quinta-feira, 27 de março de 2008

O fim de uma era

15 de Novembro sendo goleado pelos reservas do Grêmio, ontem

O rebaixamento já havia sido confirmado no final de semana, mas só ontem, na derrota por 1-4 para um Grêmio lotado de reservas, o 15 de Novembro fez seu último grande jogo dentro de casa. O último grande jogo de sua história? Quatro pontos em catorze rodadas de Gauchão representaram mais do que o descenso do time de Campo Bom: foram o fim da era do último clube de fora da capital gaúcha a viver próximo dos grandes sucessos. E, quiçá, o fim do próprio clube.

Fundado em 1911, o 15 de Novembro se manteve longe do profissionalismo até 1993. Nesse período, já demonstrava força, amontoando conquistas no estadual de amadores: foram espetaculares 14 títulos, nas temporadas 1960, 1961, 1963, 1964, 1966, 1968, 1970, 1971, 1972, 1973, 1976, 1977, 1987 e 1990. O sucesso naquele longo período fez a comunidade planejar vôos mais altos e, em 1994, o time ingressou na Segunda Divisão de profissionais do Estado, com objetivos relativamente modestos. Um vice-campeonato e o acesso no primeiro ano representam a glória inicial do clube que, nas temporadas seguintes, continuaria oscilando entre a elite e a Segundona. Nas copas interioranas da segunda metade dos anos 1990, boas campanhas conferiram certo destaque à equipe verde-amarela, mas nada como se veria na década seguinte.

Veio 2002. Vieram 2003, 2004, 2005 e 2006. Em todos esses anos, invariavelmente, o 15 fez algo de destaque. Em 2002, 2003 e 2005, foi vice-campeão do Rio Grande do Sul, sempre derrotado pelo Internacional nas decisões. Em 2004, sob o comando do treinador Mano Menezes, o time de Campo Bom abriu mão do Gauchão, dando todas as forças por uma improvável campanha histórica na Copa do Brasil: a equipe atingiu as semifinais e, nelas, chegou a estar vencendo o primeiro jogo por 1-4 fora de casa. Com um calendário sobrecarregado, contudo, cansou e levou mais dois gols do Santo André, que se mostraria letal - na partida de volta, disputada no Olímpico, em Porto Alegre, os paulistas, futuros vencedores da Copa, triunfariam por 1-3. Finalmente, em 2006, veio o primeiro título de um clube acostumado aos vices: a Copa Emídio Perondi.

À época, não parecia, mas vencer aquele troféu era o indício mais claro da decadência do 15 de Novembro. A Copa Emídio Perondi nada mais era que um torneio-consolação envolvendo os eliminados da primeira fase do estadual - e os de Campo Bom estavam entre eles. No ano passado, a fraqueza se confirmou, com a permanência na elite gaúcha sendo garantida apenas na última rodada. Era o último alerta para o despencar vertiginoso. Era sinal de que tudo precisava mudar. Mas o 15 não se fortaleceu: na pré-temporada para 2008, acumulou derrotas contra equipes de qualidade questionável; no Gauchão, emendou séries de partidas perdidas a um ponto em que, ao final do primeiro turno, com sete rodadas pela frente, já se sabia que o time estava morto.

Pois caiu o 15 e, com o rebaixamento, encerrou-se, enfim, mais um ciclo de um vencedor do futebol interiorano. Terá sido o fim do clube, também? Para um time que desprezava a terceira divisão do Brasil por considerá-la deficitária e agora tem uma Segundona estadual pela frente, o futuro é incerto.

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