segunda-feira, 14 de julho de 2008

Inabalável líder

Diziam os profetas que a ascensão de Roberto Dinamite ao poder do Vasco traria, além do embalo dos 4-0 aplicados sobre o Sport no meio da semana, uma vitória sobre o Flamengo no domingo, para lavar a alma depois de tantas flautas e derrotas nesta década. O cenário era propício: a crise das prostitutas parecia ser o abalo ideal para o rubro-negro começar a titubear na liderança do Brasileirão e ser acossado pelos concorrentes diretos.

Erraram os profetas. Se não é garantido que a festinha flamenguista fez mais bem do que mal (e até casamentos ditos acabados estão se restaurando...), a estréia da versão presidente de Dinamite em clássicos foi de uma indiferença gritante na sorte do time. Não se viu o embalado Vasco no Maracanã. O Flamengo massacrou por 3-1 que chegaram a ser 3-0 e contou sua oitava vitória em onze jogos. Terminou a 11ª rodada tão líder quanto antes, cinco pontos à frente dos mais próximos que vêm abaixo, e com a força de não ter tropeçado por tão pouco – bem diferente, por exemplo, de outro carioca, o Botafogo de 2007, que depois de longo tempo invicto na primeira colocação daquela Série A, começou a decair exatamente numa jornada onze, ao levar 3-0 do Santos na Vila Belmiro num jogo em que Dodô, então craque da equipe, era desfalque por doping.

Mas o Flamengo é diferente do Botafogo mesmo. O Flamengo costuma ser campeão. (Que maldade...)

* * *

Mais da rodada:

Fluminense 2-1 Vitória: começa a entrar no campeonato, o Flu, vencendo novamente e agora contra um adversário cujos resultados têm causado furor. O trauma sul-americano ainda machuca o coração da torcida, mas aos poucos um novo sonho – quiçá reagir, sair dessa zona de rebaixamento e tentar ir à Libertadores 2009 – vai sendo formado.

Goiás 2-2 Coritiba: não interessa o que houve nesse jogo que deixou os goianos um pouco mais enterrados na zona de descenso. A cena foi roubada por Michael, do Coxa, e seu lance nos acréscimos do segundo tempo: sozinho, sem goleiro e praticamente embaixo das traves, só precisava mandar para as redes; a confiança foi tanta que, ao tentar colocar a pelota no canto, conseguiu errar da baliza.

Santos 2-2 Botafogo: ao perder sua partida de estréia no Santos, 1-0 para o Vitória em 8 de junho, o treinador Cuca, que então chegava do próprio Botafogo, dizia que a obtenção dos bons resultados era questão de tempo. Pois a quanto tempo ele se referia? Já vai mais de mês e essa foi a sétima partida sem vitória do Santos sob o comando dele. Ontem, até deveria ter perdido, mas Kléber Pereira saiu do banco para recuperar o 0-2 com gols aos 79 e 86 minutos.

Atlético/PR 1-1 Internacional: dificuldades dos dois lados para achar o gol, com ligeira superioridade colorada, até o árbitro Giuliano Bozzano começar a dar o seu showzinho, marcando um pênalti inexistente a favor dos paranaenses, que converteriam com Alan Bahia. A partir daí, um festival de faltas invertidas e cartões não dados numa apresentação digna de ganhar gancho da Comissão de Arbitragem da CBF. Felizmente para o Inter, Índio logrou o empate aos 81 minutos, tirando o seu pontinho da lista de pilhagens do apitador.

São Paulo 2-1 Palmeiras: foi em clássico, então cabe justificativa, mas também foi a terceira partida consecutiva sem vitória desse inconstante Palmeiras. Tanto melhor para o tricolor, 7º colocado e a três pontos do sonhado G4 ao fim da rodada.

Cruzeiro 2-1 Atlético/MG: aos 78 minutos, quando o Galo largou em vantagem no grande duelo mineiro, pareceu que daria uma grande ajuda aos concorrentes cruzeirenses pelas primeiras posições. Não havia tanto tempo pela frente, de forma que recebia saudações. Três minutos mais tarde, era xingado: levava o empate. Terminou a tarde como supremo odiado ao sofrer a virada com um gol aos 90+1: diante de uma zaga parada a pedir impedimento, Ramires escapou livre e tocou com grande categoria para bater o arqueiro Edson.

Ipatinga 0-1 Figueirense:
aos dois quase-vencedores-surpresa da rodada anterior, a chance de um confronto direto na jornada do fim de semana. Venceu o melhorzinho, com um gol de Cleiton Xavier, o único que faz gols no time de Florianópolis. Apesar dos pesares e das atuações mais ou menos interessantes, o Ipatinga ainda caminha dentro do que se esperava, terminando o domingo na lanterna. Que caia.

Grêmio 2-1 Portuguesa: continua jogando mal, o Grêmio. Mas ontem, ao menos, houve a estréia de Tcheco, trazendo novas idéias ao meio de campo do time. Outro grande ganho representado por ele foram os escanteios: depois de muito tempo com bolas baixas na primeira trave, há alguém para cruzar alto e na cabeça dos atacantes. Assim nasceu o primeiro gol de Marcel, empatando o jogo, aos 36 – antes, a Lusa havia aberto o placar após entregada varzeana do zagueiro Léo. O mesmo Marcel, vítima de tantas (justas) contestações nas últimas semanas, marcaria o golazo da remontada no segundo tempo. Além do centroavante e de Tcheco, brilhou novamente o arqueiro Victor, no que é uma boa notícia seguida por outra ruim: o Grêmio encontrou um grande goleiro, mas seu destaque em sucessivas partidas indica a fraqueza das proteções à frente dele.

Náutico 0-2 Sport: sensação pernambucana do Campeonato Brasileiro contra sensação pernambucana da temporada brasileira. Venceu aquele com duas taças no armário em 2008. Ao Sport, que nada mais disputa nesta Série A após erguer a Copa do Brasil, o triunfo valeu para se afastar das chatas posições baixas e, principalmente, complicar os planos do Náutico para se manter entre os candidatos à Libertadores.

Um comentário:

Morbeck disse...

O Flamengo está chegando. Se segurem.

Warley Morbeck
http://flamengoeternamente.blogspot.com/