segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Várzea cronometrada

A segunda rodada do Apertura uruguaio iniciou no sábado. Peñarol e Racing empataram em três gols no Charrúa, o Cerro derrotou o Tacuarembó em Montevideo por 2-0 e Central e Cerro Largo ficaram no 1-1. Normalmente.

No domingo, após a vitória do Danubio pela manhã, acontecimentos sem explicação tomaram a tarde uruguaia. O Club Nacional de Fútbol enfrentava o Villa Española, às 15:30h, no Parque Central. Mais de dez mil tricolores rumaram ao estádio para prestigir o quadro que vencera o Juventud de Las Piedras na primeira rodada. A partir daí, um fato por minuto. A cronologia ajuda:

15:24: o Villa Española, trajando um belo uniforme, adentra a cancha do Parque Central.
15:25: o quarto árbitro vai até o vestiário do Nacional trazer o bolso, a pedido do juiz Líber Prudente.
15:30: atrasado por uma multidão de crianças que entrariam em campo com os atletas, o Nacional chega enfim ao túnel que dá acesso direto ao gramado.
15:31: os dois times encontram-se em campo. Mas Prudente não.

"Cumprindo perfeitamente o regulamento", Líber desceu ao vestiário da arbitragem após o fechamento exato da hora da partida. Ao ingressarem em campo, os jogadores do Nacional não entendiam o acontecido. A torcida, menos ainda. Algumas rádios noticiaram a suspensão da partida e o possível w.o. decretado por Prudente. O Villa Espãnola ganharia os pontos pelo placar de 2-0, com gols convertidos ao seu capitão.

A fase da surpresa passou, e a seguinte seria trágica: a da indignação. Já informados, os torcedores bradavam insultos ao árbitro da partida, enquanto dirigentes explicavam uma conspiração. Segundo eles, o episódio seria apenas mais um para privilegiar o Peñarol, que em comparação entrara dois minutos atrasado no sábado. Alguns aficcionados mais exaltados e violentos buscaram um contato com o árbitro, que trancou-se por horas no seu vestiário.

E quem pagou com sangue provavelmente não tem ligação alguma com a confusão. Os jornalistas Alberto Kesman, Damián Herrera e Mauro Más, ligados a Tenfield, empresa de Paco Casal - tudo acaba neste nome - foram agredidos por fanáticos na saída do estádio. Kesman, inclusive, mostrou-se contrário a decisão de Prudente e viu vinte pedras voarem na sua direção - mas já passa bem.

Líber Prudente não imaginava causar algo desta proporção, ao menos é o que se espera. Triste é que sua infeliz e negligente decisão pode render ainda mais estragos. O Nacional, indignado com a iminente perda dos pontos, ameaça abandonar o Torneo Apertura. É possível também que a partida seja realizada novamente. A AUF até agora não tomou posição e apenas agendou a devolução do dinheiro das entradas aos torcedores que compareceram ao jogo que não existiu. Pela primeira vez na história, um relógio foi o protagonista da rodada no campeonato uruguaio.

2 comentários:

Gustavo disse...

Inacreditável. Esse árbitro deveria ser banido do futebol, para todo o sempre. Desrespeito absurdo com a multidão de BOLSOS que foram assistir ao jogo.

Iuri Müller disse...

o Tribunal de Penas confirmou o w.o. (Nacional 0-2 Villa Española, então)