segunda-feira, 28 de julho de 2008

Inter-SM no Brasileirão (3)

Rodrigo Martins Cintra é árbitro, tem trinta e dois anos, nasceu no Rio de Janeiro e sente prazer em ser boçal. E esteve em Santa Maria para sacramentar o fim desta série. Inter-SM e Engenheiro Beltrão, do Paraná, disputavam com desespero uma das vagas na próxima fase da Série C. Os locais precisam vencer e ilusionar algo diferente de empate em um jogo que empataria, já que a igualdade no placar classificava Toledo e Marcílio Dias, os dois outros quadros da chave.

Antes do confronto, execução do hino nacional, equipes perfiladas, honras patrióticas. Acabada a cerimônia, um repórter aproximou-se de Rodrigo Cintra e questionou: "Existe pressão por apitar um jogo decisivo, mesmo que de Série C?". Cintra, afastado da primeira divisão após atuação grotesca em Náutico 1-1 Internacional, respondeu: "Não me informaram que esta era uma partida decisiva". Mal sabia ele que mereceria inúmeros aplausos se os erros acabassem na banal entrevista. Há anos um juiz não se saía tão mal na Baixada como Rodrigo Cintra no domingo. Dois penaltis ignorados, reversões de faltas e laterais, partida parada o tempo inteiro, ao menos oitocentas e quinze apitadas. Mas ele não merece mais do que dois parágrafos.

Em campo, o colorado buscou apenas vencer, sem grandes utopias quanto a classificação. Os mil torcedores presentes também não se enganavam. Continuar no Brasileirão era quase impossível. Mais do que um triunfo no outro confronto, era complicadíssimo derrotar o Beltrão por três gols de diferença (necessário para depender de qualquer vitória no outro match), já que o ataque do rubro santamariense mostrou-se praticamente nulo no decorrer da competição. Jean Michel lutou sozinho normalmente contra quatro defensores, Chiquinho tropeçava na falta de companhia futebolística no meio e Edenílson, bom, depois falaremos dele.

Jean Michel fez 1-0 no único dos três penaltis existentes que Cintra assinalou. Os paranaenses empataram em linda jogada, com direito a passe de letra, ultrapassagem, cruzamento perfeito e cabeçada mortal. É bom ressaltar que o lance foi exatamente toda a atuação da equipe. Nada além disso foi criado. Minutos depois, um beque do Beltrão demonstrou-se fiel à causa gaúcha e com estilo, força e precisão marcou um lindo gol contra. Tudo isso na primeira etapa.

No complemento, a velha várzea da Série C. Futebol de péssima qualidade, arbiragem pior ainda e a volta do questionamento "Este é mesmo o desejado prêmio pelo pódio no Gauchão?". A terceirona foi mais desvalorizada no confronto simultâneo: Toledo e Marcílio ignoraram uma palavra chamada discrição e não arremataram nenhuma bola nos últimos quarenta e cinco minutos. Coincidentemente ou não, já perto do fim, empate do Engenheiro em um escanteio onde a zaga não se moveu. Cânticos de "entrega, entrega" surgiram na Melancólica.

Aí entra Edenílson. O centroavante não agradou desde a sua chegada. Diante do Toledo, em casa, abusou de perder golos, troteou em campo e foi fortemente vaiado. Ontem, mesmo desinteresse e novas reclamações. E aos 90', quando todo o estádio pedia o tento adversário (buscando uma falsa justiça com as próprias mãos), Edenílson, o centroavante, fez 3-2. Silêncio. Correu para a arquibancada e bradou com absurda convicção: "eu sou f...". Silêncio. É sim, Edenílson.

Foto: www.intersm.net

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