segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Un equipo de locos

Você eu não sei, mas eu desprezo as gripes. Com a veemência dos JUSTOS. Gripes são coisas que incomodam mas passam em uma semana. Quando medicadas, acabam em sete dias. Remédios contra gripes não são para destruí-las, mas para que CONVIVAMOS com elas PACIFICAMENTE. Você eu não sei, mas se pensa diferente está errado. Não, não aceito contestações. Estou com uma gripe que talvez seja gripe A desde a semana passada. E curar-me-ei com APRACUR e futebol.

Deveria ter sido uma irritação causada pelo PÓLEN que esses dias primaveris espalham pelo ar junto com a insanidade dos FEROMÔNIOS, mas virou uma dor de garganta. E febre. Ou não. Não tenho termômetro e não fiz grande esforço para obter um. Gripes são psicológicas. Mesmo MORRENDO, aja como se nada estivesse acontecendo e até a próxima lua elas desistem. Foi uma noite de calafrios e delírios, mas eles também podem ter sido CONDICIONADOS. Se eu não tivesse pensado “opa pode ser gripe A vou fazer um diário relatando os sintomas” certamente teria dormido tranquilo como um FRADE BORRACHO.

Desisti do diário antes que o segundo dia acabasse. Se fosse a suína, publicar os manuscritos desmoralizaria o vírus, acabando com esse COMÉRCIO tão rentável que é a VENDA DE MÁSCARAS. De qualquer maneira, evitei os médicos. Uma inconveniente quarentena tornaria insuportável a rotina já bastante abalada pelo PADECIMENTO gripal. A febre, ou a ilusão de febre, alternava-se com a dor de garganta. Um sintoma de gripe A e outro que não é dela. Ao menos é o que dizem os papéis pendurados em cada ônibus desses pagos.

Os ônibus, claro. Meu pensamento social parou nos vendedores de máscaras e de tamiflu. A saúde pública que se danasse. Permaneci circulando pelo MUNDO e oferecendo doses grátis de ANTICORPOS FUTUROS às pessoas que se aproximassem. “Uma semana mal e depois nunca mais”, diria meu cartaz publicitário, anunciando a imunidade a longo prazo. O avançar da gripe combatida a golpes de Apracur deixou meu nariz mais inútil que o Thiego improvisado na lateral do Grêmio. Com a diferença de que o nariz é recuperável.

A cura ficou menos UTÓPICA no sábado de tarde, em Júlio de Castilhos. O Milan achou por bem distribuir COMPRIMIDOS do mais eficaz remédio que há para atacar qualquer mal, e se botou em campo para um jogo de futebol. Qual um fiel que se agarra às CANETAS do pastor para pedir exorcismos e milagres, ou um Zelaya abraçado às SAIAS da nossa embaixada, mandei-me para o Estádio Miguel Waihrich Filho atrás da SALVAÇÃO definitiva. Embora o jogo fosse pela Copa Arthur Dallegrave, esse torneio que ainda avança desinteressante, o adversário era o sempre VIBRÁTIL Cruzeiro de Porto Alegre.

A primeira fase da Copa Arthur Dallegrave é aquilo que aos filósofos lhes convencionou chamar de VÁRZEA. Dezenove times que viram dez e nove, separados em dois grupos. De cada chave, classificam-se OITO equipes. As infindáveis rodadas iniciais servem para quebrar os clubes em viagens e jogos de estádios esvaziados e eliminar apenas três dos participantes. No grupo do Milan, o de nove equipes, a coisa é ainda pior, porque dificilmente a tabela vai apontar outros classificados que não os atuais: o lanterna é o APÁTRIDA Rio Pardo, que tem um ponto e perdeu cinco jogos em seis disputados.

Vinha decaindo, o Milan, apesar da SELEÇÃO que montou para esta reta final do ano. Depois de DESOSSAR o Rio Pardo no início do mês, o time emendou uma sequência de quatro rodadas sem vitória, que carregava até antes da partida do fim de semana. E ainda atuaria sem Bonaldi, suspenso. O Cruzeiro, ao contrário, acabara de sair de um VENTUROSO triunfo sobre o Grêmio Bê no estádio Olímpico. O esquecido clássico porto-alegrense ao qual um dia deram o nome de Gre-Cruz terminou com vitória do Estrelado por 1 a 2. Quando entraram no campo do Waihrich Filho, os jogadores cruzeiristas o fizeram com rostos AMASSADOS, como que tirados da cama de surpresa, aos berros de vão pro jogo porra.

O sono deles foi o de todos. A partida era uma BOCHA a rolar lentamente pela cancha, sem esclarecer se era uma enganação ou terminaria beijando o BALINHO. Os minutos pareceram DIAS e o dia virava noite, com uma chuva despontando ao som de TROMBETAS no horizonte. Os onze milanistas corriam sem direção e se amontoavam em campo, longe de estabelecer um desenho tático. Longe de estabelecer um desenho ponto. O treinador Valduíno levava as mãos à cabeça, cruzava os braços, agarrava a cintura, caminhava de um lado para o outro. “É só fazer o que eu mandei no treino”, repetia, olhando para a relva.

– Professor, eles tão indo muito pra frente e a gente não tá conseguindo acompanhar – alertou o 6 do Milan, Restinga.
– Grudem na bunda deles e não larguem – berrou de volta o técnico.

O Cruzeiro veio algumas vezes. O Milan pressionou noutras. Nessa alternância não devem ter feito mais que cinco chances reais, SOMADOS. A chuva começou a cair. Gripes são desprezíveis, PNEUMONIAS não, e o jogo de 0 a 0 não valia o sacrifício. Saí do campo para me proteger nas CONFORTÁVEIS arquibancadas de SEIS degraus do Waihrich Filho. Deveria ter aprendido que a única coisa previsível do Milan é a sua capacidade de ser imprevisível. Aquela CUSPARADA dos céus, antes de água, deveria ser querosene, e o jogo foi se incendiando.

Quem trazia mais vontade de DENTAR os três pontos todos era o quadro capitalino. Apitador da partida, seu Gilmar Nunes dos Santos ignorou um pênalti claro a favor do Cruzeiro quando os dez minutos finais transcorriam. Na arquibancada já eram evocados partos de meretrizes quando, para surpresa dos torcedores certos de que seria dada uma penalidade contra seu time, aquele cruzeirista que caíra em meio a CINCO do Milan não recebeu pênalti, mas um cartão amarelo por simulação.

Ainda assim, os visitantes continuaram em cima. Com o duelo se pondo FAISCANTE e as perspectivas de vencer escapando dos dedos, o Milan desistiu da sanidade e optou pela tradição. Alcemar Cavalheiro ignorou o sobrenome, deu um carrinho vigoroso e saiu expulso, assegurando que aquela era mesmo uma partida do quadro castilhense. O cartão vermelho subiu aos 86 minutos, e o tempo seguinte foi de lágrimas e desespero para os locais. Os cruzeiristas perderam chances do tipo que não se desperdiça. Coisas de sair olhando para os céus e perguntando às forças ocultas porquecomigomeudeus.

O Milan saiu da TOCA quando os acréscimos terminavam. O capitão Darzone perdeu uma boa chance em cruzamento aos 90+4 minutos. Logo depois, a última oportunidade. O pavilhão ouviu aliviado o árbitro soprar o apito. A falta no campo ofensivo garantia que não surgiria um novo ataque dos porto-alegrenses. O empate estava no bolso. E a vitória? A falta era na frente da área, a centímetros da linha que separa os pênaltis dos tiros comuns. Do outro lado do campo, tentando fugir da chuva, os torcedores se aglomeravam sob os cinamomos e as araucárias. Muitos passaram dezenas de minutos enraivecidos com sua paixão que fazia ver aquela partida lamentável em vez de ir logo para casa. Agora, estavam prestes a mudar de opinião.

Sob as traves, o arqueiro Fábio José Rampi sabia. Sabia que a chuva caía, que a noite vinha, que a bola estava molhada e a vista prejudicada pela escuridão. Podia não saber, mas pressentia, que o tempo de acréscimo já havia passado. Mas sabia que sempre faltariam trinta segundos. Faltaria o necessário para o último lance acontecer. Porque faltava um tiro livre. O goleiro sabia que o chute poderia sair desviado, a LÉGUAS do gol, como saem muitas das tão aguardadas cobranças de minutos finais. Mas se superasse a barreira, se viesse baixo, o destino dos pontos e da tarde estaria nas suas mãos. Nas suas luvas LISAS pela água que não parava de cair.

Ajeitando a bola, esperando os homens que vestiam azul e branco formar a muralha em frente à meta, Régis também sabia. Seu conhecimento era o de quem precisa bater a falta. Sabia que receberia algumas vaias se pegasse mal naquela bola e mandasse longe. Sabia que desataria a festa e a felicidade se marcasse o gol. Dos dois jeitos, seriam lances efêmeros. Mas o gol é eternizado em forma de pontos. O gol vai pra tabela. Régis sabia que a vitória e a desgraça, os três pontos e o nada, são meros instantes. Mas naqueles instantes a pelota ganhou vida. Saiu dos seus pés como um objeto pensante e consciente de que estava indo para o ângulo esquerdo do goleiro, indefensável. Eram absurdos 90+6 minutos quando o esférico disse que, com dez homens em campo, o Milan ganharia do Cruzeiro da capital por 1 a 0.Na quarta-feira, o Olímpico Monumental aguarda o Milan. E o azul vai ser suplantado pelo vermelho. O da camisa dos castilhenses, o dos cartões que eles recebem ou então o do sangue de algum tricolor mais desavisado. Enquanto isso, a gripe segue e eu TUSSO como um ZEBU TUBERCULOSO.

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3 comentários:

Anônimo disse...

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Rodrigo

CALIGULA disse...

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