R Electrical Ba), de Fiji - que havia superado uma primeira fase diante do Temanava (do Taiti) e do Marist (das Ilhas Salomão). Apesar de desconhecido, o time do Ba é uma potência dentro de seu país, tendo vencido os últimos seis campeonatos nacionais disputados (um hexa-campeonato entre 2001 a 2006). Com um adversário desconhecido, mas acostumado a conquistar títulos, os neo-zelandeses sabiam que não teriam facilidades. No jogo de ida, disputado no estádio Govind Park, em Fiji, o Waitakere logo notou que seu respeito para com os adersários se fazia necessário: vitória por 2-1 do Ba, podendo ter sido mais, tamanha a pressão imposta pelo time da casa, especialmente nos minutos iniciais.

No jogo de volta, hoje, mais complicações impostas pelo time de Fiji. Segundo o treinador Steve Cain, do Waitakere, "o jogo foi parecido com o de ida, mas o Ba teve um domínio ainda maior aqui". Tamanha pressão do Ba fez com que o goleiro do time neo-zelandês, Michael Utting, fosse eleito o craque da partida, ao término do jogo. A pressão do time de Fiji, porém não se repetiu no segundo tempo, quando o Waitakere encontrou seu gol salvador, fazendo 1-0 na partida de volta e, conseqüentemente, assegurando o título pelo placar qualificado, graças ao tento marcado lá na partida de ida. Foi o primeiro título do Waitakere United na competição continental, garantindo também sua primeira participação no Mundial de Clubes, a ser disputado em dezembro, no Japão.

Veja a campanha do Waitakere rumo ao título:

1ª Fase

24/01- Waitakere United 2-2 Auckland City (Nova Zelândia)
20/02- Waitakere United 6-1 Mont Dore (Nova Caledônia)
31/03- Mont Dore (Nova Caledônia) 0-3 Waitakere United
04/04- Auckland City (Nova Zelândia) 2-2 Waitakere United

Final

21/04- Ba (Fiji) 2-1 Waitakere United
29/04- Waitakere United 1-0 Ba (Fiji)

Confira também todos os campeões da Oceania ao longo dos tempos:

1987- Adelaide City (Austrália)
1999- South Melbourne (Austrália)
2001- Wollogong City Wolves (Austrália)
2005- Sydney FC (Austrália)
2006- Auckland City (Nova Zelândia)
2007- Waitakere United (Nova Zelândia)

O maior time catarinense de todos os tempos - Parte 1 de 3

Com esta postagem, começa uma série que se estenderá até a noite de segunda-feira. Serão três posts contando a trajetória do Criciúma Esporte Clube rumo às maiores glórias da história do futebol catarinense, chegando ao título da Copa do Brasil em 1991 e à disputa da Libertadores da América, em 1992. Não deixe de acompanhar!

Parte 1 - O Futebol em Criciúma
Criciúma nem sempre foi um dos centros mais poderosos do futebol de Santa Catarina. Durante as primeiras décadas do campeonato estadual, o estado tinha como “capitais” do esporte as cidades de Florianópolis, Brusque, Joinville e Itajaí. Coube a dois clubes, rivais citadinos, o papel de elevar o nome de Criciúma no cenário local: a partir do final da década de 1950, o Comerciário e o Metropol começariam a dominar as ligas estaduais.

Esta ascensão pôde ser notada mais fortemente ao longo dos anos 1960, quando os dois clubes empilharam conquistas, ganhando força e respeito entre as agremiações catarinenses. O Comerciário seria campeão estadual em 1968, enquanto o Metropol alcançaria glórias ainda maiores, levantando cinco taças estaduais – em 1960, 1961, 1962, 1967 e 1969 – e alçando vôos mais altos, chegando a vencer torneios interestaduais da região sul do Brasil, classificatórios à Taça Brasil.

O futebol de Criciúma ia de vento em popa. Tudo indicava mais temporadas de dominação a seguir, quando o inesperado acabou abatendo os dois grandes da cidade. Em crise financeira, e sem capacidade de suprir as demandas de um futebol que aos poucos ia ficando mais caro de se sustentar, os clubes não tiveram como se manter no esporte. Imediatamente após a década da dominação, os dois times não agüentaram e encerraram suas atividades, por tempo indeterminado: o Metropol fechou seu departamento de futebol em 1969, logo após a conquista do estadual, enquanto o Comerciário fez o mesmo em 1970.

Este sumiço repentino dos dois times fez com que o futebol de Criciúma também perdesse a força anterior. O único clube que agora honrava o futebol da cidade era a pequena Próspera, que nunca meteu medo em ninguém. E não tinha jeito dos grandes da cidade voltarem. O Metropol dava sinais de nunca mais retomar as atividades futebolísticas – algo que se confirmou; enquanto o Comerciário enfrentava profundas dificuldades no seu anseio de voltar à disputa do estadual.

Em 1978, então, ocorre a mudança decisiva no futebol da cidade. O Comerciário, que retomara suas atividades no ano anterior, viu que precisava de grandes alterações – e elas vieram. Com profundas reestruturações, vários aspectos do clube foram revistos, entre eles, a troca de nome, fazendo com que, a 17 de março daquele ano, surgisse um “novo” clube (na verdade, uma refundação do Comerciário): o Criciúma Esporte Clube.

Em pouco tempo, o novo Criciúma recobrou o sucesso dos seus antecessores: brigando desde o início por títulos, o clube foi vice-campeão catarinense por três anos consecutivos, entre 1980 e 1982. Depois, alcançaria seus primeiros troféus, com títulos estaduais em 1986, 1989 e 1990. Além disso, suas boas participações em competições nacionais começavam a assinalar que, em pouco tempo, o clube estaria pronto para glórias maiores. O time já era uma afirmação no estado e não dava mostra alguma de que sumiria do mapa, como os que vieram antes – pelo contrário, o clube só dava sinais de que seguiria mais e mais vitorioso.

Viria então o ano de 1991 e, com ele, o tal “maior time catarinense de todos os tempos”. Uma equipe de glórias jamais repetidas por nenhum clube daquele estado, e com brios suficientes para fazer resultados nos quais ninguém apostaria. O Criciúma mostraria definitivamente que viera para ficar. Estes feitos teriam vários protagonistas, mas um nome marcou toda a era: o do treinador Luiz Felipe Scolari, o Felipão, então pouco conhecido e buscando se afirmar no futebol brasileiro.

* Na noite deste domingo, a continuação desta história, na parte 2: A conquista do Brasil.

sábado, 28 de abril de 2007

O maior clássico da América

Nacional e Peñarol disputam o clássico do futebol uruguaio neste domingo, no imponente estádio Centenário. Um clássico de muita história. E de muita força, já que oito Copas Libertadores e seis Mundiais estão em jogo, além de inúmeros títulos a nível nacional.

Talvez, mais que um clássico, como em Glasgow. Em jogo há mais do que futebol, felizmente ou não. A rivalidade é a mais antiga da América Latina, se considerarmos a fundação do Peñarol em 1891, com o nome de CURCC, e não em 1913, quando começou a ser chamado pelo nome atual.
Apesar da crise que o futebol uruguaio vive a anos os dois clubes seguem liderando o ranking de pontos da Copa Libertadores, com o Peñarol em primeiro, seguido do rival Nacional.

A semelhança com o clássico Celtic x Rangers, de Glasgow, tem razões e princípios éticos e sociais, além do fanatismo comum tanto em Montevidéo como na capital escocesa. Muitos torcedores de Nacional e Peñarol têm visão e sentimentos opostos, quanto a religião, imigração, conservadorismo e elitização.

O conservadorismo do Nacional se remete a própria fundação. Criado por ''criollos'' (nativos, uruguaios 'puros') em uma época em que a grande maioria da população do país era de origem espanhola, o tricolor Nacional sempre teve dificuldade para aceitar os imigrantes de outra origem, principalmente italianos, que logo sentiram-se atraídos pela receptividade do Peñarol.

Os imigrantes europeus que chegaram no Uruguai no Século XX eram, em grande maioria, cristãos, e ao se deparar com a maioria protestante que fazia parte do Nacional sentiram mais uma dificuldade de aproximação no clube tricolor de Montevidéo. Já a margem da sociedade por estas duas questões, o dinheiro também afastou os imigrantes do Nacional.

Os uruguaios que fundaram o clube que desde então vinham mantendo nos mesmo princípios não propagaram a paixão pelo clube entre as classes de menos poder financeiro, servindo, de vez então, o Peñarol como alternativa para a paixão futebolísitica destes imigrantes. A exceção se deveu aos espanhóis que enxergaram o Nacional como um clube de suas origens, facilitando a aceitação pelas duas partes.

Os anos passaram, a rivalidade só aumentou. E os opostos seguem no destino desses dois gigantes do sul da América. O Peñarol, luta para conquistar o campeonato nacional, mas não participa a anos da Copa Libertadores, principal competição sul-americana. O Nacional já não tem mais chances na competição local, mas briga ferrenhamente pelo seu quarto título da Libertadores, onde enfrenta o Necaxa do México nas oitavas-de-final.

Se o Nacional já não tem como ganhar o campeonato uruguaio o clássico de amanhã vale apenas para o Peñarol? Quem tem a mínima noção da força da rivalidade entre os times, sabe que essa teoria não tem sentido. O Nacional fará de tudo para impedir o título de seu maior rival, e vencer o super-clássico é a melhor possibilidade.

Em 482 jogos na história do clássico, o Peñarol venceu 21 vezes a mais (175 contra 154) e marcou 619 contra 576 do Nacional.
Para entrar no clima do jogo de amanhã o futebesteirol descatou dois clássicos especiais para as torcidas de Peñarol e Nacional relembrarem:

14/12/1941 - Nacional 10-0 Peñarol

A goleada histórica e única até hoje por um placar tão dilatado coroou uma campanha irretocável do Nacional no campeonato uruguaio de 1941, em que sagrou-se campeão invicto sem perder nenhum ponto. 60 mil pessoas presenciaram o massacre no estádio Centenário.
Equipe do Nacional: Aníbal Paz, Romero, Rodríguez Candales, Luz, Eugenio Galvalisi, S. Gambetta, L. Ernesto Castro, J. P. Fabrini, Atilio García, Roberto Porta e Bibiano Zapirain.

09/10/1949 - Peñarol 2-0 Nacional

O famoso ''clássico da fuga'' é um dos mais lembrados pela torcida aubinegra. E nem poderia ser diferente. Em uma tarde de muita chuva, o Peñarol trucidou o Nacional ainda no primeiro tempo: dois gols, um banho de bola e duas expulsões do adversário. Resultado: o Nacional não voltou a campo para a segunda etapa da partida, fato que é uma prova de covardia dos tricolores para os torcedores do Peñarol.


O clássico de amanhã:

Nacional: Viera, Pablo Alvarez, Diego Jaume, Diego Godín, Agustín Viana; Vanzini, Marcelo Sosa, Javier Delgado; Vera, Martínez e Gonzalo Castro. Técnico: Daniel Carreño
Peñarol: Castillo, Lemes, Luiz Nunes, Paolo Montero, Diego Rodríguez; Ríos, Pouso, Julio Mozzo, Ruben Capria; Nicolás Vigneri e Silvio Mendes. Técnico: Gregorio Perez
Arbitragem: Jorge Larrionda (em clássicos: 6 jogos, 4 vitórias do Nacional, 1 vitória do Peñarol e um empate).
Estádio Centenário, Montevideo.
Hora: 16 horas no Uruguai